Arquivo | maio, 2012

Os “melhores” restaurantes de Buenos Aires

31 maio

Para mim esse negocio de “o melhor” nao existe. O melhor restaurante é a o Boteco da esquina, com aquela cozinheira gorda e feliz que se senta a sua mesa para conversar ainda com o pano de prato pendurado no ombro e se despede rápido porque as “panelas estao no fogo”, um dinossauro de garcom, mau-humorado e humano, genial e genioso, aquele que te serve aquele paozinho de cortesia e faz um comentário sarcastico. O melhor restaurante tem habitués soturnos e tao frequentes que aparecem para comer vezes mais que o gato da casa.

La Cabrera, é uma dica bacana.

O melhor restaurante está perto de casa, ou em uma cidade pequena que brinca de esconde esconde desviando-se das principais estradas que levam a capital, é abundante e nao está interessado em ganhar estrelinhas (Michelin) no caderno.

“O melhor restaurante é a o Boteco da esquina.”
Parrilla San Cayetano, meu restaurante de Barrio, para sair defumado, feliz e sem ter que pedir um emprestimo do FMI para pagar o jantar. Arenales 3100.

Mas, vira e mexe, algum jornalista aparece com seu dedo de deus para nomear “os melhores” em uma olimpiada gastronomica cujo jure é uma banda de um homem só. Deixo aqui a matéria do Globo, sobre os supostos melhores restaurantes de Buenos Aires. E como a questao aqui é opiniao, vou ter discordar da sugestao do Café des Arts que é caro, pretencioso e nao tem nada , digo nada demais a nao ser o fato de estar no belissimo Malba, que alias merecia uma proposta gastronomica mais interessante.

El Pobre Luis

Nao conheco todos os restaurantes da matéria porque, em alguns dele, voce precisa empenhar a mae por um bife, mas concordo com a sugestao do La Cabrera e El Pobre Luis.

Dicas sao dicas. Mas o melhor mesmo quando voce descobre algo que nao está no roteiro, sou favoravel a uma Buenos Aires off road. Faca a sua!

DEIXO AQUI A MATÉRIA DO GLOBO SOBRE “OS MELHORES” RESTAURANTES DE BAIRES.

 

O Último Elvis

29 maio

“Alguma vez você quis ser outra pessoa?”

Deus abençoe o novo cinema argentino. É uma dádiva não precisar ir ao cinema para assistir a ultima porcaria de Hollywood. Não, não senhores não é necessário imbecilizar-se por duas horas de entretenimento inofensivo. A indústria de cinema argentina está a todo vapor por filmaços imperdíveis que eu não posso deixar de recomendar e celebrar. E, dessa vez, sem Ricardo Darín.

Um senhor gordo que se crê Elvis Presley desenha o enredo das minhas duas ultimas horas de deleite cinematográfico. A aura decadente do Rei, a nostalgia e seu inexplicável carisma estão presentes no sensível thriller El ultimo Elvis, do diretor Armando Bo.

“El último Elvis se centra en un hombre () que vive en un olvidado barrio de Buenos Aires como si fuera la reencarnación de Elvis Presley. Ya a punto de llegar a la edad que Elvis tenía al morir, la decisión de seguir a su ídolo hasta el final y la lucha por evitar que la realidad se le venga encima, lo embarcarán en un viaje de locura y música.”

John Mclnerny, um Elvis impersonator na vida real, está a cargo do papel principal com uma atuação comovente no papel desse homem que décadas após sua morte continua exercendo enorme fascínio sobre as pessoas. Uma Argentina cinza, pobre e cheia de desilusões serve de pano de fundo para uma jornada pessoal e épica. A história do diretor do filme e Mclnerny é tão cativante quanto o thriller. Bo é neto do diretor de nome homônimo que fez fama dirigindo os filmes da antológica atriz argentina Isabeli (Coca) Sarli, a rainha do que seria a pornô chanchada dos hermanos.

 Mclnerny é descendente de irlandeses, de La Plata, e arquiteto e docente por profissão, mas há sete anos se dedicava também a ser o melhor cover de Elvis de toda America Latina.

Bo e Mcnerny, uma estória de filme também.

