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Feira do Livro de Buenos Aires: Prazeres mundanos e intelectuais

24 abr

É sempre especial estar em Buenos Aires na época da Feria Del Libro. Tenho memórias antológicas de ocasiões especiais passadas a sombra de La Rural, na Plaza Itália, como o show do Caetano Veloso a dois anos atrás na abertura da Feira. Caetano lotou a Av. Sarmiento em um dos meus momentos mágicos de minha estádia por aqui e fazendo portenhos cantarem como nunca.

A Feira do Livro em Buenos Aires é definitivamente um dos eventos mais esperados do ano no meu calendário.

Domingo vivi mais um grande momento antológico durante minha primeira visita a feira. Eu e outras milhares de pessoas assistimos a palestra de uma das vozes mais lúcidas do século durante mais de uma hora e meia de puro, puro, puro deleite intelectual. Não vou negar que um dos meus momentos históricos favoritos dos últimos anos é a entrega do livro A veias Abertas da América Latina por parte do presidente Venezuelano Hugo Chávez ao yankee Barack Obama.

O rock star das esquerdas Eduardo Galeano é um dos meus escritores favoritos e pelo visto das massas portenhas também.

Ontem, milhares de pessoas aguentaram a primeira onda de frio outonal e filas kilometricas pela chance de ouvir por um par de horinhas as palavras de um homem que acredita, como eu e tantos outros eternamente indignados, que o mundo está de pernas pro ar.

Valeu cada minuto, mestre Galeano.

Difícil definir quem ouvir, o que comprar, quem ver , como o festival de cinema de Buenos Aires, o Bafici, você pode terminar assistindo a algo tão enfadonho como uma ida ao dentista, um filme iraniano que trocaria por duas horas de câncer, ou a palestra da sua vida, uma orgia literária de orgasmos múltiplos como a exposição de Eduardo Galeano domingo, que fez meu lado velha esquerda, militante de mesa de bar saltar de prazer marxista.

Dando uma breve olhada nos convidados internacionais, na minha agenda pessoal e intransferível, minhas recomendações ficam com a palestra do escritor mexicano Carlos Fuentes (01 de maio) e uma escritora que eu acho bacaninha, Sandra Cisneros (05 de Maio), Americana. Mas fora isso tem todo o zum zum zum da feira, as jornadas literárias, os cursos, firma de livros e o delicioso bel bar niente do turismo entre os stands, soltando o cartão de credito por uma boa causa.

Não vou negar que se antes tinha paciência para longas jornadas com nomes pedantes e minúcias literárias tipo Borges- Kafta, similitudes estéticas ( estória real)…hoje me entrego sem culpa aos prazeres consumistas de comprar um bom livrinho ilustrado com projeto gráfico impecável por 100 pesos ao invés de 5 exemples dos clássicos da literatura de bolso no monte a granel.

Carlos Fuentes, imperdivel.

Menos Checov e mais quadrinhos, minha verdade senhores é essa. O ultimo livro sobre Grafiti em Buenos Aires, a nova edição de um clássico beatnik Japonês, aquele livro de receitas Gregas…

Meu negócio com a feira agora é cavucar. Você irá me encontrar agachada entre as prateleiras estranhas como de literatura infanto juvenil tentando encontrar acocorada o ilustrador perfeito entre montanhas de entulho literário, ou barganhando por livros de autores desconhecidos e títulos estranhos.  Eu definitivamente já tenho os clássicos e, verdade seja dita, faz muito tempo que um escritor contemporâneo nao faz girar meu mundo. Durante meu breve tour domingo, ainda passando por espasmos intelectuais pós coito após a palestra do Galeano, encontrei umas perolas.

Durante meu breve tour domingo, ainda passando por espasmos intelectuais pós coito após a palestra do Galeano, encontrei umas perolas como o livro La Venganza Inmortal. Um layout de morrer...

Tenho que confessar sair de lá a feliz proprietária de um livro sobre Mandalas ( que veio com lápis de cor para colori-las) e um manifesto de ódio muito bem editado contra os ex namorados.

 

 

La Venganza Inmoral, tipo de prazer mundando que ando privelegiando sobre os prazeres intelectuais...

Quem nunca cantou “você pagou com traição a quem sempre te deu a mao” que atire a primeira pedra. O livro La Vengaza Inmortal é um típico exemplo do que busca “Gaby” na feira do livro. Estou sempre atenta atrás de uma esquisitice para me resgatar do mundo das anêmonas e Best Sellers. O projeto gráfico tchutchuca, ilustrações geniais e uma compilação de frases venosas que internautas deixaram na pagina (que acho está fora do ar) WWW.dejaleunmensajeatuex.com fazem da primeira compra na feira este ano um achado.

Sinto sua falta, mas meu cartão de crédito não.”

