Arquivo | junho, 2010

La Gaiola de las Locas

30 jun

Liniers pela causa

Autorizados pela juíza Alejandra Petrella, que cita o direito a igualdade a todas as famílias, acabam se casar, na Rua Uruguai 700, a pouca quadras de onde vivo, o oitavo casal do mesmo sexo a contrair matrimonio na Argentina. Diego de Jesús Arias e Leonardo Miguel de Santo já tinham oito anos de convivência. Embora, dezesseis pessoas puderam conclamar seu amor legalmente, conferindo validez e segurança aos seus parceiros, o casamento homossexual na Argentina ainda carece de aprovação pelo Senado . A votação está marcada para o dia catorze de julho.

Diego e Leonardo se casaram hoje em Buenos Aires

Na televisão, nas ruas e nas redes sociais a mobilização segue forte. A Lei que autoriza as uniões de pessoas do mesmo sexo já passou, há alguns meses, pela Camara dos Deputados. Agora, depende de aprovação do Senado.

 No facebook existem uma série de páginas apoiando o movimento.

Ricardo Darín apoia a causa

 Eu e 142.832 curtimos a página Yo estoy a favor de la legalización del Matrimonio Gay e também Soy Heterosexual y Apoyo el Matrimonio Gay en Argentina. São excelentes sítios para ficar a par da movimentação, próximos eventos e noticias.Se a união entre pessoas do mesmo sexo for aprovada na Argentina será o primeiro país da América Latina a aceitar este tipo de casamento. Pois, nesta gaiola, as loucas são aquelas pessoas que não conseguem superar sua intolerância.

Ataque noturno a Mafaldinha!

28 jun

Mafalda "El Clon"

 

Extra , extra, a Mafaldinha, da rua Chile com Defensa, em San Telmo, foi atacada por fashionistas! Os vândalos a vestiram de Mafalda de Mayo, Mafalda com Frio, Mafalda Lisérgica e até Mafalda do Clone! ( El Clon, é uma novela famosa por acá, viste?) 

Mafalda Inverno!

Mafalda Paz e Amor!

Mafalda Mae da Praça de Maio!

Onde viveu Mafalda?

 
 
 
Criador e Criatura em sua inauguraçao

Dizem que Mafalda vivia com seus pais Tomas e Raquel e seu irmãozinho Guille no bairro porteño de San Telmo, mais precisamente na Rua Chile 371, onde Quino, criador do personagem contestador residiu durante muitos anos. O Armazén de Manolito também fica no bairro de San Telmo, na Rua Balcarce.

Hoje, é um Maxikiosk0 ( para quem não sabe os “Kioskos” são uma entidade em Buenos Aires, pequenas lojinhas de guloseimas espalhadas por toda cidade, lembrando muito nossas “BR Mania”) com uma pequena placa comemorativa colocada por seus donos. Em agosto de 2009, o governo colocou uma Mafaldinha bem linda, feita pelo artista plástico Pablo Irrgang, sentadinha num banco da rua, com espaço perfeito para aaaaaquela foto.

Casa da MafaldaFalta descobrir onde viviam Felipe, Miguelito, Suzanita e, sobretudo, Libertad!

Gabi para Porteños

28 jun

Confesso que escrever em espanhol não é fácil. Mas, meu ascendente é virgem e “eu posso” é meu nome do meio. Por isso, quando me convidaram para integrar o site Traducir Argentina, eu me animei na mesma hora. Um porque, mesmo que não esteja publicando, estou sempre escrevendo. Dois porque meus amigos argentinos sempre me pediram que este blog fosse bilíngüe. Três porque é uma excelente oportunidade de me manter desenferrujada jornalisticamente falando.

Quatro que poxa, eu falo espanhol. Às vezes, acordo meio “la garantia soy yo”, mas me lembro do diplominha da Universidade de Salamanca, tirado a duras penas durante minha estadia na Espanha, que diz que meu castelhano é nível superior!Também por que fico tão metida no meu mundindo mestrado que me esqueço que meu negócio foi e sempre será jornalismo.  

Faço o que posso porque além de tudo estou livin la vida loca, mas de vez em quando publico algo. Minha última matéria, já publicada aqui, está dando o que falar entre os porteños enlouquecidos com esta Copa do Mundo. Para quem ainda não leu ou simplesmente quer ver como esta humilde bloggeira se sai em espanhol confira a matéria da semana do Traducir Argentina AQUI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Beijomeliga.

