Arquivo | outubro, 2010

Calamar, um grande líder

30 out

Deixo aqui uma pequena cronica que fiz para o site Traducir Argentina sobre as eleiçoes de domingo. Está em espanhol. Para acessar a cronica no site clique AQUIIIII!!!!!!

Lula ganhava traduçao no DVD pirata que eu comprei

El domingo millones de brasileños votan para elegir al nuevo presidente de la nación.  En la segunda ronda del ballotage están Dilma Rousseff y José Serra: uno de los dos presidirá la nación por un periodo de cuatro años. La verdad es que con una aprobación de más de 80%, queríamos que se quedara Lula. Pero la constitución no lo permite, y tampoco es saludable un caudillo.

 La verdad es que la perspectiva es buena, gane Dilma o Serra. Ya hemos superado la fase en que se decíamos que Brasil no era un país serio. Mientras haya disparidad social, hambre y desempleo, tenemos que ser un país más que serio. José Serra es un tipo serísimo. Aburrido y sin carisma, pero serio. Es un clon del Señor Burns de Los Simpsons, pero todo bien (no hay que ganar un concurso de belleza para ser presidente). Un gestor más que estadista, administrador mejor que político.

Dilma es la persona que supuestamente continuaría las políticas sociales implementadas por Lula.  Ex guerrillera, ex ministra de la casa civil, me acuerdo que antes de las elecciones nunca la había visto sonreír. Pero para las elecciones tuvo una reconstrucción física total, como los programas de makeover estadounidenses. Ahora se asemeja a la simpática mama de alguien. Besa nenes en las calles, abraza viejitos: eso se llama política. Y está al frente de las encuestas electorales.

A la distancia: feijoada y TV

Mientras el clima de las elecciones está caliente en Brasil, acá los expatriados acompañan con pasividad el ballotage que decidirá el rumbo de la política del país. Para la primera ronda, nos reunimos en mi casa para comer feijoada y acompañar la votación. Leímos algunos editoriales sobre la corrida presidencial y discutimos entre nosotros los nuevos rumbos de la política brasileña.

Muchos acusan a los programas sociales de era Lula de asistencialismo. “Bolsa Escuela” y “Bolsa Familia” son programas que lograrán, con el aporte de un máximo de 400 pesos en beneficios totales, sacar parte de la población de la más desoladora miseria insertando dinero en la economía e incluyendo a este segmento de la población en un segmento de renta más justa. Uno de los editoriales que leímos decía que “si no entiendes la diferencia que 400 pesos hacen en la vida de uno, es porque eres demasiado rico para entenderlo”.

 Después de comer una feijoada, que consiste básicamente de porotos negros y trozos de cerdo ( pies, orejas, cola, todo)  no hay mucho que hacer. Pesa el cuerpo, se queja la panza, viene el sueño. Stanislaw da Ponte Preta, pseudónimo de un  importante periodista y cronista brasileño, decía que ninguna feijoada está completa si no hay ambulancia. La verdad es que es más que un plato pesado, es una muerte lenta. Así, aplastados por nuestra inercia, nos pusimos como anémonas en el piso de mi living para ver la peli Lula ( El Hijo de Brasil) que confieso compré pirata al tipo que las vende en Santa Fe, cerca de la Plaza Italia. Ya sé que existe toda una corriente en contra de la compra de falsificaciones. No quiero entrar en argumentos políticos, pero confieso que simpatizo con toda y cualquier actividad subversiva económica.

Viene con subtítulos en español y no tardó más que diez minutos para darnos cuenta que iba mal la traducción. Dona Lindu, la madre de Lula que prácticamente protagoniza el thriller, está traducida como “propietaria Lindu”, entre otras expresiones curiosas de los subtítulos truchos.  Pero la mayor sorpresa de la noche vino cuando nos enteramos de que estaban traduciendo el nombre Lula por “calamar”. Es cierto que “lula” en portugués es el molusco conocido en castellano como calamar. Pero la traducción trucha del DVD nos llevó al delirio. Produjo momentos como “Hola, me llamo Luis Inácio, pero puede llamarme un calamar”.

Calamar, un gran líder sudamericano. Así, nos juntamos mañana para saber quién sucederá al molusco.

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Lula Lá

30 out

Deixo aqui um video que circulou durante todo o dia nas redes sociais de meus amigos Argentinos onde se ve um Lula extremamente comovido com a morte de Kirchner. Comovente mesmo é ver como é importante para eles a atenção que deu nosso presidente á morte do ex- mandatário argentino. Aqui, ele é muito querido e, sua chegada, reaçao e depoimento tiveram bastante impacto nas mídias locais. A Argentina nos dá toda bola. Vamos começar a dar bola para a Argentina? Fica minha sugestão.

Todos por Néstor

28 out

A cidade amanheceu com ares de normalidade. Um dia comum de trabalho apesar do luto nacional. O sol, vejam só, brilhando normalmente. Os comércios funcionando, as veias da metrópole, apesar de abertas, pulsantes. No meio da manhã as catracas do metrô já estavam abertas e concediam passagem gratuita a enorme multidão que se juntaria na Plaza de Mayo para o funeral. Nos vagões uma cena me lembrava uma velha fotografia da morte do presidente norte-americano, J.F Kennedy:  todos os passageiros sentados com os jornais abertos com a manchete catastrófica.  Pela primeira vez o senhor da banca não me olhou com curiosidade quando pedi uma edição de cada um dos principais diários, como faço habitualmente.