“Me devolve o cachorro, quem o pagou fui eu.”

“Durmo em uma penthouse no 11 andar com vista para rio. E você como anda?”

“Você sempre me dizia que eu merecia algo melhor. Voce tinha razão.”

Tudo isso em letras garrafais, ilustrações de morrer por meros 30 pesitos.

Com isso termino com minha mensagem e um conselho: vagabundear pela Feira do Livro em Buenos Aires, comprar um monte de besteira, assistir a escritores que já estão dobrando o cabo da boa esperança e aproveitar o clima café literário que invade a cidade esta época do ano.

 

Fechas y horarios

 19 de abril al 7 de mayo de 2012

 La Feria está abierta para todo público hasta el lunes 7 de mayo, feriados inclusive, y en los siguientes horarios:

 ◦Domingos a jueves, de 14:00 a 22:00

◦Viernes y sábados, de 14:00 a 23:00

◦Domingo 29 de abril, de 14:00 a 01:00, horario extendido

 por celebrarse La Noche de la Ciudad en la Feria del Libro

◦Lunes 30 de abril, de 14:00 a 23:00

◦Lunes a jueves: $20.

◦Viernes, sábados, domingos y feriados: $26

Argentina crime e castigo, o bafo completo

11 jul

Nem as velhinhas de mayo se safaram do bafo! Hebe Bonafinde, poderosa velhinha no olho do furacao!

Capitulo I – Os Atridas:

Um senhor parricida que enganava velhinhas cujos filhos foram assassinados durante a ditadura. Uma mulher com cinco balas alojadas no crânio cuja família diz ter falecido em um acidente domestico. Uma estrela de novelas gravida de sete meses traindo seu marido com o ex ministro de economia em pleno dia em uma rua de Palermo. Uma jovem assassinada aparentemente por sua colega de apartamento com misteriosas tendências lésbicas. Um chefe de torcida sicário que eliminava sem remorsos seus desafetos. Nem mesmo um Ernesto Sabato poderia ter uma trama tao sordida. Cinzas vulcânicas encobrindo os céus do pais, frio polar e um dos principais times de futebol do pais rebaixado a segunda divisão. A televisão argentina, se espremida, goteja sangue e lágrimas e, desde o ultimo mês, a Argentina eh mesmo o tango que a fez famosa pelo mundo.

Como na Roma antigua: Argentina com erupcoes, parricidios, intrigas, assassinatos, pao e circo!

Pode ser que, passando todo o dia enfurnada numa redação, me de a impressão de que o pais se assemelha, neste momento, a uma novela da Agatha Christe. Mas, realmente, a Argentina estah um bafao so!

CAPITULO II – La Malparida:

Tudo começou com o bafao televisionado da atriz da novela sucesso La Malparida, Juanita Viale, casada com um famoso ator chileno e gravida de sete meses, neta de Mirta Legrand, uma espécie de Fernanda Montenegro argentina, flagrada aos beijos com o ex ministro da economia, um gatinho que atende pelo nome de Martin Lousteau. Vamos centextualizar? Tipo pegar a protagonista da novela das oito, gravida de sete meses do sei la Caua Raymond, aos beijos com o Guido Mantega em frente ao Gula Gula no Leblon!

O bafao foi tão grande e a pressão tão intensa que a avo entrou em depressão ao vivo na televisão e a Juanita deu a luz a um bebe morto. Um bafao digno de tragédia grega e televisionado ao extremo.

Eu sei que eh horrivel, mas La Malparida malparió. Achei uma maldade!

Capitulo III – Paricida e ladrao de velhinhas, quase uma piada.

Depois veio o inesperado: um escândalo envolvendo as mães da Praga de Maio, um símbolo de decência e dignidade, as simpáticas e corajosas senhoras cuja dignidade levavam ao famoso marco da cidade em busca de justiça ate que Nestor Kirchner atendeu suas preces anulando a lei que dava imunidade aos criminosos militares da sanguinária ditadura argentina.

Na foto o escroque Shoklender. Vamos combinar? Ate que a Argentina produz uns viloes interessantes, vide Menem, Ricardo Fort e Mauricio Macri...

Desde então, não as vemos mais todos os sábados no centro da Capital em seu clamor por justiça e sim como uma organização social fortíssima, dona de metade dos espaços que circundam o Congresso argentino, com programas sociais que incluem ate uma Universidade. São poderosseeeerrimas por aqui e também respeitadissimas. Ligadissimas a Cristina Kirchner e inimigas declaradas do grupo de comunicação Clarin – cuja dona aparentemente tem dois filhos usurpados de desaparecidos da ditadura e negavam-se ate pouquíssimo tempo atrás a doar sangue para acabar com o mistério. Aparentemente enganadas Sergio Shocklender, um senhor que era considerado o braço direito da presidente da instituição. A poderosa senhora que se esconde por detrás de um lenço branco, Hebe Bonafinde, que primeiro o defendeu em rede nacional, com os palavrões que lhe são peculiares e o afinco de uma mãe. Posteriormente, se disse enganada e por fim agora esbraveja em rede nacional para que Sergio Shokelender, o “estafador”, seja condenado. O caso não eh estranho aos brasileiros, acostumados a escândalos de corrupção, começam a aparecer o aviãozinho, a empreteirinha, os apartamentinhos, os barquinhos, tudo as custas das casas populares que as mamas de maio dão aos pobres.