10 Razoes para Amaaar a Argentina: A Dívida Externa

25 jun

 

Sao Caetano, um dos destaques do acervo

Isto é Argentina:

reabre nesta terça-feira o Museu da Divida Externa. Isso mesmo. Este país –  e eu considero esta uma enorme metáfora tangível do caráter argentino –  tem um Museu dedicado a Divida Externa. Tudo bem que durante o desfile do Bicentenário da Revolução de Mayo, no meio de toda história da epopéia do cruzamento dos Andes ao Peronismo, veio uma alegoria representando a desvalorização do peso. Mas, um Museu da Divina Externa Argentina é a prova cabal da hipérbole emocional argentina.

 

El Museo de La Deuda externa argentina funciona, desde 2005, na Faculdade de Ciencias Economicas da Universidade de Buenos Aires, na Rua Uriburu 763. São quatro salas localizadas no subsolo do edifício contando cronologicamente o endividamento da Republica Argentina. Entre os destaques estão uma estatua de São Caetano, padtrono do trabalho e representando o desemprego, a sala temática dedicada inteiramente ao Fundo Monetário Internacional  (FMI), os recortes de imprensa da era Menem ( Mendéz, Gabriela!)e os quadrinhos sobre o tema criados por um grupo multidisciplinares da faculdade.  Ao todo, são mais de 1.2 mil documentos e objetos sobre o assunto.

Detalhe: a era Mendéz!

Em 1985, Marta Minujín , artista transloucada  argentina, pagou o equivalente da divida externa argentina  em milho para a Andy Warhol ( no comments). Infelizmente, o sistema financeiro internacional não considerou a questão solucionada. Atualmente a divida argentina ronda os 150 bilhões de dólares, cerca de 60% de seu PIB. Em 2001, esta divida representava 150% do seu PIB.

É, podia ser pior! Eu devo confessar que a banana ao FMI despertou em mim certa admiração pelos hermanos. Mas, vivendo aqui, tive que repensar meus conceitos diante da ressaca econômica que viveu o país por conta de suas decisões econômicas. O museu abre de 12hrs as 20hrs, de terça a sábado.Vou levar meu milho.

¿Gardel quien sois?

24 jun

 

Gardel: frances de nascimento, porteño de alma

Estou habituada a passar pela foto de Carlos Gardel e lhe fazer silenciosa reverencia. Sempre que vejo sua imagem pendurada em uma parrilla em San Telmo ou nas bancas da Plaza de Mayo me pergunto quem foi Gardel. E, tirando as obvias diferencias e relevância, me acostumei a identificar-me um pouco com ele. Esse estrangeiro tão adaptado . Já falei sobre isso aqui. Gardel nasceu em Toulouse, na França. Foi cuspido junto a sua mãe solteira de um navio português no bairro de Boca. Mas, era porteño em sua alma. E sempre que perguntado sobre sua nacionalidade dizia: “Nasci em Buenos Aires aos dois anos e meio de idade”.  E, hoje, fazem exatos 75 anos de sua morte em um trágico acidente aéreo em Medellín.

Se me perguntarem hoje o verdadeiro motivo da minha vinda para a Argentina serei obrigada a contar a verdade. Vim porque havia parado de aprender onde estava. Sentia a falta intangível das coisas que não sabia como a fisgada que sentem aqueles que perderam um membro. Por isso, quando descubro algo novo é como se recuperasse este membro amputado. Sempre quis saber mais sobre Gardel. E todas as vezes que vejo aquela sua clássica foto de chapéu meio aprumado, olhos vivos e pele afeitada me lembro um pouco de Elvis e os cílios animados que tinha antes de descender lentamente o caminho de sua imagem.

Minha saudaçao silenciosa...

Hoje, pela manhã, no café da Universidade, ia passando com meu “cortado” e quase me escapa a capa do Clarín com uma aquarela do moço e o título “Um ídolo sin tiempo”.  Estou acostumada a sua onipresença como ao cheiro de churrasco que percorre as curvas das ruas porteñas em uma singela passeata de aromas. É tanto para aprender que Charles Romuald Gardes, ou Carlos Gardel, El Morocho de Abasto, havia escapado de minhas leituras. Por isso, mal posso esconder minha felicidade ao ler o artigo de hoje do jornal. Se você não vai a Gardel, Gardel vai a você.