Pelo primeira vez, na banca de jornal, nao recibi olhadas curiosas do vendedor por comprar todos os jornais

Talvez, nas últimas décadas, não há episódio em que a Argentina se assemelhe tanto aos seus tangos.Talvez poucas vezes estivesse tão perto do ritmo musical trágico que hoje em dia não é nada mais do que o recordo nostálgico dos velhinhos e atração de turistas. Este país tão marcado por mães sem filhos, avós sem netos, desempregados sem teto, viúvas e desaparecidos volta adentrar sua melancolia histórica tão intimamente ligada a sua vida política. Durante todo o dia milhares de pessoas enfrentaram horas de fila ao sol para dar o ultimo adeus a Néstor Kirchner que era velado por sua mulher, filhos e amigos dentro de um salão da Casa Rosada. Cristina permaneceu todo tempo lá, alisando o caixão com suas mãos bem feitas recebendo Mujica, Rafael Correa, Evo Morales, Piñera, entre outros mandatários sul-americanos. Agradeceu ao público que entrava em ondas com a mão no coração e agüentou com dignidade a longa jornada.

As 19h45, um cantor de ópera, vindo da fila aberta ao público, entrou cantando “Ave Maria” agravando o cenário lúgubre.  No público há de tudo, veteranos das Malvinas, loucos, histéricos e até o grupo de deficientes Mundo Alas, que ganharam fama aqui graças a um documentário feito sobre eles. Artistas, apresentadores e celebridades locais também vieram prestar homenagens a Néstor e sua família.  Cristina, quando não agüentava passar incólume a comoção do povo, se levantava ia até a fila que circundava o caixão e cumprimentada um a um os mais emocionados,  tornando a cena ainda mais onírica. O silencio era quebrado por gritos de “fuerza Cristina” enquanto ela acenava em agradecimento.De uma estranha maneira, ao morrer, Néstor Kirchner realizou  seu último grande ato político em favor de sua viúva.

A cidade amanheceu cheia de cartazes de apoio

Seja  qual for sua opinião sobre a presidenta da Argentina, não há opção senão compadecer-se do sofrimento de uma mulher que perdeu seu companheiro de 35 anos e mentor político. É, neste momento, a viúva mais respaldada do sul deste continente, ganhando força política minuto a minuto. Enquanto na Plaza de Mayo milhares de pessoas choram juntas sua orfandade, uma volta por Palermo, onde vivo, revelou nada mais do que cenas cotidianas. No colégio do bairro as crianças saiam fantasiadas graças ao Halloween, velhinhos passeavam a lentos passos pelas ruas, casais tomavam sorvete nas esquinas. Não fossem os pequenos outdoors colocados a cada 50 metros com as fotos de Néstor e Cristina na cidade com os dizeres mais ouvidos nas últimas 48 horas – Fuerza Cristina – , era possível dizer que, pelo menos em Palermo, não morreu ninguém.

No Pg 12, Nestor deseja fuerza

Todos os canais locais e a CNN seguem com a cobertura non stop. Na C5N, uma das principais emissoras locais, as cenas do funeral são acompanhadas de uma música igualmente fúnebre dando ares cinematográficos ä viúva que sustenta olhos escuros e taller, impecável recebeu a Maradona. Chavéz fazia discurso no Aeroparque ( Aeroporto mais próximo da cidade), colunistas políticos já discutiam o destino da nação e os editoriais de La Nación e El Clarín lembravam que os Kirchners são melhores em manter o poder do que governar. Opiniões corajosas que desafiam uma nação profundamente consternada.  No Clarín, as matérias, no entanto, simpatizavam com o falecido, uma ultima ironia já que o ex-presidente  e o jornal o Clarín travaram batalhas históricas. No jornal de esquerda Página 12, um simpático cartoon de Néstor ocupava a toda a capa do diário com os dizeres ‘Fuerza todos”.

Dizem que Néstor morreu na exata hora em que nasceu sessenta anos antes. Que jantou com amigos e que a última imagem dele vivo foi tirada na sexta-feira por um simpático casal em um bar em Calafate, esta minúscula cidade na Província de Santa Cruz onde os Kirchners iam buscar paz nos fins de semana. Era diabético, cardíaco, não agüentava maiores caminhadas, nem uma pelada e que morreu em um segundo. Amanhã Néstor empreende sua última viagem rumo ao sul, onde será enterrado junto ao seu pai. Eu me abstenho de opiniões políticas, mas pelo o que está o centro de Buenos Aires nesse instante, para que Néstor se una ao pai todo uma nação deve aprender a se despedir do seu.  Fuerza Argentina!

