Mendoza: Decance avec Elegance

15 ago

Nada te prepara para os Andes...

Minhas previsoes se confirmaram. Esta manha quando me levantei  trazia comigo minha primeira ressaca mendocina.  Nao sei se foram os ares da montanha ou as jarras de vinho e, posteriormente o Fernet, mas eu fiz da jaca uma pantufa. Tudo comecou com um jantar super inocente nessa Pulperia incrivel, chamada El Palenque (Av Villanueva Aristides 287),  onde comemos as melhores batatas fritas e empanadas que ja comi na vida.

Se montanha eh sua paixao, Mendoza eh seu lugar

Alias, Mendoza esta batendo recordes com frequencia. Soh hoje, ja nos olhamos umas dez vezes para dizer “ eh o melhor que ja comi, que ja bebi, que ja vi”. O penguino, uma jarrinha em forma de Penguim muito tradicional na argentina, que normalmente traz o vinho da casa, entrou nesse Gabi’s book of records tambem.  E foi assim que minha ressaca de hoje comecou ontem. Encorajada pelo o vinho, resolvi alargar a noite no bar que os meninos do albergue sugeriram: Por Aca bar. Mendoza esta cheia de duplos sentidos. Era o comeco do meu fim porque o alcool, antes de matar, humilha.

Paisagens de Mendoza sao liricas...

Existe inegavelmente um climinha de alta montanha em Mendoza diificil de explicar. Ja vivi sensacoes semelhantes em lugares que sao ponto de partida para expedicoes e esportes radicais. A impressao eh de festa no campo base. Alpinistas, turistas e locais se misturam e criam estes ares de montanha club social que, em Mendoza, se estende por toda a movimentada rua Aristides Villanueva.  

Alta montanha social club

O tal do “ boliche” ( boates e lugares de diversao noturna em geral se chamam assim na Argentina) tinha uma trilha sonora de arrebentar. Comecou com um pouco de clima festa na High School, mas logo uma faixa etaria mas adequada tomou conta da pista. Dancei todo tempo ao lado de uma parede que tinha um Kurt Cobain em tamanho real festido de cheer leader. I know it’s only rock n roll but I like it!

Termas de Caucheta, foi preciso coragem para nos unirmos a esse pessoal ai

Como ja haviamos combinado, resolvemos levar a cabo o plano de boiar o dia todo nas Termas Caucheta. Essa eh minha primeira grande dica. As termas de caucheta consistem em lindissimas piscinas de pedra com agua borbulhante termal em um cenario estonteante, perigosamente beirando o abismo, e cortejando de perto pontudas montanhas, que  parecem que vao se derramar no vazio. Ha piscinas dentro e fora. Foi preciso tirar coragem da minha reserva de bravura para entrar nas piscinas abertas, mas nao ha nada que se compare a boiar numa piscina quentinha a poucos metros de uma montanha nevada emoldurada por um profundo vale invernal –  desses pintados desses tons sutis de cinza e beje. Se soubesse que havia este lugar, teria entrado ha tempos na minha “top coisas a se fazer nessa vida”. Como o destino de todas piscinas abertas ao publico parece sempre ser o de afarofar-se, existe uma leve tendencia a isso nas piscinas internas das Termas. Mas, vi o capricho dos funcionarios zelar pelo lugar de maneira classuda, achei digno. Decadence avec Elegance.        

Cacheuta: a vista

Pegamos um onibus comum do terminal de Mendoza pela bagatela de 5 reais ida e volta. A viagem dura aproximadamente uma hora. Mas, nao recomendo no inverno. Nao tem calefacao e na volta tive caimbras devido ao frio no interior do onibus. Alias, o frio eh uma  coisa que nao parei de sentir desde que cheguei. Ja nao lembro o que eh sentir calor.

O melhor lugar para se ter uma ressaca...

De maneira maior ou menor, estou sempre com frio por aqui. Vale a pena investir no modelito boneco de neve para nao passar de amador como eu. No caminho, vinha pensando como apesar da intensa vida noturna, Mendoza nao tinha muitos atrativos e talvez tenha me adiantando ao marcar tantos dias na cidade em meu apertado calendario quando a paisagem me deu um tapa de luva. Montanhas sao o desejo de megalomania da natureza. E eu, ja disse aqui varias vezes, sou loucas por ela. Mas, nada te prepara para dar de cara com uma parede de pedra que perfura o ceu em formas tao variadas e soberanas que nao te deixam outra opcao senao pensar dentro de niveis distintos de consciencia que a natureza eh de onde o homem veio e para onde ele vai. Eram dezenas de montanhas intercaladas por cenas natalinas, ternas, pequenas chamines lancando silenciosamente fumaca para fora de casebres, encostas cobertas de neve, arvores testemunhando o vento, tudo em uma paleta de cores que jamais seria capaz de descrever. Depois de boiar umas horinhas, fomos explorar a regiao, e vejam soh,  comer a melhor carne que ja comi na Argentina na Parilla que fica a poucos metros da entrada das termas. Vai pro recorde.

" Eram dezenas de montanhas intercaladas por cenas natalinas, ternas, pequenas chamines lancando silenciosamente fumaca para fora de casebres, encostas cobertas de neve, arvores testemunhando o vento, tudo em uma paleta de cores que jamais seria capaz de descrever."

 Nos divertimos na ponte pencil que se extende por cima de um rio no fundo de um vale.

A ponte e o vale

 “ Uma ponte pencil que se extende por cima de um rio no fundo de um vale” dispensa outras observacoes, adjetivos e parabolas. Eh simplesmente lindo. A volta foi dolorasamente fria, vim consolada pelas montanhas ate o anoitecer, depois nos deixaram a merce do clima, inospito. Mendoza eh, neste noite de inverno, um sonho com um pouco de elegancia e decadencia, na medida da certa, do jeitinho que eu gosto.

4 Respostas to “Mendoza: Decance avec Elegance”

  1. Patrícia 15 de agosto de 2010 às 9:19 PM #

    Fernet nãããããããããããooooooooooooo. No mais, que viagem ma-ra-vi-lho-sa!

  2. Virson 15 de agosto de 2010 às 11:55 PM #

    Montanhas tenebrosas, frio, alturas arrepiantes, mais frio, piscina a beira de um abismo, ponte pensil balouçante, mais cordilheiras gélidas, frio de novo, não sei não, Gabi…

  3. Gisele Teixeira 16 de agosto de 2010 às 11:33 PM #

    Adoramos El Palanque!!! Aproveite Gabi Maria!

  4. Ibsen Costa Manso 20 de agosto de 2010 às 5:36 AM #

    Gabi,
    Seu pai me indicou o seu blog. Adorei! Vou ler todo…
    Sobre Mendoza, estive há uns dois anos e realmente é incrível. Como bem definiu um simpático casal sentado ao nosso lado em um boulevard no centro da cidade é “o melhor da Argentina, sem os porteños”…rsss. Detalhe: ela era mendoncina e ele, um ex-porteño…
    Bjs. e siga em frente!

    Ibsen

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