Assim descobri que como eu e Maradona, El Morocho também travava uma luta silenciosa contra a balança. Era filho de Berthe Gardes Camarès, tenaz jovem de vinte e sete anos que desembarcou nesta terra no começo do século passado trazendo nada mais nada menos que um dos pais do tango cantado. Ironia do destino para quem, coincidentemente, não gozava de uma figura paterna. Doña Berta , como era conhecida, levava a vida como muitas imigrantes francesas passando roupa para fora em Abasto que naquela época era subúrbio da capital e hoje é uma das veias nervosas e coronarianas da cidade.

 

Gardel e Le Pera: parceria Brasileira

Gardel, como tantos outros ícones da historia humana, vivia boemiamente de café em café, de paixão a paixão.  Dizem que seu pai poderia ter sido um engenheiro burguês de nome Paul Lasserre, ou um monge primo de sua mãe ou mesmo o coronel uruguaio coronel Carlos Escayola, mas a verdade é que sabemos apenas o que gerou Gardel, mas não como foi gerado. De Bordel em bordel, de bar em bar, el francesito ia construindo sua fama. Eu não sabia, no entanto, que nessa estória havia um dedo brasileiro. Com Alfredo Le Pera que Carlito é catapultado a fama. O Brasileiro de nascimento, paulista, Le Pera, porteño de criação, foi um de seus principais parceiros artísticos e também autor de alguns dos melhores e mais emocionantes tangos da história deste país.

 

Tamanha é a parceria, a título de ilustração, que os dois morrem juntos nos trágicos eventos de 75 anos atrás na Colômbia quando o avião que saia de Cali com destino a Bogotá jamais alcança seu destino. Algumas pérolas de Le Pera demonstram claramente este “match made in heaven” : “veinte años no es nada”, “siempre se vuelve al primer amor”, “la verguenza de haber sido y el dolor de ya no ser”. Quando escuto parece que o chão no qual estão dançando o tango é meu coração. Segundo a matéria do Clarín  tamanha é a persona deixada por Gardel depois de sua partida naquela segunda-feira 24 de junho que até hoje quando alguém se sobressai na Argentina eles dizem: “éste sí que es Gardel”. Gardel tinha 44 anos quando cantou seu último tango.

Túmulo de Gardel em Chacaritas. Deixem-lhe um cigarro ele vai gostar

 Dizem que após do choque do trimotor que o levava com outro avião, que vitimou outras dezesseis pessoas, ao saber da notícia, muitas mulheres porteñas cometeram suicídio.  Muitas lendas surgiram após sua morte. Dizem que deformado por suas cicatrizes, vaidoso como era, seguia vivo em ostracismo, mas que era possível vê-lo cantando solitário pelas ruas da capital.

Hoje, é possível visitar o Museo Carlos Gardel, na casa que foi seu refugio comprada por o equivalente na época a 25 mil reais para su mamá na Rua Jean Jaures, em Abasto. Desde 1936, seu corpo está no cemitério de Chacarita, onde saudosos e turistas costumam deixar-lhe um cigarro acesso. Eu ainda não fui, prefiro encontrá-lo em uma madrugada fria pelas ruas da antiga cidade, deformado como o fantasma da ópera, cantando “El dia que me queiras”.

Para ler a matéria completa do jornal o Clárin clique aqui!

Três Tangos e um Funeral

24 jun

Uma casa para o espiríto

Nem me lembro exatamente em que contexto fomos parar lá. Meus amigos falavam deste lugar, eu queria mesmo é ter ficado no jazz do Ladran Sancho, onde um baterista cotó fazia com meio braço o que eu jamais seria capaz de fazer com meus dois membros inteiros. Saímos no auge da Jam session, fui de má vontade. Quando chegamos, olhei para a porta sem características marcantes de Sarmiento 4006 e continuei com má vontade. Subi a velha escada de ferro e amaldiçoei minha sorte. Nessa noite, não pagamos os dez pesos da entrada. Jorgelina , professora de tango da casa, e hoje minha amiga, veio nos liberar na porta. Fui devagarzinho pelo tapume e tive certeza de abrir uma cortina. Mas, essa cortina, conforme comprovei inúmeras vezes posteriores, nunca existiu.

 

Um lugarzinho como nenhum outro no mundo

A Catedral do Tango fica num velho galpão de construção original de 1880, no coração do bairro de Almagro. Já foi uma leiteria, silo de soja, açougue e finalmente o que é hoje: um dos melhores lugares de tango e chacarera da cidade, segredo bem guardado, mistura de underground com ponto turístico.