Bo conheceu o trabalho de Mclnerny por acaso, comprando um CD cover na famosa Calle Florida, o epicentro das bugigangas turísticas da Capital, pensou que daria um excelente coach para o ator que escolhesse para rodar o filme. Mas, depois de ver o carismático Mclnerny em ação mudou de ideia e decidiu designar o arquiteto de quarenta e sete anos para papel de Carlos Gutierrez, um operário de uma fabrica cinzenta, desses aprisionados em uma vida complicada e pobre encontra abrigo na fantasia para suportar a dura realidade de sua existência.

Lisa Marie e Elvis…

Operário pelo dia e Elvis pela noite, pai quando a ilusão de ser Elvis não se opõe, Carlos Gutierrez está convencido que o mundo melhor é Elvis. Destaque também para atuação da pequena Margarita López que tece com Mclnerny uma relação entre pai filha de finas nuances de admiração e decepção em igual proporção.

Vou confessar que sou mais deslumbrada pela fascinação que Elvis exerce sobre as pessoas que por Elvis em si. As teorias de que Elvis não morreu (alias que está na Argentina, vide), as milhares de pessoas que preferem ser ele a si mesmas, os Elvismaniacos que dariam uma mao para vê-lo. E nessa toada Mclnermy leva essa estória cheia de decepção, fracasso e gloria, decadente como o rei, com aquele ar de realeza, cassino, champagne e tragédia que para Argentina também veste bem.

Elvis is everywhere…everybody has Elvis…but the anti Elvis…

Fica a dica de um Love me Tender do cinema argentino que insiste que Elvis não morreu e deixo também meu impersonator favorito o The King, que faz de Elvis uma balada contemporânea. A little less conversation…

Mi casa, su casa…

21 maio

Quem sou eu para dar consultoria sobre onde hospedar-se em Buenos Aires. Eu nunca fiquei em um hotel aqui e fui a mais retirante das retirantes, sendo expulsa de apartamentos por baratas, mudando de casa como quem muda de roupa.

A Odisseia do teto, quem me conhece sabe, para mim temporariamente terminou num saudável apartamento ( acreditem normal é a palavra, elevador, piso flutuante, cozinha branquinha) beirando o Parque Las Heras, em Palermo.

 

Parte do meu cafofo. E só deus sabe a peleja até encontrar o “cafofo” perfeito. Mas consegui, temporariamente…

 

Não quero mais saber de pés direitos de oito metros ( desses que te fazem ligar para os bombeiros quando queima uma lâmpada), nem de varandas estilo Frances, maçanetas art noveau, escadarias de mármore carrara porque, sinceramente, prefiro estar quentinha no inverno, fresquinha no verão, longe das baratas geneticamente modificadas de Buenos Aires, dessas mesmas que os cientistas dizem que sobrevivem bombas atômicas.

Meu primeiro cafofo. A mini Maison Gaby era uma tchutchuca por dentro, pleno submundo por fora. Detalhe para o pé direito e a escada de bombeiro necessária em caso de uma lampada queimada.

Ultimamente, muitos dos meus amigos vêm hospedam-se em apartamentos ao invés de hotéis quando vem a cidade. Bem verdade que não estou em condições nenhuma de prestar consultoria turística no que se refere à hospedagem na cidade. Mas, assim como experiências ruins, porque isso é uma loteria, vejo também muita gente economizando e curtindo alugar um apartamento na cidade.

Existem várias maneiras de alugar um apartamento “temporário na cidade”. E deixo claro que listo uns links, mas de nenhuma maneira garanto a qualidade.

http://www.bytargentina.com/

http://www.4rentargentina.com

Arb

Para mim, e isso é pessoal, optaria sempre por apartamentos novos, nunca planta baja (no térreo), perguntaria pela idade do edifício, elevadores e tanto para o inverno quanto para o calor, sobre calefação, ar condicionado e ventilação. E obvio, informe-se sobre a localização. Já disse isso outras vezes, ficar na Calle Florida não é o centro da experiência portenha. Pessoalmente, prefiro bairros mais residenciais como Palermo e Colegiales. Mas, até aceito San Telmo por seu valor turístico.

A sala do apartamento do Soho, uma bela alternativa para escpada a Baires.