A nao...as mamaes de maio nao....

O passado do camarada também começou a emergir. Nao contente em ser apenas escroque, corrupto e ladrão, eh também paricida. Ele e o irmão mataram os pais a golpes de barras de ferro. Existem relatos de abuso sexual por parte da mãe em um enredo que mistura detalhes sórdidos que renderiam um bom filme Bertolucci-Hirtchcook style. Vale a pena ler a cronica dos acontecimentos AQUIII!!!! Para tango eh gráfico demais!

Vamo combinar? Agatha Christie iria adoooorar a Argentina!

Capitulo IV – Nao foi o mordomo

Outro caso em juízo eh o da família Belsunce. Daria uma bela novela de suspense. Alias, digna de uma obra de

Caso Belsunce: "acidente domestico" com mais envolvidos que gente na Argentina!

Agatha Christie, mas aqui não seria o mordomo o culpado e nem o detective Poirot poderia acabar com o mistério. A família parece estar toda envolvida no suposto “acidente domestico” da sociologa em 2002. María Marta haveria morrido em um acidente domestico segundo a família no banheiro da mansão em que vivia num Country num bairro de classe media alta da capital. Ate ai tudo bem, não fossem as seis balas alojadas em seu crânio que a família tentou disfarçar e que o medico que contratou “falhou” em ver. O mais surpreendente da estória eh que o crime parece ter mais cúmplices que gente na Argentina, tem irmã, irmão, papagaio, massagista, vigia, medico, todo mundo no balaio dos que encobriram o suposto autor do crime, o marido da vitima. Para quem tiver essa curiosidade mórbida que, vamos confessar, ataca quase todo mundo vale a pena conferir a comunidade do Facebook para o caso AQUI!

Capitulo VI – Quem tem amigo tem tudo

Um crime escabroso que tem dominado as manchetes daqui eh o “Caso Solange.” Eu juro que não estou juntando tudo no mesmo balaio, são todos casos abertos, com julgamento acontecendo neste momento.

Lucila: Acusada de matar a coleguinha em um rompante lesbo-invejoso!

Confesso, que a curisiosidade morbida que reside em algum lugar do meu “ nao tem mais o que fazer” do meu ser adora acompanhar de perto o bafao todo.

Melhores amigas, mas terminou mal!

Aparentemente uma amiguinha matou outra – Lucila Frend e Solange viviam juntas – com não sei quantas dezenas de punhaladas (consideram que pode haver sido um garfo) em um ato de ódio. O toque de insólito eh dado por uma perita que disse que o crime tem requintes passionais levantando duvidas obre a sexualidade da coleguinha Lucila. O caso eh cheiro de contradições. Pessoalmente, Lucila parece metida nessa ate o pescoço. Mas o interessante eh como o caso mexe com certos preconceitos da sociedade Argentina. Muito se fala que haviam pedreiros trabalhando em obras perto. Ate agora nenhuma só evidencia de que seja o caso de um estranho entrando na casa. Mas, o imaginário argentino adora pensar, não vamos negar, que haviam “bolivianos” ou “peruanos” de obreiros para explicar algo que eh demasiado complexo para o entendimento publico. Atencao, nem todo Argentino eh racista assim como em toda brasileira eh bunda, como diria Rita Lee. Mas, esta deficiência de caráter esta presente, como em muitas sociedades, onde há uma entrada substancial de imigrantes. Mas, a verdade eh que Lucila esta cada vez mais complicada.

Um dia negro para o esporte argentino, assassinos de arquibancada!

Capitulo VII: Chefe de torcida e sicário

Futebol na Argentina, como no Brasil, eh assunto serissimo. Mas aqui, as torcidas são mais organizadas. Organizadas inclusive no crime. Os “Barras” ou “barrabravas”, verdadeiros hooligans argentinos, são um fenômeno social particular por aqui. Nao são necessariamente violentas, mas sim podem tornar-se.

Alan Schlenker, playboy, chefe de torcida e mandante de assassinato nas horas vagas...