Com teto de 12 metros de altura, chão de madeira antiga, meia luz avermelhada, salão generoso,  decoração impressionante, a Catedral do Tango parece o filho hibrido de Almodóvar, Fellini e Kubrick. Contam que o enorme quadro de Gardel  (praticamente um outdoor) durante os tempos de gripe, ganhou uma enorme máscara também. Metáfora bem representativa do que é o lugar. Um templo que trata como religião o tango.

 

Quarta- feira passada na Catedral:Buenos Aires é uma cidade de músicos ( foto by Jacó)

Desde dezembro freqüento quando posso os tangos da terça-feira. Para mim, o melhor dia. Não há muito que falar senão que um item importantíssimo da decoração é um enorme coração humano, do tamanho de um carro popular, pendurado no teto. Sabe-se lá porque a cozinha é vegetariana e a carta de vinhos não é lá grandes coisas. Mas, a música e paixão são  de primeiríssima.  Tem noites que chego mais cedo e fico observando a aula de tango, noutras vou depois da meia noite, trato de me encher de fernet com coca e estar bem altinha quando chega a banda de sopros com os três tangos de Gardel.  Passo muito tempo também na área de fumantes, nas cocheiras do lugar, de olho na cozinha  e nos músicos que fazem rodinhas paralelas. Buenos Aires é, sobretudo, uma cidade de músicos

 

Uma casa para o espirito...

Eles estão por todas as partes com seus violões e acordeons, suas vozes tristes em semblantes jovens, seu tango de mochila, seu rock de Fito Paez. Impossível não escutar as vozes da cidade que, em noites de lua cheia, latem mais que os cachorros. No entanto, se não escrevi antes sobre a Catedral foi por ciúmes. Estou como Borges desenvolvendo um enorme sentimento de possessão por Buenos Aires. Ela é minha e eu sou dela e, como toda paixão escorpiana, não quero que seja de mais ninguém.

Fidelio!

Mas não é isso que vem acontecendo. Tenho sido impelida a compartir minha Buenos Aires com aqueles que vêm me ver, aqueles que querem vir me ver e aqueles que querem ver Buenos Aires como a vejo. Eu sou obrigada abrir mão do meu egoísmo e compartilhar sob pena de me tornar uma avarenta de alma, uma tacanha de espírito. Às vezes, estou na Catedral e me sinto numa festinha da família Adams, noutras numa cena de Amacord, um filme do Pasolini, num tango de Piazzola, perdida e subversiva como na obra de Bertolucci.

 Tem dias que, acompanhados por músicos insistentes e borrachos, ficamos até o sol varar as altíssimas janelas do salão e quando saímos para a rua descobrimos que realmente a Catedral reside numa galáxia paralela, três buracos negros distantes do resto do mundo. Noutros dias acho que vão me pedir uma senha para entrar, como no filme Olhos Bem fechados do Kubrick. Fidelio, fidelio, fidelio!!!!!!

 

 

Ah, e os três tangos são Volver, Por Una Cabeza e Cambalache. E o funeral é do meu fígado, com ritos fúnebres realizados esta manhã e que ontem a noite foi flambado em Fernet. E para saber mais sobre a Catedral do Tango clique aqui!!! A aula do século é de Jorgelina Contreras, entidade do tango, milonga e folclore encarnada. Confira a grade horários no site e use com parcimônia.

Manual de Sobrevivência de um brasileiro durante a Copa na Argentina

19 jun

 

Sabe Romeu e Julieta? Meu amor impossivel pela Argentina em tempos de Mundial!

Vira e mexe alguém me pergunta como é ser brasileiro durante a Copa do Mundo na Argentina. Eu só consigo me lembrar de uma expressão que dizia um chefe meu toda vez que acontecia algo muito grave, mas ela é imprópria para este blog. Ontem, meu editor do site www.traducirargentina.com.ar, Mariano Gárcia, me perguntou: “Como é a vida de inimiga infiltrada?” Meu bem, eu sou a Mata Hari do futebol!

É incrível como, de repente, essa coisa de ser brasileira em um país estrangeiro ficou tão evidente.  Eu sempre fui do mundo e nunca me senti de lugar nenhum. Sempre soube que meu negócio era correr perigo por aí. E, na Argentina, descobri que todos os clichês sobre eles eram falsos e injustos. Se eu não disse antes, o que eu du-vi-do que fique claro aqui: eu amo a Argentina; como num tango de Gardel, com todo o drama, paixão e glória. Amo os argentinos, são um dos melhores povos que já conheci.

