Arquivo | junho, 2010

No escurinho com Basquiat e Liniers

19 jun

Sou igual ao Pequeno Príncipe, se vejo um adulto vou logo pedindo: “Me desenho um carneiro?”. E estava ficando doente de vontade de ver o documentário sobre o Liniers. Mas, hei de confessar que se não fosse um amigo me arrastando, ficaria mais um dia na ignorância. Infelizmente, o documentário não está em muitos cinemas. E, o cinema mais conveniente para a gente ficava uma longa viagem de metrô, com baldeação, daqui, em Constituición. O equivalente á Central do Brasil de Buenos Aires. Longa talvez graças a minha ressaca, gripe e desanimo com a vida no dia de ontem.  

Chegamos uns dez minutinhos atrasados, eu e minha ressaca afundamos na poltrona. Quase não percebi que, além de nós dois, havia apenas mais três pessoas sentadas no fundo do cinema.  O filme, como Liniers, é uma gracinha. Os esforços da cineasta, que interage o tempo todo com o desenhista, Franca González, são mais que louváveis. São heróicos. Diante da resistência e timidez do protagonista ela é obrigada a tirá-lo com as próprias mãos das sombras.

Às vezes, ele demonstra relutância. Em outras instancias, ele parece envaidecido e a vontade frente às câmeras.

Alguém nao prestou atençao na aula hoje...

Admito que assisti o documentário com o cérebro recentemente flambado em Fernet con Coca, corpo em estado de convocatória para uma greve geral e pensamentos que vez e outra saiam da sala de cinema. Mas, sem grandes pretensões intelectuais, o documentário é tudo que imaginava e muito mais. Uma hora e meia de Liniers, seu mundo encantado, sua produção intensa, sua frenesi colorida é tudo que eu precisava.

A Bloggeira: eu sei que o nome disso é groupie!

Eu e minha vontade de ser Peggy Guggenheim nos imaginamos várias vezes assaltando o apartamento de Liniers e roubando suas “Cartas” aos amigos, livrinhos ilustrados que acabam de se tornar minha nova obsessão de mecenas. Não vou mentir, tenho uma paixonite por Liniers. Adoro gente esquisitinha. Gente que não se encaixa, que não está aqui, tem um pé em qualquer lugar que não este.

Me lembrou Basquiat!

Lembrou-me um pouco de Basquiat.  E da primeira vez que vi uma exposição dele em Nova York. A obra daquele negro, metade haitiano metade porto riquenho, tirava meu sono. Foi um dos primeiros grandes grafiteiros deste Rincón do mundo. Aquela coisa de viver de poesia, tinta e rua ainda me toca em lugares múltiplos de alma.

Nunca entendi como se juntou com gentinha como AndyWarhol, quem sempre achei uma bicha chata. Pronto falei. Morreu de overdose em 1988. Aposto que aquela gazela pop tem um dedo nisso!

Aposto que aquela bicha pop tem um dedo nisso!

Quando o filme terminou, e eu ainda preguiçava com sofreguidão para sair daquela enorme poltrona de veludo, vi a cara do meu amigo retorcer-se de vergonha e surpresa. Achei que estava “saludando” as outras três pessoas que bravamente haviam ido a Constituición numa quinta-feira à tarde para ver Liniers. Quando me dei conta que era a própria diretora, Franca González, engoli uma melancia em espanhol e travei a garganta. Como todos os anos estudados e falados de castelhano desapareceram, mal pude balbuciar o quanto gostamos da “película” dando aquela de mono brasileño, um mal que nos ataca quando estamos muito bêbados ou desprevenidos. Coisa que não acontece com os argentinos que, segundo um amigo porteño, acham que falam português quando estão borrachos.

Liniers es fueda!

Então, na ausência de desenvoltura na tarde de ontem, deixo aqui meu elogio. “Gracias Franca, por su fascinación por el dibujante Liniers, nos gustó muchísimo. La peli estaba bárbara, genial. Y, cuando puedas, dame las direcciones del Macanudo para que pueda contratarme unos chorros para róbale algunas pinturas. ¡Soy muy mala!”

Para ver Liniers:

Espacio Incaa KM 3 – Artecinema.  Calle Salta 1620. 

Martes a Viernes a las 17.00hs; Sabados y Domingos a las 17.30hs.

Espacio Incaa KM 2 – La Máscara. Calle Piedras 736. 

