Belgrano é uma festa!

7 ago
 

Sweet Belgrano...

Buenos Aires é subaproveitada por turistas. Principalmente por turistas brasileiros. Estão comendo a casca e jogando a banana fora.  Para começar, parecem personagens em um desses programas de televisão onde dão dois minutos aos participantes para colocar no carrinho de supermercado tudo que puderem levar. Acho que no aeroporto já lhes dão um cronometro: “Vocês tem tantas horas, minutos e segundos para comprar tudo que encontrarem no caminho”. Eu sei que o cambio nos é favorável.  Não sou contra a passarem um dia inteiro nos Outlets da Avenida Córdoba satisfazendo os mais primitivos instintos consumistas. Não é minha praia. Mas, como dizem por aqui, “que sé yo”, eu sou apenas uma estudante dura de mestrado que ainda não superou os ideais hippies da década de setenta e prefere mil vezes gastar num bom vinho do que deixar minha pouca plata na loja da Adidas. Cada um com o seu cada um. O capitalismo é selvagem. A economia portenha agradece.

Belgrano e suas alamedas

Porém, não vou deixar de postar aqui minhas humildes sugestões para um turismo um poquito mais off Road, com menos português pelas ruas e mais contato com o dia a dia portenho que a bateçao de perna na Calle Florida que aliás, por mim, podia mudar-se para Miami. Eu tenho uma lista de cinco lugares que “você quer ir e eu não” em Buenos Aires. Coincidentemente, estão no top das listas dos turistas da capital. Acho que o turismo, na medida do possível, tem menos com o consumismo e mais com o experimentar de outras culturas. Na minha lista negra estão: Calle Florida ( para mim é o limbo de turistas que se crêem em Miami), Caminito (é uma cidade cenográfica), Plaza Francia ( é linda, mas eu enjoei) , Café Tortoni ( existem lugares muito mais charmosos onde não se cobra em euros na cidade) e Puerto Madero ( não vejo graça nenhuma em um lugar remodelado, a não ser se for para um belo por do sol).

O lado chines de Buenos Aires...

Por razoes de distancia, eu vinha ignorando o bairro de Belgrano. Não é tão longe assim. No entanto, em uma analogia chula, seria para mim a Barra da Tijuca da capital. Estou exagerando é claro, é a argentinizaçao. Aproveitava as tardes de sábado, no entanto, para comer no Bairro Chines. Como tenho aulas em Victoria, uns quarenta minutos de trem da capital, acabava por voltar pelo bairro Chino e aproveitar para variar um pouco com as comidinhas asiáticas. É um dos meus lugares preferidos na cidade. Na verdade, não passa de um par de ruas, começando no cruzamento das ruas Arribeños e Juramento. Mas, possui uma incrível aglomeração de restaurantes chineses, lugares que venho obstinadamente explorando nos últimos meses.

A Bloggeira, uma visitinha ilustre e o miojo gigante. Tem de tudo no Barrio Chino!

Cheio de lojinhas de penduricalhos, o bairro chinês é uma tchuchuca asiática que ganha vida durante os feriados e fins de semana.

O bairro Chines e suas criaturas. Nao me atrevo a dizer com que isso se parece!

Minha primeira parada sempre é a pequena lojinha de frituras do lado do supermercado Asia, na rua Mendoza. O negócio é comer sem preconceito os espetinhos pingando de gordura que você não sabe o que são e provavelmente não gostaria de saber o que são. Esqueça a alimentação saudável e coma esquisito e gordo. Deslembre sua noção de texturas e crave os dentes no gelatinoso tempura de merluza e depois reze para não ter uma infecção intestinal. Nunca me aconteceu, mas sempre me sinto vivendo perigosamente quando como esses troços deliciosamente estranhos.

 
 
 

Supermercado Asia: tem de tudo!

Justamente ao lado está o supermercado Asia, uma Meca de alimentos que você talvez jamais saberá do que se tratam.

Tantas variações de molho Soyo quanto há de vinhos, criaturas do mar que jamais deveriam chegar a superfície, doces chinês que desafiam a imaginação humana, uma variedade de miojos impressionante, lulas desidratadas, sopas de amendoim, woks e produtos do mundo inteiro que fazem deste mercado o lugar ideal em Buenos Aires para achar o azeite de dendê para aquele Bobó que você tanto sente saudade. Um templo gastronômico que infelizmente carece de tradução do Mandarin, mas enche os olhos de curiosidade e o estômago de apetite. Com o apetite aberto é hora de explorar os restaurantes. Já comi em quase todos. Entre os destaques estão o Palitos e Todos Contentos que, nos fins de semanas, tem largas filas na porta. Mas, ultimamente, venho me encontrando sempre de volta ao Lai Lai, uma portinha na rua Arribeños, sempre cheio, com apenas um garçom para dar conta de tudo e pratos incríveis como o Pescado con salsa Picante. Prepare-se para a pimenta. O negócio é comer suando e com coriza.

Um passeio a "La Redonda", depois de comer no bairro chines a redonda pode ser voce!

Depois, de pança cheia, minha sugestão é começar a subir coroados pelas alamedas de arvores secas durante o inverno, e dignamente verdes no verão, a rua Juramento em direção a Av. Cabildo, onde uma pequena grande jóia os espera.