Bloggeira infiltrada com outros Brazucas em Colegiales!

 Mas, de repente virei inimiga infiltrada. Como assim Mariano? Eu sou a melhor coisa que já aconteceu para as relações Brasil – Argentina desde o fim da Guerra do Paraguai. Deveria receber titulo Honoris Causa por serviços prestados ao estreitamento de relações entre as duas nações. Fui ao Bicentenário, comemoração dos duzentos anos da Revolução de Maio, ouvi o hino Argentino duzentas vezes, cantei até o refrão, por que, vamos combinar, “libertad, libertad, libertad” é lindo. Vibrei com os hermanos, admirei-os, aplaudi o desempenho da festa no blog, jurei e amor eterno e a porra. O Lula outro dia foi a ONU dizer que as Malvinas são Argentinas. Mas, prefiro torcer pela Bósnia antes de torcer pela seleção argentina.

Cena de una terraza en el Barrio de Colegiales

Admito que possa ser vítima de uma lavagem cerebral da sociedade, mas esta fronteira eu não cruzo. Mas vamos aos basics, como sobreviver a uma Copa do Mundo na Argentina? Bom, eu ainda não sei. O que eu sei é que não será no bar brasileiro em Buenos Aires, Maluco Beleza.  Depois do jogo de terça, a TV local ficou passando um monte de bundas balançando e brasileiros bêbados que fizeram com que a gente se encolhesse no sofá e tapasse os olhos de vergonha. Não é que eu não acredite em bundas e bêbados.

Mas, não estava bonito, você me entende? Também não estou criticando os brasileiros que estavam lá. Mas, ficou feio. E o cinegrafista não ajudou cortando as cabeças dos presentes para se focar em outras regiões menos eloqüentes. E que custava para os moçoilos manterem as camisas quando a câmera estava filmando? Acho que as câmeras tinham que ficar de fora da próxima vez.

Manter a amizade na guerra é possível, graças a la buena gente del sur!

Eu não assisto aos jogos da Argentina. Adoro o Maradona, o acho uma das melhores personalidades locais. Torço por seu sucesso – mas que fique claro que não irei ver sua corrida pelado no Obelisco como ele prometeu se a argentina ganhar. Tenho baixa tolerância para cenas fortes.  Até agora, temos visto os jogos da seleção na casa de um amigo. Juntamos-nos como a resistência silenciosa e subversiva no bairro de Colegiales para torcer, roer unha e gritar pelo Brasil. Tocamos pandeiro, sopramos corneta, batucamos na mesa e tomamos Quilmes!!!!!!!!!Depois, voltamos no metrô com cara de “chupa essa manga , Argentina”. Eu sei que isso não é legal, but I can’t help it!

Vamos combinar? é possível. O negócio é manter o espiríto esportivo!

Sinto uma falta danada dos fogos, do buzinaço, do carnaval nas ruas. E me sinto num pesadelo daltônico quando vejo as ruas pintadas de azul celeste e branco e não de verde amarelo como estava acostumada a ver.  E tenho uma reclamação formal: Claro, pare de me mandar mensagens de torcida pela seleção Argentina. Eu sou o inimigo! Vou quebrar este celular e mudar para Movi Star!

 Na verdade, não acho imprescindível que o Brasil ganhe esta Copa. Nossa seleção precisa triunfar sem desculpas em solo brasileiro no próximo Mundial. E vamos combinar? Está ficando chato para os outros países. Argentina e tal gosta de futebol. Mas, vamos aos números. Até agora, só ganhou duas copas do mundo ( 1978 e 1986).  Porque eu tenho que ficar lembrando meus amigos argentinos, que inundam minha caixa de e-mail nos intervalos dos jogos com provocações, disso?

