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En esta tarde Gris

10 jun

 Ninguem entra e ninguem sai. Buenos Aires anda meio esquisita. O inverno definitivamente chegou para ficar. Sonolentos portenhos se arrastam para o trabalho durante as frias manhas e no vagao do trem o desanimo, frio e sono tomam conta da cara dos passageiros.

Para piorar a situacao a erupcao do vulcao Puyehue-Cordón Caulle fez da cidade um enoorme cinzeiro deixando todo mundo ilhado. AEROPORTOS FECHADOS!O regime eh: ninguem entra e ninguem sai!

Os dias estao feios e escuros, embora as cinzas cheguem apenas as camadas mais altas da atmosfera. Eu mantenho bom humor com pequenos prazeres invernais como comer Fondue ( minha recomendacao La Rosadita Thames1696), mas nessas horas nao resta mais nada que tocar um tango, ou um tango-flamenco nesta tarde cinza!

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ONDA VAGA: Fuerte e Caliente!

16 abr

Onda Vaga, la Buena Onda...

Buenos Aires estah no roteiro internacional das grandes metrópoles do mundo. Mas, vivendo por Palermo, e outros bairros centricos, ainda tenho a sensação as vezes que há um diminuto mundo como aquele que acontece como nas pequenas cidades, com seus músicos próprios, pequenas celebridades que transitam pelas ruas junto aos outros transeuntes, mitos e verdades, vizinhos, conhecidos e desconhecidos numa mescla de província e metrópole como em poucos lugares do mundo. As vezes, me sinto vivendo em uma maquete.

Forte e quente!

Minha Buenos Aires, naquela em que convivem Liniers, Kevin Johansen, também Cristina Kirshner e Mauricio Macri, celebridades nacionais e internacionais, aonde vai Ricardo Darin a Parrilla , eh tão plausível e palpável como aquele Rio de Janeiro onde se divide um coco na orla com Chico Buarque. Buenos Aires e seus heróis não são inatingíveis, pelo contrario, o desenlace das estórias acontecem pelas ruas de Palermo Soho, aquelas com eterna cara de outono, onde músicos sobem ao palco ovacionados e voltam a casa sozinhos com seus violões nas costas caminhando languidamente sob as veredas de arvores de Palermo Viejo. De certa maneira a cidade nos encolhe e aumenta de acordo com seus caprichos e não importa o que você fez durante a noite, no final você é mais um voltando meio embriagado em busca da Santa Fe, a avenida que sempre te leva a casa.Venho depois do show do Onda Vaga, sentindo a cidade como um lugar acolhedor e meu, depois de um difícil recomeço, pensando em apresentar no blog mais uma celebridade local. Fazendo as pazes com Buenos Aires, minha recreacao romantica com requintes passionais.

Lembrei-me da banda little darling da minha cidade, Moveis Coloniais de Acaju:

O grupo Onda Vaga e mais um das little darlings da Capital Argentina. A banda local que vai ganhando  mundo, mas que segue sendo um grupo querido pelos jovens da capital, daqueles que para seus shows juntam aficionados locais e curiosos que descobrem mais uma surpresa boa da capital. Com um som Manu Chao encontra a banda candanga Moveis Coloniais de Acaju, uma noite de fogueira encontra microfones, um grupo de amigos encontram um palco.

Como num churrasco de amigos...

 Um Show do Grupo Onda Vaga, faz de uma visita a Buenos Aires uma jornada ao seu coração provincial. Aquele em que bons amigos se juntam para comer um asado ( bom e velho churrasco) e fazer um som descompromissado. No final, são apenas bons meninos curtindo fazer um som juntos. O resultado é quase sempre um show alegre e bem humorado, como uma festa de torcidas, com gente cantando em coro, pulando e confraternizando como em um almoço de domingo.  Por aqui, eles ja sao pequenas celebridades, levando sua pequena legiao (boa parte feminina) de fas a loucura. Nao vou a nombrar ninguem, mas tenho amigas apaixonadas pelos “pibes” da banda, dessas que passam o show gritando “Hacerme un hijo!!!!!!!” ( me faca um filho!!!). Realmente, a energia eh tao boa que da vontade de levar os meninos para conhecer mamae.!!!Onda Vaga eh, como dizemos por aqui, Buena Onda Total!

Fica a dica do site dos meninos para os próximos SHOWS AQUI!

A recomendação para um link e um pequeno documentário descompromissado como a banda, eh a melhor forma de conhecer o trabalho deles sem ir a um Show. VEJA AQUI!