 Os irmaos Alan Schlenker e William Schlenker entraram para historia futebolística do país como suposto autores do primeiro crime encomendado de torcidas organizadas no País. Parte do núcleo duro de um dos maiores clubs argentinos, o River Plate, os Shlenker são acusados de diversos crimes, o mais celebre o assassinato por encomenda de Gonzalo Acro, um carismático líder de torcida, do próprio time abrindo discussão nacional sobre a violência entre os barrabravas. Para quem saber mais sobre os bad boys do River clique AQUI! O julgamento ta no ar!

O impensavel: River cai, Boca, o rival, faz a festa!

CAPITULO VIII: Tragedia Greco-romana-argentina-a-vaca-foi-pro-brejo-nacional!

Falando em violência e futebol, nada poderia ter preparado o pais para o que aconteceu num domingo no estádio do River, em Nuñez, Buenos Aires, quando um time considerado inexpressivo se comparado ao River Plate ( o Belgrano de Cordoba) levou o time a segunda divisão do futebol argentino e a humilhacao de milhões de torcedores que há semanas ja choravam de medo e indignação pela situação do clube.

Eu nao queria estar na pele dos guardinhas...cenario de guerra!

Ha semanas, via meus colegas discutindo o assunto ( eu sempre quietinha, um Brasileiro aprende a não manifesta’-se por questões futebolísticas na Argentina). Segunda-feira, depois do jogo de domingo, o clima era de velório, nas ruas, no metro, no ônibus e na redação. Aqui no Ambito, grupo para qual trabalho, eu entrei na ponta do pé e me sentei queitinha porque o povo não tava pra conversa. Se o clima o dia seguinte não era bacana, o cenário nos momentos que se seguiram a derrota de River e descenso histórico a série B foram de guerra. O quebra quebra foi geral. Sobrou ate pro guarda Belo. Nao teve um só guardinha que não tenha tomado pelo menos uma pedrada. Uma so loja na zona da Av. Libertador de Nuñez que nao tido seu vidro estilhaçado. Barricadas de fogo, mangueiras de alta pressão na torcida ( atencao frio de pouquíssimos graus), pancadaria, choro e destruição. Alias, a comoção foi tanta que o jogo terminou antes de cumprir 45 minutos do segundo tempo e com vários minutos de sobra. Mas, por ai já estava claro que o bicho ia pegar.

River a la B: eH GUERRA CIVIL!

Os torcedores já começavam a se abalancar sobre os alambrados, choro, incredulidade, desespero e ira tomaram conta da torcida vermelha e branca do River, enquanto a massa azul celeste e branco do Belgrano se sacudia em êxtase. Logo depois veio a tensão logística de como retirar –  sem trazer abaixo o estádio – os torcedores.

Torcedores do River se desesperaram....

Primeiro os do River que, a este ponto já estavam depenando o estádio praticamente com as unhas e que gritavam ao campo vazio depois que os jogadores foram retirados debaixo de uma chuva de paus e pedras, ilesos por milagre. Milagre daqueles que faz parecer a abertura do Mar Vermelho por Moisés um mero golpe de sorte. Depois, como retirar os torcedores do time vitorioso?

Goleiro do River chora o leite derramado...

Como deixar que aqueles enlouquecidos de jubilo se encontrem com os humilhados de River? Resposta: garantindo que de NENHUMA MANEIRA eles se encontrem! Os torcedores do River SAEM ANTES e, três horas depois, depois de não sobrar pedra sobre pedra para contar estória saem os “piratas” os torcedores do Belgrano.

Torcida do Belgrano, a tarefa quase impossivel de sair do estadio sem serem trucidados!

Para não dizer que estou exagerando, deixo aqui o IMPRESSIONANTE vídeo de um torcedor assistindo ao jogo que levou o River ( o equivalente de um dos maiores times argentinos, tipo um Flamengo, um Vasco…talvez mais) em seu ataque de fúria que causou frisson aqui na redação. Eh longo mas eh incrível! IMPERDIVEL, VEJAM!

Vou confessar: cada dia me apaixono mais por este pais. Por debaixo do aparente laconismo reside toda a loucura e paixão peculiar a este quinhão de mundo. Sou jornalista porque adoro uma confusão. Como diríamos no Brasil: A-do-ro um bafao! Estou no lugar certo.

El Gran freaky show argentino, para los bajitos!

17 maio

Este es el show de Xuxa, y los saluda con amor./ Es la hora, es la hora, es la hora de jugar

Xuxa e Gimenez, um encontro de titas.

 El gran freaky show argentino tem importes brasileiros. Domingo à noite na Capital e, enquanto nos sentamos como jamantas sobre alimentadas depois do tradicional almoço tardio de domingo dos expatriados brasileirosem Buenos Aires, alguém tem uma brilhante idéia: assistir no youtube o programa em que a Hebe argentina, Suzana Gimenez, recebe Xuxa que foi ao ar na ultima sexta-feira. A relação da Xuxa com a Argentina não é de hoje. A apresentadora tem uma longa historia de amor com los bajitos argentinos. E, aqui, para constrangimento dos brasileiros presentes é comum terminar a parte mais ébria de uma festa com Ilarie em espanhol em um momento temido pelos brazucas em que a vergonha alheia supera os níveis aceitáveis.