Uma torcida multicultural

Se o Brasil acabar jogando com a Argentina, tenho um plano de fuga preparado. Corro para a fronteira. Nem que eu vá assistir a esse jogo em Uruguaiana! Levo comigo um bom bife de chorizo e uma Quilmes. Aliás, meu sonho sempre foi pegar um pedaço de carne argentino e assá-lo a la brasileira do outro lado da fronteira. Um dia eu explico o porquê. Então, para não ameaçar a supremacia Brazuca, nem passar meus próximos anos aqui escutando provocação, eu to torcendo mesmo para Gana, Eslováquia, Argélia ou Paraguai. Fuerzaaa Eslováquia!!!!!!!!!!Mas, se o Brasil ganhar vou comemorar com Fernet e Coca. Lo siento…

No escurinho com Basquiat e Liniers

19 jun

Sou igual ao Pequeno Príncipe, se vejo um adulto vou logo pedindo: “Me desenho um carneiro?”. E estava ficando doente de vontade de ver o documentário sobre o Liniers. Mas, hei de confessar que se não fosse um amigo me arrastando, ficaria mais um dia na ignorância. Infelizmente, o documentário não está em muitos cinemas. E, o cinema mais conveniente para a gente ficava uma longa viagem de metrô, com baldeação, daqui, em Constituición. O equivalente á Central do Brasil de Buenos Aires. Longa talvez graças a minha ressaca, gripe e desanimo com a vida no dia de ontem.  

Chegamos uns dez minutinhos atrasados, eu e minha ressaca afundamos na poltrona. Quase não percebi que, além de nós dois, havia apenas mais três pessoas sentadas no fundo do cinema.  O filme, como Liniers, é uma gracinha. Os esforços da cineasta, que interage o tempo todo com o desenhista, Franca González, são mais que louváveis. São heróicos. Diante da resistência e timidez do protagonista ela é obrigada a tirá-lo com as próprias mãos das sombras.

Às vezes, ele demonstra relutância. Em outras instancias, ele parece envaidecido e a vontade frente às câmeras.

Alguém nao prestou atençao na aula hoje...

Admito que assisti o documentário com o cérebro recentemente flambado em Fernet con Coca, corpo em estado de convocatória para uma greve geral e pensamentos que vez e outra saiam da sala de cinema. Mas, sem grandes pretensões intelectuais, o documentário é tudo que imaginava e muito mais. Uma hora e meia de Liniers, seu mundo encantado, sua produção intensa, sua frenesi colorida é tudo que eu precisava.

A Bloggeira: eu sei que o nome disso é groupie!

Eu e minha vontade de ser Peggy Guggenheim nos imaginamos várias vezes assaltando o apartamento de Liniers e roubando suas “Cartas” aos amigos, livrinhos ilustrados que acabam de se tornar minha nova obsessão de mecenas. Não vou mentir, tenho uma paixonite por Liniers. Adoro gente esquisitinha. Gente que não se encaixa, que não está aqui, tem um pé em qualquer lugar que não este.

Me lembrou Basquiat!

Lembrou-me um pouco de Basquiat.  E da primeira vez que vi uma exposição dele em Nova York. A obra daquele negro, metade haitiano metade porto riquenho, tirava meu sono. Foi um dos primeiros grandes grafiteiros deste Rincón do mundo. Aquela coisa de viver de poesia, tinta e rua ainda me toca em lugares múltiplos de alma.

Nunca entendi como se juntou com gentinha como AndyWarhol, quem sempre achei uma bicha chata. Pronto falei. Morreu de overdose em 1988. Aposto que aquela gazela pop tem um dedo nisso!

Aposto que aquela bicha pop tem um dedo nisso!

Quando o filme terminou, e eu ainda preguiçava com sofreguidão para sair daquela enorme poltrona de veludo, vi a cara do meu amigo retorcer-se de vergonha e surpresa. Achei que estava “saludando” as outras três pessoas que bravamente haviam ido a Constituición numa quinta-feira à tarde para ver Liniers. Quando me dei conta que era a própria diretora, Franca González, engoli uma melancia em espanhol e travei a garganta. Como todos os anos estudados e falados de castelhano desapareceram, mal pude balbuciar o quanto gostamos da “película” dando aquela de mono brasileño, um mal que nos ataca quando estamos muito bêbados ou desprevenidos. Coisa que não acontece com os argentinos que, segundo um amigo porteño, acham que falam português quando estão borrachos.

Liniers es fueda!

Então, na ausência de desenvoltura na tarde de ontem, deixo aqui meu elogio. “Gracias Franca, por su fascinación por el dibujante Liniers, nos gustó muchísimo. La peli estaba bárbara, genial. Y, cuando puedas, dame las direcciones del Macanudo para que pueda contratarme unos chorros para róbale algunas pinturas. ¡Soy muy mala!”

Para ver Liniers:

Espacio Incaa KM 3 – Artecinema.  Calle Salta 1620. 