Para acessar as notícias em tempo real:

http://www.infobae.com/adjunto/nestorkirchner/C5N_NK.html

A la plaza, para la despedida

28 out

Deixo aqui a versão em espanhol do texto sobre a  comoçao com a morte de Néstor Kirchner publicado está manhã no site Traducir Argentina. Para acessar clique AQUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Na praça, por Cristina

28 out

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Com temperaturas amenas os fins de tarde de primavera em Buenos Aires se fazem cada dia mais agradáveis.

As pessoas enchem as praças com saudade do sol. Seria assim que a cidade despertaria da reclusão imposta pelo Censo Argentino não fosse a morte súbita de Néstor Kirchner que mudou o roteiro dos portenhos para uma só praça. Quando cheguei a Plaza de Mayo por volta do meio da tarde havia uma pequena multidão que se formava e um silencio esporadicamente interrompido por palmas e choros baixos. O pipoqueiro aproveitava para fazer uns trocados e uma grande fila já se formava para ascender à fachada da Casa Rosada. Ali começavam acumular-se flores e cartas. Uns cem metros antes a polícia já havia instalado um alambrado onde faixas e mensagens de despedida se aglomeravam.Quando o silencio se tornou demasiadamente incomodo as aglomerações de partidários peronistas e kirchneristas começaram a cantar a marcha peronista, um cântico que ia irradiando-se pela praça e que terminava em palmas.

Jornalistas afobados corriam seguidos dos passos confusos de seus câmeras , microfone em punho, abordando os transeuntes mais chorosos. Muita gente trazia os olhos mareados que quando encontravam um abraço deixavam-se molhar por completo. Algumas pessoas tapavam as bocas de incredulidade.  A grande maioria era de gente jovem, seguindo assim até a noite, claro testemunho da força da “juventud kirchnerista”. Como torcidas organizadas os grêmios sindicais indo ingressando á praça um a um sob aplausos dos presentes e cantos  próprios. Por volta das seis da tarde a praça deixava de ser uma alameda salpicada de gente para dar espaço a uma massa homogenia de gente e faixas que se voltava para o palácio presidencial. Muitas das faixas solidarizavam-se com a viúva e outras lembravam um dos maiores ícones da nação: o general Perón.

Evita ganhou um enorme boneco inflável e a pirâmide no centro da praça um enorme cartaz de Kirchner como o personagem de história em quadrinhos, o Eternauta, dando ao espetáculos ares pop arte.

No começo da noite, em uma das cenas mais comoventes da noite, chegaram as vans com as madres de mayo, já velhinhas, com os tradicionais lenços brancos na cabeça, acompanhadas de enorme comoção e da dignidade que lhes é solene. Elas prestavam homenagem ao homem que em um ato de repúdio a ditadura, que por muitos anos assolou o país, retirou os quadros de ditadores da Escuela de Mecánica de la Armada, coisa que não haviam feito seus antecessores democráticos. Muito antes da sapatada que recebeu o presidente norte americano George W. Bush, no Iraque, Kirchner já havia desbancado o mandatário durante a Cumbre de las Américas que se realizou em Mar del Plata, frustando o plano de Bush de implantar a ALCA na região, humilhando Bush que deixou o encontro irritado e brigado com Néstor.

Elegeu democraticamente sua mulher ( embora a Argentina sustente certas tendências nepotistas vide Isabelita Perón e Evita). O corpo de Néstor Kirchner será velado amanhã na sede do governo e   enterrado posteriormente em Calafate, junto aos restos mortais de seu pai. A demonstração que segue neste momento com milhares na Praça de Maio além de homenagem ao ex-presidente falecido na manhã de hoje é testemunho também de apoio popular a sua viúva, atual presidente da Argentina, um apoio que ela precisará nos duros tempos que a esperam. Deixo aqui imagens de uma nação chocada e comovida, impossível ficar imune a consternação coletiva.

Argentina: el shock

27 out

Deixo aqui o link para a versão em Espanhol da nota que escrevi sobre a morte do ex-presidente Néstor Kirchner. Foi publicada há pouco minutos no site Traducir Argentina, espaço do qual sou staff e contribuo periodicamente com artigos. Para ler a nota em espanhol na íntegra clique AQUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Morre Néstor Kirchner: País em choque

27 out

O clima é de incredulidade, mas um dia que já não era ordinário ficou ainda mais extra-ordinário. Neste momento, mais de 40 milhões de Argentinos estão em suas casas com nenhuma opção senão digerir a súbita morte do ex-presidente Néstor Kirchner, presidente do bloco Unasur, e marido da atual presidente Cristina Kirchner, esta manhã em Calafate.  Com a contagem do Censo argentino, que acontece uma vez a cada dez anos, o comércio fechado por decreto e o apelo do governo para os argentinos permaneçam em casa até a chegada dos “censoristas”, estão todos em casa com uma espécie  de prelúdio de luto nacional. O estado de exceção é tanto que muitos de meus amigos receberam a notícia da morte do ex-presidente pelos próprios funcionários do censo.  Kirchner já vivia há anos com sérios problemas de saúde, sendo sua última internação no passado 11 de setembro, sendo submetido a seguidas angioplastias. Dizem os canais de notícia que o ex- presidente faleceu de um ataque do coração as 9h30 da manhã de hoje. A comoção da imprensa, como era de se esperar,  é grande.