Medianeras, this is a promise with a catch

7 mar

"Venha me buscar" (foto de Grafitimundo)

Medianera: f. Pared común a dos casas u otras construcciones contiguas

“Buenos Aires llama muchísimo la atención en el exterior. En Europa me pidieron como condición que nombre Buenos Aires en el subtítulo. A pesar de mostrar sus desaciertos, la gente me dice que la ciudad les genera mucha curiosidad. Las medianeras son una particularidad de acá. En ningún lugar tienen una única palabra que defina las medianeras. No existen. ” (Gustavo Torreto, diretor de Medianeras)

 

Recorte de uma foto que eu tirei de uma poesia de uma calcada portenha.

Certas coisas na vida vem na hora certa e por merecimento. Pois, para alguns momentos legais na vida, eh preciso esperar.

Eu fiz várias tentativas até conseguir assistir o filme Medianeras. Tentei sair correndo do trabalho e desisti na fila do cinema, ir a uma sessao no Rosedal só para descobrir que a coisa na acomodava gente a pé como eu, só carros.Percorri algumas vezes a Av. Santa Fé atrás de um pirata, apenas para conseguir minha cópia em um boteco, em pleno Carnaval, no Brasil!

Nao existe nada mais portenho que a solidao. Nao importa com quantas pessoas voce viva, quantos amigos tenha, namorado, cachorro, filhos, papagaio, na cidade voce é sozinho. Nas longas horas de onibus, nas pausas entre os compromissos, na sua escapada para pagar as contas, em seu café languido no meio da tarde, voce é sua melhor companhia. De certa forma, de uma maneira burocratica, a solidao é um fator coletivo, o denominador comum de toda gente.

A cidade é voce, aqueles impagaveis momentos em que voce está só com seus próprios pensamentos aproveitando a brisa da janela do onibus, esticando a cabeca para ver as janelas em estilo frances nos andares mais altos dos edificios em uma capital que pode ser simétrica e assimetrica tanto em sua arquitetura como relacionamentos. Uma arquitetura que muitas vezes se parece muito a gente que ela vem acomodar.

Edificio Kavanagh, no bairro do Retiro, assista o filme e entenda como ele veio parar nesta nota...

Venho de uma cidade onde andar sozinho em qualquer lugar é quase uma especie de lepra. E foi um alivio descobrir, que só em Brasilia e no Iran, é necessario um acompanhante para por os pes pra fora de casa. Aqui, ao contrario, é mais facil ver as mesas ocupadas por uma só pessoa que grandes grupos confraternizando. E nao há liberdade maior que a solidao bem quista, que solitude bem curtida. É mais facil ir e vir solo que armar um entourage para o cotidiano. É mais simples comer só, andar só, correr só. E, em Buenos Aires, os habitantes já se conformaram com isso. Vivemos dos torpedos, de olho na temperatura, no transporte publico, cartao SUBE e Guia T em punho, onde ir e vir nao sao um direito e sim uma necessidade.

Mas a cidade vai além da solidao arquitetonica. Buenos Aires abriga encontros e desencontros, a selva de pedra, as delicias e os infernos de uma metropole de 15 milhoes de pessoas. Apartamentos acocorados sobre as avenidas, habitantes de caixas de sapato”, o s monoambientes (kitchnetes) da capital, a busca do amor que se parece ao “Onde está Wally?” da literatura viral dos 90. Minha cidade natal nao tem esquinas e aqui parece nao haver nada além delas.

Medianeras é um flime e mais uma delicia portenha. Um flick sensivel sobre uma cidade que pode ser doce e brutal na mesma medida, a gloria e a perdicao em igual gradacao. Mamao com a azucar é verdade, sublime como as vezes Buenos Aires pode ser com seus momentos mágicos. E possui ainda alguns momentos celestes como quando os personagens principais cantam uma das minhas musicas favoritas.“ True love will find you in the end” é uma das baladas mais expressivas do geek norte Americano Daniel Jonhston. Com sérios disturbios mentais, (Johnston é uma especie de Bob Dylan bipolar) o cinquentao vive nos fundos da casa de seus pais no Texas e se tornou o queridinho de estrelas do rock como o vocalista da banda Peral Jam Eddie Vedder  e o cantor Beck depois do documentario The Devil and Daniel Johnston sobre sua peculiar vida. O filme ganhou as telas do cinema e vários premios no festival de cinema independente Sundance. E Daniel Johnston um pouco do reconhecimento que ele merece.

A letra é qualquer bossa e seu encaixe no filme qualquer finura. Deixo aqui a dica do filme e da musica. Como diz a letra, this is a promise with a catch…

 

 

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2 Respostas para “Medianeras, this is a promise with a catch”

  1. natasha 14 de março de 2012 às 3:50 PM #

    Gabriela, lindo texto!
    Assisti Medianeras ontem num cine bem antigo na Corrientes.Ao sair, sozinha, não em contive e fui até a Avenida Santa Fé procurar os edificios dos protagonistas(que, é lógico, são ficticios)
    Parabéns=)

  2. Alvaro Andrade 10 de abril de 2012 às 3:02 PM #

    Gabriela, não gostei muito do filme. Os personagens me entediam, são chatos demais, ainda que boa gente. rs
    mas gostei do texto. tenho notado, no pouco tempo aqui, algo semelhante. e o filme acerta nisso. conhece o brasileiro Eros Deus do Amor? O começo é muito parecido com o de Medianeras, porém sobre SP, e mais dark. vou ver o doc sobre o Daniel J. Tinha ouvido falar já, mas lembro agora que me esqueci.
    bjo.

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