Zen nos Aires

31 maio

Procura-se uma yoga deseperadamente...

Confesso que, embora não me falte vontade e saudade, não tenho posto muito empenho na busca pela Yoga perfeita em Buenos Aires. Fui seduzida pelo estilo de vida sedentário (ainda que a gente ande um montão nessa cidade), pelos prazeres da carne ( estou me referindo ao bife de chorizo mesmo), ao vinho, a Quilmes, as baladas, estilo de vida Rock and the City Buenos Aires. Enquanto que, no que depender de meu desenvolvimento espiritual, e a conta do karma, nascerei barata cascuda na próxima encarnação.  

Ponha um pouco de Bhagavad Gita em sua vida

Mas, ando com tanta saudade da prática de Yoga, que pareço uma louca incomodando clientes e proprietários em restaurantes vegetarianos em busca de sugestões de estúdio de Yoga e meditações transcendentais. Aparentemente, meu corpo já se esqueceu do exercício, meus ombros caíram, a postura encurvou e a pança só cresce.  Sem contar com a saudade que sinto daquele cheirinho de Nag Champa e patchuli que permeava minha vida de yoguin.

O problema é que Yoga é muito pessoal. Achar a prática ideal de yoga é como achar o psicanalista perfeito. Assim como na psicologia, que tem um montão de linhas; como Junguiano, Freudiano, Gestalt, a Yoga tem suas modalidades também. Tem Hatha Yoga, Swastia, Ashtanga, Kundalini, e uma infinidade de outras correntes que, para quem conhece fazem uma enorme diferença.

A modalidade ( se é que podemos chamar assim) que pratico há mais de três anos é a Hatha, o estilo mais tradicional. A Hatha se baseia na permanência nos “ásanas” ou posturas, com ênfase na respiração, durante certo período de tempo. Já a ashtanga, a titulo de ilustração, privilegia a repetição desses äsanas de maneira sincronizada e mais dinâmica que a Hatha, o que para mim, críticas a parte, parece ginástica. Mas, é tudo muito muito muito pessoal. Outro dia, para minha surpresa, vi  até um anuncio de “hidroyoga” que era, no mínimo, bem interessante.

 

Chamem-me de conservadora, mas meu negócio é incenso, mantra e ásana. Nada mais, nada menos. Por

Restaurante Krishna

 isso, quando por sugestão de amigos, coincidência, acaso, ou programação acabo, como hoje, em lugares como o restaurante Krishna na Plaza Armenia, algum fogo (sagrado) reacende em mim. Não se assuste com as cadeirinhas que parecem importadas da, casa dos sete anões, nem com a trilha sonora indiana com narrações do Baghavad Gita, muito menos quando te oferecerem fumaça de vela em oração nem mesmo quando um mocinho começar a entoar mantras ao seu lado com seu instrumento indiano, o Krishna é assim mesmo: boemia espiritual. Pessoalmente, me sinto em casa.

 

Mas, entendo quando comensais assustados se entreolham com preocupação. O negócio é relaxar, passar o chutney no chapati e aproveitar um dos melhores restaurantes vegetarianos da cidade. Está certo que, para morar em Buenos Aires, é preciso ser mais carnívoro do que um leão. Mas, nem só de choripan vive o homem e a cidade oferece excelentes opções para quem quer se abstiver de comer seus filés de brontossauro. O Krishna (Malabia 1833) é a experiência completa para um almoço ou jantar espiritual. A comida é de-li-ci-o-sa, leve e com precinhos transcendais também.

 
Tulasi, espiritualmente bom e barato

Outra grande opção, para um almoço rápido e justo, é o Tulasi (Marcelo T. de Alvear 628 ), a passos da Plaza San Martin. Esqueça as mesinhas baixas, almofadas, som de citra, o Tulasi é um austero botequinho dentro de uma galeria pra lá de comercial no meio do rebuliço que é o Retiro. Qualquer semelhança entre seu espaço físico, simples, mundano e sem grandes luxos, e sua saborosa comidinha é mera coincidência. O cardápio é incrivelmente barato, o atendimento uma gracinha ( aliás, vale um parêntesis aqui, atendimento amável em Buenos Aires faz de qualquer lugar um ponto turístico) e a comida incrível, dessas que fazem os olhinhos se revirarem um pouco com cada garfada.  Você já se imaginou salivando por um tofú? Prepare-se. As sobremesas, super diets e orgânicas, são surpreendentes também. Tem o diabo de um doce feito de gergelim que lembra chocolate conseguindo superá-lo que é dos deuses. Alias, seu dono, um argentino muito simpático, morou anos na Índia e agora diz que vai fechar as portas no fim do ano para ir no morar no interior de São Paulo. Uma pena! O restaurante oferece ainda cursos de cozinha vegetariana. Confira aqui!

 
Devas: consumismo Zen

Por fim, se seu negócio, como eu, Barbie Yoga, é uma bela lojinha, não abrindo mão de umas boas compras nem em nome de seu karma, pode refestelar-se na livraria e loja Devas que tem uma pá de filiais espalhadas pela cidade. A franquia é recheada de livros, tarots, mats de yoga e uma série de essenciais e supérfluos para quem quer se antenar com uma energia superior.  A missão da loja é pra lá de ambiciosa “ayudar a armonizar al ser humano con las energías que lo trajeron a la vida”, menos né! Mas, é mesmo uma excelente opção para aqueles que procuram boa literatura sobre Yoga e a parafernália necessária para começar a prática. Uma divertilandia yoguin. Veja AQUI!.

No mais, alguém tem uma Yoga bacana para me indicar? Estou seriamente necessitada de assessoramento espiritual!

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