Todos los lunes a las 18hs.

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Buenos Aires: O momento Decisivo

19 jun
 

Pérola do Barrio Chino

Toda vez que alguém vem me visitar do Brasil e vai embora eu dou graças adeus que não sou eu. Vejo as pessoas com aquele olhar de despedida, com um sentimento novo de amor pela cidade, deixando suas “férias inesquecíveis” e, claro, me deixando com saudade.

Tribunales, meu quintal. Quem assistiu o Secredo de Seus Olhos? Esse é o cenário!

 Mas, para ser sincera, fico aliviada de não ter que ir. Vamos lá, me explico.  Depois não cheguem depois  aquelas acusações de anti-patriotismo que me deixam de coração partido. Eu sou a maior promotora de cultura verde e amarela por aqui.

Pizzaria El Cuartito na rua Tacalhuano, un dos meus cantinhos preferidos.

 Faço festa junina, mostro música brazuca pros hermanos, dou festas com pandeiro e tamborim, empresto livros brasileiros, torço pro Brasil na Copa do Mundo, defendo com unhas e dentes meu país, me arrepio quando sabem cantar Caetano…

Por do sol em Puerto Madero

Mas, pelo menos por enquanto, aqui é minha casa. Buenos Aires é o lugar cujas portas para mim se abrem de par em par. Meu pai veio me ver, e diante da minha declaração etílica de que “ou Buenos Aires acaba comigo ou eu acabo com ela” declarou que daria empate técnico

Eu diria Fernet y Fiesta, mas gosto é gosto!

E no meu empate, vou amando cada vez mais essa cidade que me recebeu de braços, pernas, tronco, dedos, cabeça, pescoço abertos.  Eu que sempre fui feliz (não há nada que me tire este privilégio) aqui descobri que era possível não só ser feliz, mas como também de verdade. Ser aquilo que se é quando todo o resto se esvai de identidade.

E nesses dias de paixão, encanto, maravilhamento e outono eu ganhei mais um auxilio luxuoso para demonstrar meu amor pela cidade: uma máquina fotográfica.

Não é nenhuma Canon com aquelas lentes que parecem lunetas, mas é minha própria máquina do tempo. EuAté agora eu dependia da generosidade de anônimos e conhecidos já que minhas finanças estudantis não me permitiam a extravagância fotográfica.

Breakfast of the champions!

 também não sou nenhum Cartier Bresson. Mas, tenho a meu favor a cidade.

  Estou particularmente feliz por poder fotografar os grafites e estênceis de que tanto falo e também partes cotidianas da minha vida que demonstram tão bem minha “conexão” com Buenos Aires.  

Pequena Spanish Villa, escondinha no Barrio Chines, toda vez que a vejo meu corazao bate no compasso...

Espero que Sebastião Salgado perdoe esta alma amadora e que minha “camara obscura” possa mostrar um pouco melhor o que eu precariamente venho tentando fazer com palavras.

Desfolhando com o outono

Morrendo de Amor, como Portinari, em Buenos Aires

18 jun

Meu amigo, anjo, ator, cantor e dono da risada mais gostosa de todo baixo Buenos Aires, Artur Cavalcante, levou a cabo uma missão poética nestes intensos dias de outono em Buenos Aires. Ele ajudou um projeto de coletivo de poetas em Brasília a publicar um poema no jornal Clarín, periódico de grande circulaçao argentino. Buenos Aires, que já é cheia de intervenções de amor, ganhou uma pincelada brasileira no dia de hoje.

– Si Portinari murió intoxicado por tinta, luego tengo el derecho de morir de amor.

Trata-se do projeto #Versificados, uma idéia que vem ganhando espaço nos Classificados de jornais de inúmeras cidades brasileiras e outros países, contando com a colaboração de vários poetas brasileiros anônimos e conhecidos .  A idéia é do poeta brasiliense Antônio Araújo Júnior que posta os anúncios no seu blog. Confira aqui.

O poema de hoje é de Marina Mara. Leia Marina aqui.

 O poema faz parte do livro lançado recentemente sobre o título de Sarau Sanitário.com

– Si Portinari murió intoxicado por tinta, luego tengo el derecho de morir de amor. 

Muy pertinente!

Deliciem-se !