Tyson: agora cria pombinhas e danca em show argentino.

A televisão argentina sempre me surpreendeu, mas não satisfeita com a quantidade de basura local anda importando estrelas decadentes do exterior, como será o caso do programa Bailando por um sueno, um clássico da programação trash hermana que, como nossa Dança com Famosos, supera todos os limites do mau gosto. Para a nova temporada, que começa este mês, importara figuras como Mike Tyson (que na semana retrasada ganhou capa da revista dominical do jornal Clarin e uma entrevista insólita na qual exibe seu hobby excêntrico de criar pombos), Pamela Anderson e Ronaldinho Gaucho. Será um freakyshow que eu, e a parte de mim que tem gosto duvidoso, não perderemos.

 Duelo de Titãs – Vestida com um modelito que mesclou Morticia Adams com Mad Max, Xuxa entrou resfriada num auditório onde fans histéricos gritavam canções clássicas do repertorio da loirinha agradecendo com leves acenos já que o figurino lhe dava a mobilidade Stephen Hawkings. Para encontrar-se com a Hebe argentina (com a mesma posse de eu comecei na TV Excelsior), a divina Suzana Gimenez, semi mumificada por incontáveis plásticas, embalsamada em água oxigenada, mas com o humor intacto pelos anos. Mas, Suzana Gimenez não é nenhuma Hebe queridinha, ex modelo, com a vida amorosa mais movimentada que Suzana Vieira, Gimenez já foi casada e namorou montoneros, mafiosos, boxeadores (entre ele Carlos Monzon, condenado por matar a mulher), charlatões e trambiqueiros  de todos os calibres. Imputada varias vezes por envolvimento em toda espécie de sonegação de impostos, esquemas e ate narcotráfico, Gimenez é bem mais divertida que nossa Hebe cujo auge da picardia foi roubar um selinho do Roberto Carlos. Declarações polemicas, e ate disparar com o que é um consenso universal, como os direitos humanos, a senhora já fez.

Gimenez dispara contra os direitos humanos, todos tem que escolher uma luta...

O encontro de titãs nos levou ao delírio no domingo a noite em um momento em que a indiscrição argentina encontrou a candidez brasileira e produziu instantes históricos para as relações dos dois países. Xuxa falou de sua relação com a Argentina, seus projetos e outras coisas enfadonhas mais, no entanto, os melhores momentos aconteceram graças à indiscrição argentina e a boca louca das duas apresentadoras. Em um dos melhores segmentos do show, quando perguntada se realmente dormia sob a gélida temperatura de 9 graus Celsius, Xuxa respondeu positivamente, mas que dormia sob um edredom de pena de ganso. O espanhol da loirinha é bem bonzinho, apenas que pena em espanhol é pluma e Susana entendeu que a mocinha dormia sobre pene de ganso (penis de gansos). Explicando posteriormente que pene era pitulin em meio de extravagantes gargalhadas. Um dos momentos mais sem noção da televisão argentina. Vale muito à pena (no a pene) conferir este momento.

Falando em sem noção, a falta de conexão das duas com o que é uma vida real produziu outros instantes memoráveis com direito a teleconferência Sasha que, segundo palavras de Xuxa, é muito humilde. Tão humilde que, abismada com a mansão em que vivia, pediu um apartamento mais modesto, onde pudesse almoçar com vista pro mar e perto de seu colégio. Atencao mamae, se voce estiver me lendo, eu tambem sou modesta!

E entrou para historia como uma das poucas brasileiras de 12 anos já com vivenda própria. Ah, tem seu próprio carro também. Sobre Ayrton Senna, Xuxa disse que estava em contato com ele e que o veria depois da corrida que o matou, descartou Adriana Galisteu, entre outras indiscrições mais.

Depois dos vídeos da Xuxa no youtube, nos dedicamos a ver o episodio em que o menor homem do mundo, um anão com voz de balão de gás, contava sua historia de vida a Suzana Gimenez. Domingo a noite na capital, se você não tem o mais o que fazer, prenda la tele e descubra como uma das populações mais eruditas da America do Sul tem também a televisão mais baixa do continente. É inexplicável, por vezes lamentável, mas, de uma maneira geral, muito divertido.

Marta Minujín, a guerrilheira do efêmero

21 nov

 

Minujin na capa da revista dominical do Clarín

 

“Cuando empecé a tomar LSD, decidí abandonar el mundo de las galerías e internarme en la experiencia psicodélica, pero a fondo, como hice todas las cosas”

“Vomitar, vomitar, vomitar, eso es lo que el artista tiene que hacer”

Parece a Donatela Versace, mas nao é...