Martes a Viernes a las 17.00hs; Sabados y Domingos a las 17.30hs.

Espacio Incaa KM 2 – La Máscara. Calle Piedras 736. 

Todos los lunes a las 18hs.

Buenos Aires: O momento Decisivo

19 jun
 

Pérola do Barrio Chino

Toda vez que alguém vem me visitar do Brasil e vai embora eu dou graças adeus que não sou eu. Vejo as pessoas com aquele olhar de despedida, com um sentimento novo de amor pela cidade, deixando suas “férias inesquecíveis” e, claro, me deixando com saudade.

Tribunales, meu quintal. Quem assistiu o Secredo de Seus Olhos? Esse é o cenário!

 Mas, para ser sincera, fico aliviada de não ter que ir. Vamos lá, me explico.  Depois não cheguem depois  aquelas acusações de anti-patriotismo que me deixam de coração partido. Eu sou a maior promotora de cultura verde e amarela por aqui.

Pizzaria El Cuartito na rua Tacalhuano, un dos meus cantinhos preferidos.

 Faço festa junina, mostro música brazuca pros hermanos, dou festas com pandeiro e tamborim, empresto livros brasileiros, torço pro Brasil na Copa do Mundo, defendo com unhas e dentes meu país, me arrepio quando sabem cantar Caetano…

Por do sol em Puerto Madero

Mas, pelo menos por enquanto, aqui é minha casa. Buenos Aires é o lugar cujas portas para mim se abrem de par em par. Meu pai veio me ver, e diante da minha declaração etílica de que “ou Buenos Aires acaba comigo ou eu acabo com ela” declarou que daria empate técnico

Eu diria Fernet y Fiesta, mas gosto é gosto!

E no meu empate, vou amando cada vez mais essa cidade que me recebeu de braços, pernas, tronco, dedos, cabeça, pescoço abertos.  Eu que sempre fui feliz (não há nada que me tire este privilégio) aqui descobri que era possível não só ser feliz, mas como também de verdade. Ser aquilo que se é quando todo o resto se esvai de identidade.

E nesses dias de paixão, encanto, maravilhamento e outono eu ganhei mais um auxilio luxuoso para demonstrar meu amor pela cidade: uma máquina fotográfica.

Não é nenhuma Canon com aquelas lentes que parecem lunetas, mas é minha própria máquina do tempo. EuAté agora eu dependia da generosidade de anônimos e conhecidos já que minhas finanças estudantis não me permitiam a extravagância fotográfica.

Breakfast of the champions!

 também não sou nenhum Cartier Bresson. Mas, tenho a meu favor a cidade.

  Estou particularmente feliz por poder fotografar os grafites e estênceis de que tanto falo e também partes cotidianas da minha vida que demonstram tão bem minha “conexão” com Buenos Aires.  

Pequena Spanish Villa, escondinha no Barrio Chines, toda vez que a vejo meu corazao bate no compasso...

Espero que Sebastião Salgado perdoe esta alma amadora e que minha “camara obscura” possa mostrar um pouco melhor o que eu precariamente venho tentando fazer com palavras.

Desfolhando com o outono

Morrendo de Amor, como Portinari, em Buenos Aires

18 jun

Meu amigo, anjo, ator, cantor e dono da risada mais gostosa de todo baixo Buenos Aires, Artur Cavalcante, levou a cabo uma missão poética nestes intensos dias de outono em Buenos Aires. Ele ajudou um projeto de coletivo de poetas em Brasília a publicar um poema no jornal Clarín, periódico de grande circulaçao argentino. Buenos Aires, que já é cheia de intervenções de amor, ganhou uma pincelada brasileira no dia de hoje.

– Si Portinari murió intoxicado por tinta, luego tengo el derecho de morir de amor.

Trata-se do projeto #Versificados, uma idéia que vem ganhando espaço nos Classificados de jornais de inúmeras cidades brasileiras e outros países, contando com a colaboração de vários poetas brasileiros anônimos e conhecidos .  A idéia é do poeta brasiliense Antônio Araújo Júnior que posta os anúncios no seu blog. Confira aqui.

O poema de hoje é de Marina Mara. Leia Marina aqui.

 O poema faz parte do livro lançado recentemente sobre o título de Sarau Sanitário.com

– Si Portinari murió intoxicado por tinta, luego tengo el derecho de morir de amor. 

Muy pertinente!

Deliciem-se !