Traduzindo Argentina

11 jun

Um olhar global sobre os assuntos locais. Este é a proposta do site Traducir Argentina, espaço em que acabo de me tornar staff contribuindo com artigos, matérias e notas. O conceito é simples: decodificar este país louco, cheio de contradições e dilemas existenciais que é a Argentina por meio de uma lupa multicultural de quem, pela a primeira vez, emerge na cultura desse extremo sul do mundo. O projeto é do jornalista e professor universitário de comunicação argentino Mariano Garcia e traz como staff, olha que cousa, nada mais nada menos que muá, que além de arroz de festa na Argentina, sou bloggeira, estudante, freelancer e agora reportera!!!!Acabo de encurtar drasticamente meus horários de sono, tudo bem, oito horas é mesmo uma utopia no mundo moderno.

Traduzindo Argentina, uma proposta inovadora. Jornalismo sério sem perder o riso fácil!

A equipe, de diversas partes do mundo,  compartilha suas visões sobre os fatos da realidade local (sociedade, política nacional e internacional, cultura, economia, entretenimento e interesses gerais) de uma maneira direta, divertida e informal.  O projeto é a expansão do programa de rádio “Traduzindo Argentina”, que durante todo o ano de 2009 foi transmitido pela radio Palermo. Agora, com o jornalismo digital, nós ajustamos para expandir as fronteiras de análise e debatermos os assuntos do cotidiano argentino de forma informativa com o auxilio luxuoso da vivencia internacional da equipe.

E este timaço conta com profissionais de economia, jornalismo, relações internacionais, literatura e cultura e tem como única linha editorial a variedade e liberdade de pensamento. Ah, e tem mais, marca minha estréia como escritora em espanhol! Confiram, divulguem, espalhem essa palavra!o palabra….

Para esta tradução da Argentina clique AQUIIIII!!!!!!!!

Para um link direto a minha matéria clique ACÁAAA!

10 Razoes para Amaaaaaaaar a Argentina: Ricardo Fort outra vez

9 jun

Fort no fundo do poço

 

Pobrezinho!é inveja Fort, inveja do seu sucesso!

Aguantaaa Fort!

 Desculpem-me caros leitores, eu deveria me dedicar a quarta razão para amar a Argentina. Falar dos encantos desse belo país, outro personagem onírico (como a Suzana Gimenez, virá!!!), algum novo programa de TV que me faz rir até quase cair do segundo andar do loft, de alguma mania argentina de tirar do sério ou da última do Maradona. Mas, Dieguito não bateu em nenhum jornalista em Pretória ainda, não apareceu cheirado ainda, não foi mordido por outro Sharpei  e enfaixado  por Fidel, e eu não consigo parar de acompanhar as ultimas do Fort. Estou viciada em Fort!

Eu não sou culpada! Sou fruto da mala programação da TV argentina que de cada três canais dois exibem algo sobre El Fenômeno Fort! Fui manipulada pela indústria cultural de massa e agora só com “rehab” para me livrar do péssimo habito adquirido de ficar pendurada nesse chiclete para os olhos que é a “tele basura” argentina. Eu sei que sou uma moça culta, lida e viajada, com nível de mestrado, mas confesso que troquei meu Ricardo Piglia por outro Ricardo!

Nao basta ser rico, tem que ter berço

Para quem não acompanhava este blog (shame on you!) eu explico: Ricardo Fort é o herdeiro da fábrica de guloseimas Feltfort. Riquíssimo, jura que é hetero que nem Ricky Martin jurava, parece o cruzamento de Bob, o namorado da Barbie , Clóvis Bornay ( Gala Gay) e Johnny Bravo resultando na mutação genética mais estranha desde daquele filme de sessão da Tarde, A Mosca.

Bota o dedo aqui quem pre-ci-sa saber onde compra esse rimel!

Vive nos realities shows de bafóm em bafóm, proclamando seu grande amor pela literatura (e por literatura entende-se o Segredo I, II e III), e ainda por cima é juiz do pior programa de “Dança de Famosos” daqui, um misto de Broadway encontra Gaiola das Loucas na Cracolandia, com a decadência de showzinho de boate de puta em Copacabana e o figurino do Mad Max, pero em colores!

 

Na Argentina, mais na moda que o Brasil, o jogador Messi,  a camisa flanelada, o Bicentenário, os restaurantes peruanos na capital e o filme o Segredo de seus olhos, está achincalhar Fort.