Gosto de gente que tem sua própria estética e cadeia de valores. Num mundo cada vez mais preocupado em que as pessoas sejam plausíveis, aprecio cada vez mais as que se reservam o direito de serem absurdas. Marta Minujin é uma dessas e uma verdadeira figuraça argentina. Não se assuste com a estética, meio Donatela Versace, meio Lady Gaga geriátrica, meio Elke Maravilha dos Pampas, nem com o excesso do que parece ser bronzeamento artificial, em Marta, como em sua obra, vigora a ditadura de sua própria noção estética, tão particular quanto suas performances. Dona de incursões ora provocativas ora divertidas, ora insólitas, Minujin é a musa pop da arte argentina, uma “guerrilheira do efêmero”  com seus “happenings”artísticos, como define o jornal Clarín. Nada é simplório nas aparições das artistas, suas performances são sempre suntuosas e podem envolver cavalos, coelhos, pombos, milhos, morangos, panetones…

Vale tudo na arte de ser feliz de Marta Minujin. Cheias de humor e surrealismo Marta rompe a fronteiras do possível com ironia e irreverencia. Paga a divida externa argentina com milho a Andy Warhol, constrói uma replica do obelisco em panetone, uma da estatua da liberdade em morangos, a Venus de Milo em queijo, um Paternon em livros cujos títulos foram censurados pela ditadura, queima suas próprias obras (em uma cerimônia com artistas franceses que inclui  500 pombos e cem coelhos, não que tenha acontecido nada com os animais) e chega a tacar fogo numa replica de Gardel e assim vai. Qualquer espetáculo é pouco para Marta que costuma a incluir espectadores em suas performances. Qualquer critica- irreverência – arte para Marta não é mera coincidência. Rainha da psicodélica e ironia, Minujin é a Madona da arte argentina: pop, midiática, intrigante e provocadora.

Um obelisco de Panetone, a visao irreverente de Marta

Minujin é hoje capa da revista dominical do Jornal Clarín por ocasião da abertura da exposição que fará uma retrospectiva de sua carreira no Malba. Simplesmente imperdível.  A mostra traz a obra da artista entre os anos 1959 e 1989 com mais de 100 obras e estará aberta ao público de 26 de novembro ( inauguração oficial dia 25, 19hrs) a 07 de fevereiro no Museo de Arte Latino Americano de Buenos Aires (Malba), Av. Figueroa Alcorta 3415. Não percam a oportunidade de conhecer essa grande figura argentina! Como diz Minujín: “Todo es arte”.

10 razoes para Ammmaaar a Argentina:os guapos da política

28 ago

Esqueça o Sarney, o senador Heráclito Fortes, o Serra, o Arruda, Itamar Franco e a até Lula, tantos políticos de estética duvidosa. Políticos na Argentina são tão malandros quanto, ou mais, vão no jeitinho la garantía soy yo, mas são lindos. Eu que já assistia sem piscar tooodos os informes econômicos do ministro da economia Amado Boudou (Amadinho Bou Bou) ganhei um incentivo na semana passada. É o jornal La Nación que publicou um ranking dos cinco políticos mais tchutchucas da Argentina. É maquiavélico. Ganharam meu voto. Confira os top Five da tribuna:

O governador de Salta, Juan Manuel Urtubey

 

O legislador portenho, Gonzalo Ruanova, 32 aninhos

 

O ex ministro da Economía de Cristina Kirchner, Martín Lousteau

 

Adrián Pérez, um dos mais novos deputados da Argentina

 

Boudou, para mim voce é número um! (ps: essa foto nao faz jus)

 

Mençao Honrosa:

Alfonso Prat-Gay

 

Só lembrando, enquanto isso no Brasil:

Estou morrendo de saudades do Brasil: Senador Heráclito Fortes

Mendoza: Decance avec Elegance

15 ago

Nada te prepara para os Andes...

Minhas previsoes se confirmaram. Esta manha quando me levantei  trazia comigo minha primeira ressaca mendocina.  Nao sei se foram os ares da montanha ou as jarras de vinho e, posteriormente o Fernet, mas eu fiz da jaca uma pantufa. Tudo comecou com um jantar super inocente nessa Pulperia incrivel, chamada El Palenque (Av Villanueva Aristides 287),  onde comemos as melhores batatas fritas e empanadas que ja comi na vida.

