A Festa de Babette

19 out

 

Perdoem-me leitores se os últimos e próximos posts remetam a um pouco de nostalgia e banzo. Mas, eu cometi um erro. Amargo já sete meses sem pisar no Brasil, deveria ter ido diversas vezes, mas por paixão a Buenos Aires não consegui deixar esta Isla Bonita senão para voltinhas mais ao sul. Por isso, confesso que entrei numa fase complicada que culminará em dezembro quando volto à saudosa maloca para longas férias. Deveria ter empreendido visitas homeopáticas, eu sei. O que me resta é matar saudade do pouco do que é muito brasileiro em Buenos Aires. E eu não estou me referindo a comer feijoada no restaurante Me leva Brasil na Plaza Armenia. A saudade já virou saudade de algo mais mundano. Saudade da  pizza brasileira, do arroz como é feito no Brasil, do jeito que comemos sushi. Saudade da temakeria.Eu costumava sair da Yoga nas segundas e quartas direto para temakeria. Era, para mim, o momento certo para cair de boca num salmão. Feito o exercício, a limpeza espiritual, queria mesmo era uma garrafinha de cerveja, depois do dia duro de trabalho, e um kone para voltar assobiando para casa.

Sabe-se lá porque cargas d’água parece não haver pesca significativa nesta orelha do Rio Prata. Não há a menor cultura de peixe em Buenos Aires. Já comi bons frutos do mar em restaurantes espanhóis e vejo um certo protagonismo marítimo nos mercados no Barrio Chino, mas peixe não é nem personagem coadjuvante nos cardápios da capital.  O negócio é carne, alta, gordurosa, em grandes quantidades. Tenho a impressão, às vezes, que os acompanhamentos são dispensáveis para os portenhos. Por eles, tiravam o boi do pasto, cavavam um buraco, assavam e enfiavam o garfo ali mesmo no bicho.

Eu não. Sinto falta de variedade e te tanto ver carne estou cada vez mais adepta dos vegetarianos. Por isso, entrei no processo “sabores da terra” onde procuro comidinhas com um je ne sais quoi de jeitinho Brasileiro. O primeiro que achei nessa jornada ao coração da gastronomia nostálgica foi uma boa pizza. Se, no começo, em missão kamikaze calórica, eu gostava das enormes e fundas pizzas portenhas, hoje sinto falta mesmo é de algo leve.  Não tenho nada contra me acabar na Guerrín, no El Cuartito, sair da Boate as cinco da manha e cair na Kentucky na Santa Fé ( aberta 24 horas). Mas, com a proximidade do verão, prefiro andar no lado branco da força. Descobri essa cadeia de pizzerias: Armacen de Pizzas. Não é uma pizza em Napoli, mas é mais fina e leve, e tem variações mais complexas do que as tradicionais Fugazzas e Fugazzetas ( pizzas de cebola) e nem tudo leva morrón. Morrón, nossos pimentões, são aparentemente obrigatórios por lei em todos os ingredientes de qualquer prato bonairense. A essa altura preferia que fosse até jiló, porque já sofri pelo menos três overdoses da leguminosa. O mesmo acontece com o purê de abobora. Eu continuo comendo porque costuma ser a opção mais saudável do cardápio. Mas, na verdade, preferia fazer campanha para o Maluf a continuar comendo “purê de calabaza”. Por isso, ando atrás de comidinhas tudo a ver com o modo brazuca. O Armacen da Pizza é uma excelente pedida e com delivery para aqueles dias em que tudo que se quer e ver os mineiros serem retirados da mina um a um com a companhia luxuosa de uma pizzazinha. Essa é a dica número 1. A gigante pizza da casa é tudo que faltava no seu programa filme e amigos. Na ausência de um boteco com frango a passarinho e pescoço de peru, ás vezes caio de boca num peruano.