 Nas últimas semanas, sua astróloga foi a televisão xingá-lo,  a atriz principal de seu musical na Corrientes rechaçou suas investidas amorosas em frente das câmaras, seu produtor foi achado morto ( e a televisão argentina culpa Fort pela depressão que atravessava o

Macho que é macho beija homem de lingua!

 defunto), seu advogado de iami foi a telinha dizer que Fort lhe devia milhões, fotos dele beijando outros chicos inundaram a internet e,na mala tele, um dos concorrentes do show no qual é jurado fez um tour nos canais acabando com a figura do herdeiro.  

E ontem teve Fort sua proposta de casamento a ex namorada, Virginia Gallardo, recusada em rede nacional. Nas semanas anteriores ele já havia sido rechaçado por Violeta Lo Re ( que aparece indignada nos bastidores do show no vídeo abaixo), Silvina Escudero y Jésica Cirio. Uma das explicações de Virginia para a negativa é exatamente a tentativa de união com outras mulheres na semana anterior.

Casal modelo, literalemente!

A explicação de Fort é contundente, nem vale à pena traduzir para não perdermos nada na retórica. ““Violeta es pasado. Lo que pasó la semana pasada pasó la semana pasada. Llega un momento en la vida en la que uno se da cuenta lo que hizo mal. Ese punto llegó y no quiero seguir haciendo mal las cosas”. Afinal, uma semana é muito tempo, não é mesmo?

Assista um pedacinho aqui:

Traduçao: Fort pede Virginia em casamento, apresentador sai chocado, Fort contesta a versão da moça que diz estar surpresa com a proposta, Fort sai chorando para fumar um cigarro, aparecem uns negoes sul africanos ninguém entende bem porque, Fort explica sua indignação.  

No fim a moça chora, o galã volta e tudo termina em abraço e semi valsinha ao som de um R&B romântico. Eu adoro o amor na era do Big Brother. Assim ó tão fácil, tão rápido…

Nenhum golpe de publicidade, tudo é tão sincero.

Esse é curtinho ( curtam a suspirada final do moço)

Buenos Aires Ink

7 jun

Arte na rua

Quando visitar Buenos Aires não deixe de ir aos Museus. A cidade tem um excelente de acervo de arte do passado ao moderno. Mas, se quiser mesmo saber o que acontece neste século, mantenha os olhos abertos pelas ruas da capital.

 

Coletivo Triángulo Dorado, uns dos destaques da cidade

 A cidade está cheia de intervenções urbanas e de nomes que, no olho da rua, emergem da obscuridade para ganhar espaços nas galerias do mundo.

Grafites abundam na capital

Considerada por muitas uma arte insular, marginal e até mesmo excluída da etimologia da palavra, a arte urbana ganha espaço também espaço nos bolsos dos colecionares que se apinham para pagar preços exorbitantes pelas obras do momento como é o caso do grafiteiro Bansky,  que vendeu uma de suas obras por cerca de US$ 244 mil.

Grande mural na estaçao de Carabobo, linha A

O Brasil, à dianteira São Paulo, está na vanguarda do movimento com excelentes nomes despontando no cenário internacional.

Muro pintado pelo artista porteño Jazz

Tomando este gancho, com grandes elogios ao vanguardismo brasileiro, e também da emergente arte na Argentina, o jornal La Nación publicou hoje em sua revista dominical um importante tratado sobre “la arte callejera”, ou arte de rua, na metrópole argentina. O artigo conta a estória da arte que vem transformando a fisionomia da cidade e misturando-se a constituição antiga das paredes, colorindo as fachadas e seduzindo os olhares dos transeuntes.

Arte callejera

O carimbo de Buenos Aires – Nas paredes dos becos, muros e metrô da capital abundam os estênceis,impressões com pequenas mensagens, políticas, humorísticas ou mesmo publicitárias que como um carimbo urbano sobre o concreto colorem os espaços cosmopolitas de Buenos Aires.

Estencil bem humorado

Sorria: a cidade está cheia de estenceis

Entre os grafiteiros, os destaques do artigo vão do colombiano Rodez (cuja obra eu tenho prazer de dizer que está literalmente debaixo da minha janela, na Pasaje Luis Dellapiane), Sego, do México ( cuja a obra eu tenho o prazer de relatar que está de frente a minha janela) aos argentinos Jazz , cenógrafo e muralista, Pum Pum ( argentina aficionada por Clarice Lispector, que tem coisas muito boas, outras que, pessoalmente, são muito Romero Britto para minha pessoa) e o coletivo  Triángulo Dorado, entre inúmeros outros  que por minha ignorância cometo o sacrilégio de não citar.