Se montanha eh sua paixao, Mendoza eh seu lugar

Alias, Mendoza esta batendo recordes com frequencia. Soh hoje, ja nos olhamos umas dez vezes para dizer “ eh o melhor que ja comi, que ja bebi, que ja vi”. O penguino, uma jarrinha em forma de Penguim muito tradicional na argentina, que normalmente traz o vinho da casa, entrou nesse Gabi’s book of records tambem.  E foi assim que minha ressaca de hoje comecou ontem. Encorajada pelo o vinho, resolvi alargar a noite no bar que os meninos do albergue sugeriram: Por Aca bar. Mendoza esta cheia de duplos sentidos. Era o comeco do meu fim porque o alcool, antes de matar, humilha.

Paisagens de Mendoza sao liricas...

Existe inegavelmente um climinha de alta montanha em Mendoza diificil de explicar. Ja vivi sensacoes semelhantes em lugares que sao ponto de partida para expedicoes e esportes radicais. A impressao eh de festa no campo base. Alpinistas, turistas e locais se misturam e criam estes ares de montanha club social que, em Mendoza, se estende por toda a movimentada rua Aristides Villanueva.  

Alta montanha social club

O tal do “ boliche” ( boates e lugares de diversao noturna em geral se chamam assim na Argentina) tinha uma trilha sonora de arrebentar. Comecou com um pouco de clima festa na High School, mas logo uma faixa etaria mas adequada tomou conta da pista. Dancei todo tempo ao lado de uma parede que tinha um Kurt Cobain em tamanho real festido de cheer leader. I know it’s only rock n roll but I like it!

Termas de Caucheta, foi preciso coragem para nos unirmos a esse pessoal ai

Como ja haviamos combinado, resolvemos levar a cabo o plano de boiar o dia todo nas Termas Caucheta. Essa eh minha primeira grande dica. As termas de caucheta consistem em lindissimas piscinas de pedra com agua borbulhante termal em um cenario estonteante, perigosamente beirando o abismo, e cortejando de perto pontudas montanhas, que  parecem que vao se derramar no vazio. Ha piscinas dentro e fora. Foi preciso tirar coragem da minha reserva de bravura para entrar nas piscinas abertas, mas nao ha nada que se compare a boiar numa piscina quentinha a poucos metros de uma montanha nevada emoldurada por um profundo vale invernal –  desses pintados desses tons sutis de cinza e beje. Se soubesse que havia este lugar, teria entrado ha tempos na minha “top coisas a se fazer nessa vida”. Como o destino de todas piscinas abertas ao publico parece sempre ser o de afarofar-se, existe uma leve tendencia a isso nas piscinas internas das Termas. Mas, vi o capricho dos funcionarios zelar pelo lugar de maneira classuda, achei digno. Decadence avec Elegance.        

Cacheuta: a vista

Pegamos um onibus comum do terminal de Mendoza pela bagatela de 5 reais ida e volta. A viagem dura aproximadamente uma hora. Mas, nao recomendo no inverno. Nao tem calefacao e na volta tive caimbras devido ao frio no interior do onibus. Alias, o frio eh uma  coisa que nao parei de sentir desde que cheguei. Ja nao lembro o que eh sentir calor.

O melhor lugar para se ter uma ressaca...

De maneira maior ou menor, estou sempre com frio por aqui. Vale a pena investir no modelito boneco de neve para nao passar de amador como eu. No caminho, vinha pensando como apesar da intensa vida noturna, Mendoza nao tinha muitos atrativos e talvez tenha me adiantando ao marcar tantos dias na cidade em meu apertado calendario quando a paisagem me deu um tapa de luva. Montanhas sao o desejo de megalomania da natureza. E eu, ja disse aqui varias vezes, sou loucas por ela. Mas, nada te prepara para dar de cara com uma parede de pedra que perfura o ceu em formas tao variadas e soberanas que nao te deixam outra opcao senao pensar dentro de niveis distintos de consciencia que a natureza eh de onde o homem veio e para onde ele vai. Eram dezenas de montanhas intercaladas por cenas natalinas, ternas, pequenas chamines lancando silenciosamente fumaca para fora de casebres, encostas cobertas de neve, arvores testemunhando o vento, tudo em uma paleta de cores que jamais seria capaz de descrever. Depois de boiar umas horinhas, fomos explorar a regiao, e vejam soh,  comer a melhor carne que ja comi na Argentina na Parilla que fica a poucos metros da entrada das termas. Vai pro recorde.

" Eram dezenas de montanhas intercaladas por cenas natalinas, ternas, pequenas chamines lancando silenciosamente fumaca para fora de casebres, encostas cobertas de neve, arvores testemunhando o vento, tudo em uma paleta de cores que jamais seria capaz de descrever."

 Nos divertimos na ponte pencil que se extende por cima de um rio no fundo de um vale.

A ponte e o vale

 “ Uma ponte pencil que se extende por cima de um rio no fundo de um vale” dispensa outras observacoes, adjetivos e parabolas. Eh simplesmente lindo. A volta foi dolorasamente fria, vim consolada pelas montanhas ate o anoitecer, depois nos deixaram a merce do clima, inospito. Mendoza eh, neste noite de inverno, um sonho com um pouco de elegancia e decadencia, na medida da certa, do jeitinho que eu gosto.

