Teatro Colón: The Phantom of the Opera is dead!

21 maio

O Teatro Colón abre suas portas na segunda-feria após tres anos de reformas a portas fechadas

Os duzentos anos de independência argentina se aproximam. E Buenos Aires ferve em azul celeste e branco.  De hoje até terça-feira, o governo pretende comemorar em grande estilo. Marcha militar, uma série de shows pela cidade,  atos solenes, comidas típicas, etc, etc, etc.  Ontem, na Praça de Maio, vi até um grande barco, replica do Titanic? Parte das comemorações, e motivo certo para se celebrar em um país de terceiro mundo, está o fim de uma grande obra pública. Quem é do terceiro mundão sabe que as obras do governo são mais eternas que o Highlander.

Família é Família

Custo acreditar que dia 24 o Teátro Colón, sentado como uma bigorna colonial na Avenida Cerrito, a  passos da emblemática Avenida 9 de Julio, estará pronto para sua “Grand” inauguração.  A agonia de ver tapumes, placas de amianto e centenas de operários trabalhando em um dos maiores teatros do mundo, a dias de sua inauguração, não me deixa acreditar que esta cirurgia está quase acabando. Mas, ao que tudo indica, a começar pelos enormes pôsters que o governo fixou no metrô, segunda-feira é o dia. “E não se cancela por motivo de chuva”,  adiantam.

 Após seis anos de obras e três anos de fechamento, o Colón reabre as portas depois de um facelift  caríssimo de mais de US$100 milhões. Cifra que deixa muitos argentinos desconfortáveis e outros, como os amiguinhos do chefe do governo de Buenos Aires, Mauricio Macri, confortabilíssimos – vide a duvidosa contratação da empresa de seu primo! Eu acho maldade. Afinal, família é família, já diria Dom Corleone.

 

Colón ganha uma plástica de US$ 100 milhoes

É verdade, no entanto, que o teatro merecia uma plástica. Fotos do lugar antes da restauração mostram paredes descascadas, infiltrações, móveis podres, em cenas de cortar o coração porteño.  O Cólon é um ancião de 102 anos e ostentava dramáticos sinais de decrepitude. Inaugurado em maio de 1908, com a ópera Aída, sofreu desde cedo com a uruca! O projeto inicial era do arquiteto Francesco Tamburini que morreu em 1981, deixando o projeto para seu sócio Víctor Meano, autor do Congresso Argentino, que não pode levar as obras para frente por falta de verba.  Em 1904, Meano é assassinado em sua casa e o governo resolve tomar medidas drásticas: importar. Traz então o belga Jules Dormal que conduz as obras trés bien até terminar-las 1907 quando o teatro é arrendado.

Operários trabalham no velhinho

Desde então passaram pelos palcos do imponente Colón, cuja área local é de 58 mil2, figuras como Richard Strauss, Maria Callas, José Carreras, Enrico Caruso, Ana Pavlova, Luciano Pavarotti, Plácido Domingo, Júlio Bocca, Igor Stravinski, e as mais bacanas filarmônicas do mundo.   Além das, pasmem, visitas de duendes aos espetáculos e camarins do Colón. Reza a lenda que os anões estão por todo o lugar, inclusive causando a morte por espanto do chefe dos mordomos do lugar em 2002.  Veja aqui.

Durante três anos, o enorme lustre, que acrescenta fama opulente ao teatro, os chãos de mármore carrara ( entre outras pedrinhas caras), afrescos,  vitrais, cortinas, palcos e até o sistema de incêndio do edifício ganharam atenção especial dos restauradores e operários.  Para a temporada de concertos, óperas e apresentações o governo promete que o edifício, sua acústica e dependências estarão um pitéu.  Segunda- feira é o ato político, com direito a show de luzes e música, do lado de fora. Deus lhes livre de por o povão para dentro da Disneylândia erudita.

 

O Gran Colón is back!

 Como não seria a Argentina se não houvesse bafón, a presidente, Cristina Kirshner, disse que não vai. A versão oficial faz alusão às divergências da “governosa” com o chefe do governo de Buenos Aires, Macri. Na internet circulam rumores que, caso fosse, iria ser vítima de uma guerra de tomates.

 

De todas as formas, a temporada 2010 está quase esgotada, com precinhos módicos que variam de R$ 100 a R$ 1.500 reais. Só vendendo a mãe.  Mas, por agora, com as portas abertas, the phantom of opera is dead e o Gran Teatro Cólon is back!!!

The phantom of the opera is dead

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