Arquivo | maio, 2010

Happy Birthday Argentina!

25 maio

 Às oito da noite não podemos nos mover, uma onda de gente continua chegando. Há um clima de antecipação, alegria, maravilhamento no ar e, depois de semanas de frio intenso e de um breve episódio de chuva, a temperatura é muy agradable em seus 18 graus.

Impossível descrever o clima que tomou conta da capital da Argentina nos últimos dias. Milhões de pessoas nas ruas, milhares de bandeiras flamulando, nas avenidas fechadas um climinha de carnaval, metrô liberado, crianças brincando até as duas da manhã, um ambiente de latinoamericaniedade, nada arrogante ou excessivamente ufanista, pelo contrário, o respeito às outras culturas comovente e inclusivo.

Dois milhoes de pessoas estiveram na reinauguraçao do Teatro Colón

 É preciso entender um pouco da Argentina para compreender melhor o momento singular pelo qual ela passa. Como disse um amigo argentino ontem, referindo-se ä disponibilidade brasileira de celebrar,  “nos cuesta festejar”.

Espetáculo de Luz e Som

Num país que nos últimos anos vem se auto depreciando, com poucos motivos para celebrar, ao reflexo de sua própria decadência econômica, nem sempre o clima é festivo, muitas vezes é a sombra musical de um acordeón solitário trotando pelas ruas antigas como um lamento uníssono que evoca um passado que, como num tango de Gardel, terminou em separação. Foi preciso vencer o derrotismo de um ancião latino americano cansado de luta para celebrar seus 200 anos de autonomia, com todas as dores e delicias que isso representa. Um otimismo que, aos poucos, ao meu ver começa a substituir o pessimismo de um país que já foi a bancarrota, mas que retorna a respirar ares de esperança. Talvez, um giro histórico.

De Tango a rock n roll, as comemoraçoes foram ecléticas

E, para tanto, recebeu o panteão de cantores de rock daqui (cá entre nós que 99% eram desconhecidos para mim), Pablo Milanés, Gilberto Gil e um montão de gente que é importante para eles numa festa que, a meu ver, fez e continua fazendo bonito.  Teve música para todos os gostos musicais em um recital verdadeiramente democrático. A Avenida 9 de Júlio, a maior do mundo, ficou fechada com milhares de estandes, entre eles o tocante espaço das Madres de Maio, com estatuas em tamanho real da mães, fotos dos desaparecidos na ditadura, uma coisa!

O comovente estande das maes e avós de Maio na Avenida 9 de Julho. Eles, ao contrário de nós, nao esquecem...

 

Ontem, os organizadores relatam que, para a inauguração do Colón e a programação do dia e da noite, estiveram presentes nada mais nada menos que dois milhões de pessoas.  O momento esperado da noite era claro, a inauguração do Teatro, mas confesso que, vendo as imagens depois na televisão, me pareceu mais bonito ver na telinha. Explico: com a quantidade de luz da Avenida 9 de Julio, e adjacências, ficaram algo apagadas as imagens projetadas na facha do edifício. Além disso, o efeito tridimensional não era perceptível de todos os lados. Pero Bueno…

Dentro do Colón, 2.700 VIPS ( entre eles é claro Ricardo Fort e suas bochechas de silicone) assistiam trechos da ópera La Boheme  e do Lago dos Cisnes que, por sua vez, eram projetadas para nós reles mortais do lado de fora. Para os jornais de hoje, a ausência da presidente do país na abertura do Teatro Colón  –  que está de “Belém Belém nunca mais to de bem” do chefe do governo de Buenos Aires –  Maurício Macri, é a metáfora tangível de uma Argentina dividida politicamente com muitos problemas internos para superar. Mas por hoje, e só por hoje, a festa continua e os argentinos não parecem muito preocupados com seus arranca-rabos governamentais.

Imagens projetadas no Colón ontem a noite

 

Há toda uma agenda oficial que inclui até Lula e Chavéz no Cabildo, na Plaza de Mayo. Mas, me uno ao povão, na festa de encerramento, com cantor argentino Fito Paéz, que para minha surpresa, não é uma unanimidade por aqui. Acusado de tacanho, e outras cositas mais, já vi muito Hermano torcer o nariz para a menção do cantor. Eu, pessoalmente, acho legal, mas iria do mesmo jeito se não gostasse, pois minha profissão na Argentina é arroz de festa.