 

A boa noticia é que, recentemente, juntou-se a onda de boas hospedagens alternativas na cidade, um dos casais mais bacanas que eu conheço. A super uber bloggeira Gisele Teixeira e “su pareja” o extra simpático Argentino Eduardó Baró colocaram “pra jogo” seu aconchegante apto por Palermo Soho, uma das zonas mais bacanas da cidade.

O charmoso apartamento dos amigos Gisele Teixera e Eduardo Baró, a boa dica de hospedagem!

O apto é super delicia, tem um quarto, sala, esmero, capricho e tudo necessário para uma hospedagem confortável na cidade, sem frescuras. Para uma experiência completa, ainda é possível alugar os serviços da LOCAL FRIEND Gi, acredite impossível estar em melhor companhia. E, com muita sorte, conhecer um pouquinho e dividir uma xícara de café, desse casal brazuca-porteño que é um show de simpatia e um manancial inesgotável de belas dicas. Corra para não cair no overbooking. AQUI!

 

O último Tango em Baires

15 maio

No importa cuánto tango hay en tu vida, sino cuánta vida hay en tu tango.”

Depois de minhas primeiras aulas de tango logo quando cheguei aqui, ficou bem claro para mim que um chimpanzé desliza com mais leveza sobre a pista que eu. Incapaz de caminhar e mascar chiclete ao mesmo tempo sou uma dessas pessoas cuja coordenação monotora bate na trave num psicotécnico. Tenho certeza que meus pais colocaram mais ênfases em meu desenvolvimento intelectual que o motor. Aos seis anos eu lia o Manifesto Comunista em Quadrinhos e dava discursos ao proletariado imaginário, mas era incapaz de subir uma escada e falar ao mesmo tempo. Pobre de mamãe e papai me tornei aquela pessoa que quando passa derruba tudo e deixa um rastro de destruição a sua volta mas sem me transformar em cientista nuclear em troca.

Por isso, depois de apenas umas poucas classes dei adeus ao sonho de dançar tango. E , para ser sincera, deixei de dar bola para o gênero. Ei, se não posso dançar não é minha revolução, copia?

Um tango pode ser modernoso…

É um pouco meu momento What da fuck quando chegam as visitas ávidas por um tango a la Brodway com direito a brilhantina, meia arrastão e ingresso em dólares.Não vou,  não pago, te levo ao taxi na esquina, faço até a reserva. Mas, confesso não é a minha. Não é preconceito, alguém já viu algum carioca que curta dar uma de turista num show de mulatas passistas?

Para quem acha que é mole!

Eu sei que o tango vai muito além disso. E tenho amigos que sabem do que estou falando, entendem de tango. Vide minha grande amiga Gisele Teixeira e seu super blog, isso sim é uma especialista. E ainda bem que existem os especialistas. Não é meu caso. Adoro ver um casal de velhos amantes zigzaguear pela pista num clube de bairro. Algo dentro de mim treme com um velho Piazolla. Mas isso é tudo.

Um bom Piazolla…nao gostar é como desprezar uma noite de lua cheia…

Com respeito a velha alma Argentina você terá minha companhia em algumas poucas ocasiões. Nas quartas-feiras no CAFF, para beber até o sol raiar na Peña del Colorado (lembrem-me de fazer um post sobre este lugar), se eu não tiver que trabalhar no dia seguinte na Catedral do Tango, se eu estiver num espirito aventureiro no Lo de Roberto. Que ninguém me interprete mal, não há como não amar o tango. É como não gostar de ver um belo por do sol. Talvez Borges, mas ele era um esnobe.

Mas é possível que eu te siga fácil em um bom show de uma orquestra de tango eletrônico (como te seguiria para qualquer milonga underground). Eu sei que tem muita coisa boa que ficou enfadonha virando musica de novela, propaganda de perfume, mas eu adoro um somzinho diferente. E boa coisa para bloggeiros preguiçosos e ocupados como eu é quando os grandes amigos jornalistas decidem escrever algo sobre o assunto te poupando de toda a pesquisa. Foi o que aconteceu hoje com a ótima matéria da minha amiga Marina Mota, um belo inventário sobre o estilo.

Deixo Marina e seu decibéis tangueros publicada no Valor Economico AQUI!