Redescobrindo a América

4 dez

Sorriso de quase nuvem

Os rios, canções, o medo

O corpo cheio de estrelas

O corpo cheio de estrelas

Como se chama amante

Desse país sem nome

Esse tango, esse rancho

Esse povo, dizei-me, arde

O fogo de conhecê-la

O fogo de conhecê-la …

 

 

“Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta” Galeano

Che Guevara, de uma família de classe média, se apaixonou pela América do Sul e seus milhares de oprimidos de origem colonial durante uma viagem de motocicleta. Eduardo Galeano destapou os porões da história de um continente muito mais acostumado a perder que ganhar. Muitos libertadores vieram nos libertar, europeus de apaixonaram, Verger fotografou. Brasil vai rompendo sua deficiência lingüística e começa a entender o significado conotativo e denotativo da palavra “hermanos”. Na Bolívia, um índio ganha as eleições, no Brasil um homem que não tem diploma universitário, na Venezuela o governo retoma empresas das mãos dos gringos e nos fóruns internacionais todos são obrigados a escutar aqueles que, em outros tempos, seriam relegados aos postos da “ralé sindical”, pobres afônicos. Pode ser ignorância política minha, mas talvez, em nossa breve estória de continente escravizado pelo sistema que o povoou, seja a primeira que estejamos colocando as mãos nas rédeas deste cavalo. Enquanto isso, no meio dessa maré histórica, eu vou tratando de destapar minha própria latinidade e empreender minha viagem de descobrimento da América.

Eduardo Galeano: "Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta”

Antes de vir à Argentina, não sabia dos povos originários, não poderia supor que nos olhavam tanto, não sabia da ausência de negros aqui, estava trancafiada em meu mundo lusofonico, sem saber que em outra língua esse continente ia se unindo. Vim com poucas pretensões senão especializar-me, ser uma jornalista com um diploma a mais, entendendo de Relações Internacionais. Não sabia, no entanto, que o que ia aprender era que minha ignorância era maior do que imaginava e que na verdade éramos um país de estrábicos, olhando para o centro da nossa cara sendo incapazes de alcançar os ângulos laterais, nossa vizinhança. Vencida por nossa inveja futebolística, vim convencida de que não encontraria aqui o carinho que encontrei por meu país. E cruzo a fronteira para merecidas férias com pretensões de soldado de cruzada com vontade de evangelizar meus compatriotas sob a religião do amor latino. Estou completamente apaixonada pela latinidade e venho a declarar abertamente: Soy Loco por ti América.Não sou kirchnerista, assim como não nem branca nem mulata, mas quero deixar aqui a homenagem bacana que Cristina fez ao Lula, que política a parte, me pareceu legal, pessoal e sentida depois da morte de Néstor Kirchner. Acho o maior barato o fato de termos um presidente que se emociona e chora como o resto dos mortais. Indo para 40 dias de férias no Brasil, me dou conta que sou louca pela Argentina, pelos argentinos, pela América. Isso é uma declaração de amor…

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