Já vai tarde

9 nov

Vire e mexe eu me pego pensando em fazer um post sobre a ditadura militar na Argentina. Nós também tivemos uma ditadura dureza, mas a deles alcançou requintes inimagináveis de crueldade. Tenho os transcritos de umas perguntas que fiz a vice presidenta da Associação Abuelas de Mayo que ainda não ousei publicar. Crianças adbuzidas, pessoas atiradas de aviões no Rio Del Plata, covas coletivas, torturas e todo tipo de atrocidade estão no currículo desses nobres militares. Argentinos lutam permanentemente por manter viva a recordação do calvário pelo qual passaram e as mães sem filhos, avós sem netos e filhos sem país então sempre dispostos a manter o fogo dessa memória acessa. Continuo me emocionando quando vejo na calçada a pequena placa que indica que ali alguém desapareceu sem deixar rastros. São elas a lembrança de que a democracia é daqueles que morreram por ela e a liberdade mais um direito adquirido que uma característica inerente a vida. Por isso, acho um barato quando, nesse propósito de nunca esquecer, eles continuam celebrando as mazelas de seus ex ditadores. Um dos poucos países que julga seus torturadores, a Argentina tem feito o esforço para penalizar seus verdugos. Foi assim que morreu de velho ontem um dos piores ditadores da história Argentina, Eduardo Massera, a quem o jornal Página 12 chama de “Máquina de Matar” e colunistas o descreveram como o “Mengele” da ditadura Argentina. Emilio Eduardo Massera tinha um currículo de vilão impressionante: roubo, assassinato, falsidade ideológica, tortura, seqüestro, entre boas ações estão entre seus crimes. Crimes pelos quais foi condenado, posteriormente anistiado por Menem ( porque isso não me surpreende?) e finalmente posto em prisão preventiva em 1998.

A matéria é excelente, mas o melhor mesmo, para não fugir a regra, é a capa que mostra o jornal genial e genioso que é o Página 12. Na edição desta manhã, os comentaristas super opinativos do canal C5n (o que nem sempre é uma vantagem) já comemoravam efusivamente a notícia. Mas, é sempre o Página 12 que ultimamente tem dito o que todo mundo pensa e tem reservas em dizer . “El infierno es poco”, ostentava a manchete. Já vai tarde!

2 Respostas to “Já vai tarde”

  1. Rebeca Gorender 10 de novembro de 2010 às 3:41 AM #

    Gabi, vi a reportagem hoje da Página 12, e com toda certeza “el infierno es poco” ainda é pouco pra uma pessoa que cometeu tantas atrocidades. Graças a Deus os Argentinos tem a conciencia de que para que um ERRO assim não aconteça mais, é preciso que a memória esteja sempre sendo ativada. Tenho orgulho de ver que nossos hermanos são tão críticos y respeitam tanto a vida de quem já lutou pela LIBERDADE deles.

    Um beijo grande e parabéns sempre por seus textos!

  2. Izabel 27 de julho de 2011 às 6:23 PM #

    De acordo, também me emociono ao passar por uma daquelas placas em referência aos desaparecidos e é incrível o que ainda fazem as madres e abuelas de mayo! Por aqui, não se pode nem falar em abrir os arquivos da ditadura…causa arrepios a muitos. De fato, manter a memória viva é uma boa maneira de mostrar o real valor dessa tal democracia…
    Muito bom o blog, parabéns!

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