Meu jardim secreto, Museo Enrique Larreta

Um dos meus espaços preferidos na cidade é o Museu de Arte Español Enrique Larreta, Avenida Juramento entre Vuelta de Obligado e Cuba. Um pequeno Oasis no centro de Belgrano, o museu, já foi uma “Quinta”, residência de verão, afastada da cidade de uma abastada família espanhola. Hoje, é um charmoso museu com um jardim simplesmente espetacular e um baobá gigante desses que dão vontade de abraçar ( vale a pena tentar)! Por apenas um mísero pesinho é possível visitar a casa, que é um pedacinho da Espanha colonial, ambientada com luxuosos moveis antigos, tapetes, armaduras e quadros flamencos, a exposição em cartaz ( atualmente a bela coleção de quadros do pintor espanhol Manolo Valdés)  e ahhhh, fingir que você é de outra época, de outro tempo, de outro momento no jardim.

Um museu que é uma tchuchuca!

 

Com sorte, você será o único nesse quintal do mundo. Depois, aos sábados, é possível curtir a ferinha na Plaza Manuel Belgrano, passar um fim de tarde aí tem algo de nobre e altivo, aproveite para um café e uma visita a Iglesia Redonda , a maravilhosa construção circular da Paróquia Inmaculada Concepción de Belgrano. Tudo cruzando a rua do museu. Depois está todo mundo liberado para comprar a vontade na Av. Cabildo, que tem muito mais opções que a Calle Florida e um terço do português.

 E para aqueles espíritos aventureiros, vale apenas descer até a  Glorieta de Belgrano, em frente a rua 11 de Septiembre, e curtir um Tango nesse coreto incrível com os ares tão típicos desse bairrio singular! Até onde eu sei o pessoal costuma se reunir para um 2×4 nas sextas, sábados e domingos a partir das seis da tarde. Gente de todas as idades, sob todos os pretextos, bailando com el alma,por aparentemente nada além pura paixão.  Sublime é a palavra. E isso é só a ponta do iceberg do que é Belgrano!

12 Respostas to “Belgrano é uma festa!”

  1. Mariana David 7 de agosto de 2010 às 4:58 AM #

    Adorei o seu post, Gabyzinha.
    Eu moro em Belgrano desde Abril e agora, mudando de casa, coloquei só uma condição: que ela continuasse em Belgrano!
    Sou enamorada pelo bairro e não troco por nenhum outro lugar de Buenos Aires!
    Viva!
    E a senhorita, em breve, vai ser convocada para cenar em mi nueva casita!🙂

    • conexaobuenosaires 10 de agosto de 2010 às 4:00 AM #

      Belgrano é paixaaaao, aguardando esta cenaaaaaaa! Mil beijocas!saudade de oce!

  2. Edu 7 de agosto de 2010 às 12:26 PM #

    Descubriste mi secreto.

    Belgrano es un país. Vecino, por suerte.

    Sabias que fue la capital de la Argentina por un tiempo?

    edu

  3. Marcelo Barbon 8 de agosto de 2010 às 7:22 PM #

    Oi Gaby

    Bom isso de dar dicas de outros bairros. Ainda que Belgrano é razoavelmente conhecido. Adoro lugares como Boedo, Agronomia, Parque Chas. Parece que os turistas têm medo de se afastar do rio!!!
    E, claro, sou viciado em comida asiática. Mas o melhor segredo do Barrio Chino, na verdade, é um restaurante judeu bem na Arribeños. Fica a dica para uma busca. hehehe.
    Marcelo

    • conexaobuenosaires 10 de agosto de 2010 às 4:03 AM #

      Ah me conta o nome do resto, vai! Sou judia, dessas que nunca comeu uma boa comida judaica, juro que tenho preconceito com matzo balls, meu deus se meu rabino escuta, hahahaahah, ainda estou explorando os bairros, mas nao aguento ter que levar amigos em Puerto Madero, por isso vou tentando convence-los por aqui que buenos aires é muito mais que Calle florida!

  4. Virson 9 de agosto de 2010 às 12:27 AM #

    Gabi, nas minhas quatro idas a Bs. As. nunca passei por Belgrano, mas já estou apaixonado!

    abs
    Virson

  5. Vivi 11 de agosto de 2010 às 10:07 PM #

    Eu também sou favorável a provar o espetinho de “nãoseique” do lado do supermercado Asia. Adorei! Aliás, esse comentário é pra que todos saibam que eu também sou adepta de comidas “não sanas”, pode me chamar que eu vou! rs

  6. Vivi 11 de agosto de 2010 às 10:11 PM #

    Eu também sou favorável a provar o espetinho de “nãoseique” do lado do supermercado Asia. Adorei! Aliás, esse comentário é pra que todos saibam que eu também sou adepta de comidas “não sanas”, pode me chamar que eu vou! rs Aliás, tbem engrosso a fila pra saber o nome do judaico. Sei que tem um a portas fechadas muito bom, chamado mis raíces, será que é o mesmo?

  7. Florencia Mariano 1 de outubro de 2010 às 7:08 PM #

    Parabéns!!! Muito interessante o blog!! até segunda eu estava morando no Rio de Janeiro, em Ipanema, posto 9. Hoje estou de volta na Argentina, morando em Belgrano. E procurando por tango achei teu blog e me lembrei da glorieta…vou ir sem duvidas!!

    Continua aproveitando meu pais e descobrindo o que os turistas nao veem. Eu sou igual!!

    Saludos!!

    Flori

Trackbacks/Pingbacks

  1. Para comer melhor que Mao Tse Tung « Conexaobuenosaires's Blog - 11 de outubro de 2010

    […] ( que os brasileiros se divertem chamando de Cotó). Há o bairro chino, cujas dicas já deixei aqui. Mas, eu estou sempre incomodando os poucos amigos chineses que tenho por aqui para que me levem […]

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