O Último Elvis

29 maio

“Alguma vez você quis ser outra pessoa?”

Deus abençoe o novo cinema argentino. É uma dádiva não precisar ir ao cinema para assistir a ultima porcaria de Hollywood. Não, não senhores não é necessário imbecilizar-se por duas horas de entretenimento inofensivo. A indústria de cinema argentina está a todo vapor por filmaços imperdíveis que eu não posso deixar de recomendar e celebrar. E, dessa vez, sem Ricardo Darín.

Um senhor gordo que se crê Elvis Presley desenha o enredo das minhas duas ultimas horas de deleite cinematográfico. A aura decadente do Rei, a nostalgia e seu inexplicável carisma estão presentes no sensível thriller El ultimo Elvis, do diretor Armando Bo.

“El último Elvis se centra en un hombre () que vive en un olvidado barrio de Buenos Aires como si fuera la reencarnación de Elvis Presley. Ya a punto de llegar a la edad que Elvis tenía al morir, la decisión de seguir a su ídolo hasta el final y la lucha por evitar que la realidad se le venga encima, lo embarcarán en un viaje de locura y música.”

John Mclnerny, um Elvis impersonator na vida real, está a cargo do papel principal com uma atuação comovente no papel desse homem que décadas após sua morte continua exercendo enorme fascínio sobre as pessoas. Uma Argentina cinza, pobre e cheia de desilusões serve de pano de fundo para uma jornada pessoal e épica. A história do diretor do filme e Mclnerny é tão cativante quanto o thriller. Bo é neto do diretor de nome homônimo que fez fama dirigindo os filmes da antológica atriz argentina Isabeli (Coca) Sarli, a rainha do que seria a pornô chanchada dos hermanos.

 Mclnerny é descendente de irlandeses, de La Plata, e arquiteto e docente por profissão, mas há sete anos se dedicava também a ser o melhor cover de Elvis de toda America Latina.

Bo e Mcnerny, uma estória de filme também.

Bo conheceu o trabalho de Mclnerny por acaso, comprando um CD cover na famosa Calle Florida, o epicentro das bugigangas turísticas da Capital, pensou que daria um excelente coach para o ator que escolhesse para rodar o filme. Mas, depois de ver o carismático Mclnerny em ação mudou de ideia e decidiu designar o arquiteto de quarenta e sete anos para papel de Carlos Gutierrez, um operário de uma fabrica cinzenta, desses aprisionados em uma vida complicada e pobre encontra abrigo na fantasia para suportar a dura realidade de sua existência.

Lisa Marie e Elvis…

Operário pelo dia e Elvis pela noite, pai quando a ilusão de ser Elvis não se opõe, Carlos Gutierrez está convencido que o mundo melhor é Elvis. Destaque também para atuação da pequena Margarita López que tece com Mclnerny uma relação entre pai filha de finas nuances de admiração e decepção em igual proporção.

Vou confessar que sou mais deslumbrada pela fascinação que Elvis exerce sobre as pessoas que por Elvis em si. As teorias de que Elvis não morreu (alias que está na Argentina, vide), as milhares de pessoas que preferem ser ele a si mesmas, os Elvismaniacos que dariam uma mao para vê-lo. E nessa toada Mclnermy leva essa estória cheia de decepção, fracasso e gloria, decadente como o rei, com aquele ar de realeza, cassino, champagne e tragédia que para Argentina também veste bem.

Elvis is everywhere…everybody has Elvis…but the anti Elvis…

Fica a dica de um Love me Tender do cinema argentino que insiste que Elvis não morreu e deixo também meu impersonator favorito o The King, que faz de Elvis uma balada contemporânea. A little less conversation…

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