Haverá também a  im-per-dí-vel  participação do grupo teatral Diqui James com o espetáculo que já ganhou mundo, Fuerza Bruta, um choque para aqueles com uma visão tradicional de teatro. Fui uma vez e era algo que definitivamente está vagamente encaixado na categoria “teatro”, figurando como uma expressão por si só.  Como diz o slogan da companhia  “Sem Tradução. Sem Anestesia. Brutalmente Feliz”, como viver na Argentina neste momento.

 

 

Anúncios

Y toda la ciudad es de Oxum…

24 maio

Para el Rio de la Plata y los amigos hispano hablantes!

Sao Pedro contra Buenos Aires

24 maio

Sao Pedro acabou com a festa ontem

 

Sao Pedro nao foi parceiro ontem e acabou com a festa dos hermanos. Chuviam baldes de agua e a cidade estava um caos. Metros interrompidos, ruas alagadas e pior: nada de portela. Parte da programaçao prevista for remarcada para as tres da tarde de hoje. Mas, ao que tudo indica, nenhum sinal da velha guarda da portela. Alguem sabe onde os sambistas foram parar? Minha sandália de prata está deprimida.

Old School

24 maio

Uma Buenos Aires que quase não existe mais, com prainha no Rio Prata, vacas leiteiras na rua, lei que obriga o uso do paletó e um moço pintando pombos! Uma pérola!

No topo do mundo!

23 maio

E uma última notícia:

Mateada nas alturas, grupo toma mate para manter-se aquecido

Os Patagonia Brothers, além de mais seis Argentinos de Bariloche, atingiram o topo do mundo na noite de ontem, oito da manha no Nepal. É a décima vez que os irmaos chegam ao cume e primeira vez que uma equipe integralmente argentina  realiza a façanha. Arrasaram!

Soy Loco por ti América

23 maio

No palco Gil e León Gieco cantam "La Cigarra"

Mágico, indescritível, sensacional, incrível, comovente assistir o show do Gilberto Gil às 02hrs da noite de ontem, a passos do Obelisco, com nada mais, nada menos, de um milhão de pessoas. Com um repertório que incluiu Tempo Rei, Vamos Fugir, Palco, Soy Loco por Ti América, Toda Menina Baiana, entre outras canções. Gil contagiou os porteños. E levou esta humilde brazuca aqui ao delírio numa noite inenarrável de integração latino americana de fazer arrepiar os pelinhos da nuca, bater ritmado o coração e arrancar sorrisos duradouros.

 

Além de Gil, a noite contou ainda com momentos grandiosos como a participação do cubano Pablo Milanés, que além de seus sucessos, teve a gentileza de incluir no seu repertório a canção dele com o Chico Buarque “Como se fosse a primavera” em um momento sublime que precedeu o show de Gil.

 

 

 Hoje têm mais, às 19h toca a velha guarda da Portela, mas um momento imperdível da festa. Mas, vou deixar as sandálias de prata em casa, para esse samba, meus pés em frangalhos, vão de tênis.  

Um milhao de pessoas assistiram os shows na Av. 9 de Julio na noite de ontem

Bicentenário

22 maio

Fito Paez encerra os festejos na terça-feira

Mais um dia glorioso em Buenos Aires, temperatura amena, rondando os 18 graus,os Patagonia Brothers quase alcançando o cume do Everest, e ontem começaram os festejos do bicentenário com uma festa em homenagem ao rock argentino. Confesso que não conhecia muito e esperava ansiosamente por Fito Paez, que deu uma canjinha , pois está se guardando para seu “gran concierto” de encerramento dos festeiros na terça-feira.  Uma multidão tomou a 9 de Júlio para assistir os vovós do rock em um concerto que não foi nada geriátrico. Para hoje, uma série de atrações estão agendadas.

O “esquenta” é aqui em casa. Nos preparamos para ver o bahianíssimo Gil no show das 20hrs, no palco principal com outras atrações, entre elas o cubano Pablo Milanés. Como esta programação é super confusa nos sites oficiais, minha amiga e bloggeira favorita, Gisele Teixeira, fez a enorme gentileza de destrinchar o melhor da festa em seu bacanérrimo blog para gente que, como eu, está mais perdida que cedo em tiroteio. Confira aqui.