Grafiteiros dao um "facelift" ao Centro Cultural de Espanha, em San Telmo

Embora, seja impossível apontar os melhores lugares para se ver as inusitadas obras de arte pela cidade, existem alguns murais que já fazem fama na cidade e outros que, são meu xodó pessoal.

Buenos Aires Ink

 Entre as minhas tchuchucas da arte moderna preferidas estão o meu próprio quintal, a Pasaje Luis Dellapiane, entre as ruas Viamonte e Tucumán, o enorme mural na linha A do metro na estação de Carabobo, o muro da rua Castillo, altura 1400, e a o Centro Cultural de España em Buenos Aires ( Balcarce, 1150, San Telmo) , que recentemente recebeu roupagem nova de grafiteiros do mundo inteiro por ocasião do encontro de intervenção urbana intitulado Sin Verguenza.

O carimbo da cidade

Para estênceis não há um ponto de referencia, eles estão por todos os lados, muitos nos metrôs e nas ruas mais descoladas de Palermo Viejo. São eles os responsáveis por arrancar sorrisos inusitados naqueles dias em que a cidade te devora com mil dentes, proporcionando surpresas urbanas para o coração apressado pelo ritmo do concreto.

Detalhe do mural de Carabobo

Para um tour completo do melhor da arte de Rua em Buenos Aires, vale à pena contratar os serviços da Graffittimundo, uma empresa criada por duas inglesas apaixonadas pelo grafite da cidade, que recorrem as ruas de Palermo, Colegiales e Villa Crespo em buscas dos mais impactantes marcos de arte urbana da cidade. O tour custa cerca de R$ 35 reais e inclui os trajetos de taxi e uma cervejinha no final. Clique Aqui!

Pum Pum, buena pero no siempre

O melhor da popularização da arte urbana é evitar que ela se perca, como milhares de murais soterrados por tinta e ignorância que já padeceram nas grandes metrópoles do mundo. Democrática, gratuita, moderna e inesperada a arte urbana em Buenos Aires colore as velhas calles de novas idéias. Abra o olho para o Buenos Aires Ink!

A media Luz…

5 jun

Corrientes tres cuatro ocho,

segundo piso, ascensor;

no hay porteros ni vecinos

adentro, coctel y amor.

Pisito que puso Maple,

piano, estera y velador…

Corrientes 348 é uma placa sobre uma garagem!

Tai uma que pode deixar muito turista brasileiro desconsolado. Corrientes 348 não existe. Na verdade, no tango  “A media Luz”, que imortalizou o endereço, o autor, Carlos Lenzi,  escolhe os números aleatoriamente por mera questão de métrica. Para consolar os milhares de brasileros “desubicados”, e outros turistas “ enamorados” do tango, a associação de amigos da Avenida Corrientes simpaticamente decidiu pintar uma porta no começo da Avenida com a legenda: Corrientes 348 e dar paz aos visitantes perdidos.

Na verdade, “a porta” é  hoje uma garagem subterrânea ao lado de uma tabacaria. Mas não dá da vontade de ir a um lugar como el de la canción? Com chá dançante aos domingos, almofadas e divãs, veludo, um gato de porcelana, piano, coquetéis, amor, tango e tudo a meia luz…

Hay esperanza en muchos cafofos en Buenos Aires…

 

Corrientes tres cuatro ocho,

segundo piso, ascensor;

no hay porteros ni vecinos

adentro, coctel y amor.

Pisito que puso Maple,

piano, estera y velador…

un telefón que contesta,

una fonola que llora

viejos tangos de mi flor,

y un gato de porcelana

pa’ que no maulle al amor.

 

Y todo a media luz,

que es un brujo el amor,

a media luz los besos,

a media luz los dos…

Y todo a media luz,

crepúsculo interior,

que suave terciopelo

la media luz de amor.

 

Juncal doce veinticuatro,

telefonea sin temor;

de tarde, té con masitas,

de noche, tango y amor;

los domingos, té danzante,

los lunes, desolación.

Hay de todo en la casita:

almohadones y divanes

como en botica… coco,

alfombras que no hacen ruido

y mesa puesta al amor…

Y todo a media luz…