10 Razoes para Amaaaaaaaar a Argentina: Ricardo Fort outra vez

9 jun

Fort no fundo do poço

 

Pobrezinho!é inveja Fort, inveja do seu sucesso!

Aguantaaa Fort!

 Desculpem-me caros leitores, eu deveria me dedicar a quarta razão para amar a Argentina. Falar dos encantos desse belo país, outro personagem onírico (como a Suzana Gimenez, virá!!!), algum novo programa de TV que me faz rir até quase cair do segundo andar do loft, de alguma mania argentina de tirar do sério ou da última do Maradona. Mas, Dieguito não bateu em nenhum jornalista em Pretória ainda, não apareceu cheirado ainda, não foi mordido por outro Sharpei  e enfaixado  por Fidel, e eu não consigo parar de acompanhar as ultimas do Fort. Estou viciada em Fort!

Eu não sou culpada! Sou fruto da mala programação da TV argentina que de cada três canais dois exibem algo sobre El Fenômeno Fort! Fui manipulada pela indústria cultural de massa e agora só com “rehab” para me livrar do péssimo habito adquirido de ficar pendurada nesse chiclete para os olhos que é a “tele basura” argentina. Eu sei que sou uma moça culta, lida e viajada, com nível de mestrado, mas confesso que troquei meu Ricardo Piglia por outro Ricardo!

Nao basta ser rico, tem que ter berço

Para quem não acompanhava este blog (shame on you!) eu explico: Ricardo Fort é o herdeiro da fábrica de guloseimas Feltfort. Riquíssimo, jura que é hetero que nem Ricky Martin jurava, parece o cruzamento de Bob, o namorado da Barbie , Clóvis Bornay ( Gala Gay) e Johnny Bravo resultando na mutação genética mais estranha desde daquele filme de sessão da Tarde, A Mosca.

Bota o dedo aqui quem pre-ci-sa saber onde compra esse rimel!

Vive nos realities shows de bafóm em bafóm, proclamando seu grande amor pela literatura (e por literatura entende-se o Segredo I, II e III), e ainda por cima é juiz do pior programa de “Dança de Famosos” daqui, um misto de Broadway encontra Gaiola das Loucas na Cracolandia, com a decadência de showzinho de boate de puta em Copacabana e o figurino do Mad Max, pero em colores!

 

Na Argentina, mais na moda que o Brasil, o jogador Messi,  a camisa flanelada, o Bicentenário, os restaurantes peruanos na capital e o filme o Segredo de seus olhos, está achincalhar Fort.

 Nas últimas semanas, sua astróloga foi a televisão xingá-lo,  a atriz principal de seu musical na Corrientes rechaçou suas investidas amorosas em frente das câmaras, seu produtor foi achado morto ( e a televisão argentina culpa Fort pela depressão que atravessava o

Macho que é macho beija homem de lingua!

 defunto), seu advogado de iami foi a telinha dizer que Fort lhe devia milhões, fotos dele beijando outros chicos inundaram a internet e,na mala tele, um dos concorrentes do show no qual é jurado fez um tour nos canais acabando com a figura do herdeiro.  

E ontem teve Fort sua proposta de casamento a ex namorada, Virginia Gallardo, recusada em rede nacional. Nas semanas anteriores ele já havia sido rechaçado por Violeta Lo Re ( que aparece indignada nos bastidores do show no vídeo abaixo), Silvina Escudero y Jésica Cirio. Uma das explicações de Virginia para a negativa é exatamente a tentativa de união com outras mulheres na semana anterior.

Casal modelo, literalemente!

A explicação de Fort é contundente, nem vale à pena traduzir para não perdermos nada na retórica. ““Violeta es pasado. Lo que pasó la semana pasada pasó la semana pasada. Llega un momento en la vida en la que uno se da cuenta lo que hizo mal. Ese punto llegó y no quiero seguir haciendo mal las cosas”. Afinal, uma semana é muito tempo, não é mesmo?

Assista um pedacinho aqui:

Traduçao: Fort pede Virginia em casamento, apresentador sai chocado, Fort contesta a versão da moça que diz estar surpresa com a proposta, Fort sai chorando para fumar um cigarro, aparecem uns negoes sul africanos ninguém entende bem porque, Fort explica sua indignação.  

No fim a moça chora, o galã volta e tudo termina em abraço e semi valsinha ao som de um R&B romântico. Eu adoro o amor na era do Big Brother. Assim ó tão fácil, tão rápido…

Nenhum golpe de publicidade, tudo é tão sincero.

Esse é curtinho ( curtam a suspirada final do moço)