A comida peruana está “de moda”na capital. Acho que deve ter começado com a tradicional aglomeração de estabelecimentos  na região de Abasto. Onde vendem frango a assado a quilos e transcendeu as barreiras do “bar sujinho” ganhando ares aristocráticos nos restaurantes nipo-metidos a besta em Palermo. Hoje, tem de tudo, das cozinhas onde se reúnem expatriados peruanos para matar saudades limeñas a chiquérrimos nipo-peruanos com seus sushi s recheados de abacate e ova de qualquer coisa de mares distantes. Por motivos estritamente financeiros eu prefiro comer com os exilados em cantinas menos high end. Conheço algumas as quais me fiz adepta como o Tataki  e o Chan Chan, cuja decoração kitsh com rosas de plástico pregadas com durex na parede eu adoro. Ultimamente parei de explorar ceviches, causas e papas hucainas para encontrar semelhanças com nossos PFs de todos os dias. Você sabe o que é um arroz soltinho? Pois eu, até encontrar o Perú Deli, não me lembrava mais o que era. Como cozinhar arroz na capital já foi tópico de discussão acalorada, como argumentar política, em mesas brasileiras na capital. Não sei se é o nível de amido, o ponto de cocção, só sei que quando leio que “hay que colar” meu corpo inteiro reage ao fato de ter que escorrer o arroz como se fosse um macarrão. Eu me nego. Parece frívolo dedicar todo um parágrafo ao arroz argentino. Mas experimente ficar meses sem um arroz branquinho, soltinho.

 Por isso que, quando me apresentaram o Peru Deli, eu fui ao céu e voltei. A comida é ótima, mas tem dias que poderia pedir que me entregassem arroz, só arroz. De qualquer forma, o tempero peruano é parecido com o nosso e um simples frango acebolado pode ser a santa ceia para quem padece de banzo, como eu. O lugar oferece opções fúsion , até agora all quieto n the western front, comida excelente. Esta é a dica number 2! 

A ceia nipônica de Babette – Eu explicava aos meus amigos a estória do filme a Festa de Babette e porque me sentia no meu momentum cinematográfico enquanto colocava para dentro a largas mordidas um temaki de salmão e camarão na filial da cadeia brasileira Kono em Las Cañitas. Para eles, eu estraguei o final do filme que não haviam visto. Aqui, vou manter algo por ver. No filme, a francesa Babette chega a este povoado dinamarquês  no meio de uma noite de tempestade pedindo abrigo na casa de duas irmãs solteironas. Elas a abrigam e catorze anos depois ela recebe a notícia que ganhou uma fortuna na França. Resolveu então fazer um banquete suntuoso para as senhoras e amigos. Faz vir da França codornas, peixes, patos e todo tipo de iguaria e faz uma ceia faraônica. Há um twist a mais no filme que não me atrevo a contar, mas a metáfora vale para dizer que me senti assim há uns dias atrás, comendo o banquete nipônico de Babette e deixo a dica para quem não viveeee sem sushi como eu. Kono, Las Cañitas é a dica número 3. Continuo postando!

Serviço:

Clique no nome dos restaurante para horários, endereços e telefones.

3 Respostas to “A Festa de Babette”

  1. Vivi 19 de outubro de 2010 às 4:01 AM #

    Lá no Almacen, peça a napolitana com tomates cherry. É a melhor! Para o arroz, venha comer em casa! Hj saiu com feijão preto! Bjs

  2. GIOVANNA 19 de outubro de 2010 às 4:15 AM #

    Desfrutando um pouco mais.Obrigada!

  3. Magdaliana 7 de dezembro de 2010 às 10:34 PM #

    Oi amor!!!!
    Saudades, muito forte!

    Senti mais saudade ainda de fazer uma comidinha gostosa pra você.

    Quando nos encontrarmos, FAREI!!!
    Espero que seja logo.
    bjs no seu lindo, fofo, amável e delicado coração.
    Te amo,
    Magda

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