As piores e melhores exportacoes…

15 abr

Ha algum tempo virou moda por aqui a chatissima cancao LLora, me llama, ou Chama , me liga da dupla sertachatos Joao Bosco e Vinicius, mais um franchising de duplas insuportaveis do ritmo. Um cover de uma musica que  ja eh enfadonha em portugues e que em espanhol e com ritmos de cumbia fica pior ainda. Toca nos taxis, supermercados, nos radinhos espalhados pela cidade somando a vergonha brasileira que ja sentimos quando certos pagodes chegam por aqui. A versao cumbiera eh do grupo mexicano PLAY.

A boa noticia eh que os Argentinos nao sao tao suceptiveis a nossa exportacao de porcarias. Eles gostam de bossa, MPB, mas as vezes deixam passar alguma cancao chiclete, algum axe daqueles que nos fazem esconder a Brasilidade.  Mas, classicos brasileiros ganham versoes superbacanas como o cover da musica do Cazuza O tempo Nao Para que a Banda Bersuit fez ( desconto para o sotaque alemao do vocalista quando arrisca um portuguesinho!!!) . Nao se assuste se for a uma festinha argentina que termine em Ilarie  da Xuxa, eh o momento bebedeira , algo parecido com aquele momento Claudinho e Bochega, Fagner Voce eh luz, raio estrela e luar que acontece quando o alcool ja substituiu o teu bom gosto e discernimento musical. Mas, de uma maneira geral, ha esperanca para os ouvidos argentinos e para o meu…

All that Jazz

18 nov

Começa no dia próximo dia 03 o Festival de Jazz de Buenos Aires e eu acho um gancho para falar de um dos (senão o mais) meus estilos musicais preferidos. Existem poucas coisas no mundo que fazem tão feliz quanto escutar um bom jazz. Sou daquelas que fecha os olhos, deixa pender a cabeça e balança os pés em um ritmo semi autista que me deixa anti social durante as Jam sessions. E a Capital está cheia deste som envolvente feita por músicos intrépidos que pelas noites enchem a cidade desse zumzumzum macio. Eu sei que existem centenas de boas casas de jazz na cidade, mas eu mesma só conheço e freqüento algumas. Gosto muito das que são feitas por músicos que se somam depois do trabalho, depois de suas jornadas diárias, como Clark Kents musicais, mudando de identidade para abraçar o jazz como é o caso do Ladran Sancho  (Guardia Vieja 3811) .

Nas Jams, que acontecem as terças feiras, os músicos vão somando-se aos poucos e com uma espontaneidade raramente vista em outros lugares. O resultado é quase sempre espetacular. Eu acho que já falei disso aqui, mas não me esqueço nunca do baterista cotó que fazia com meio braço o que bons bateristas não fazem com dois. Outro lugar muito tradicional na cidade é o Thelonious ( Salguero 1884, piso 1). Um lugar extremamente digno e descolado recebe quase que diariamente jazzeros dos quatro cantos do mundo. Um bom bar para ir de casal, curti um drink, uma aura blasé e escutar um jazz educado. Outra referencia é o espaço Notorious  (Callao 966) que tem uma programação consistente de Jazz e graças à iniciativa Club Brasil, de Bossa Nova também.  Deixo aqui também o jazz que escuto em casa, o canal Accujazz de rádio online com dezenas de variações de jazz para todos os gostos, de todas as vertentes, eras e instrumentos. O menu é de dar água na boca para os fanáticos pelo ritmo. Só saxofone? Tem. Piano? Vamos! Old School? That could be arranged!É uma brincadeira e tanto passar o dia descobrindo os canais do Accujazz. Um must!

As entradas para o Festival de Jazz de Buenos Aires já estão sendo distribuídas/vendidas  no site www.festivales.gob.ar  ou  pessolmente na Casa de la Cultura (Av. de Mayo 575) e no Teatro 25 de Mayo (Av. Triunvirato 4444), de segunda a sexta-feira  de 11 a 19 hs. Além dos recitais, a programação inclui ainda workshops e sessões de cinema. “Personalmente” eu vou atrás das entradas para a abertura no dia 03 de dezembro quando tocam Mingus Dynasty, Frank Carlberg & Christine Correa no Teatro Coliseo.  Acho a voz da indiana naturalizada norte-americana um dos highlights do festival.

Christine Correa: voz sublime, um dos highlights do festival

Deixo aqui um videozinho de Cortázar falando do Jazz. Estou com ele que diz que o “jazz é uma espécie de presença continua”.  Jazz me up Buenos Aires!

Down with by Baby

10 nov

Hoje realizo o mini sonho de ver o cantor Kevin Johansen e o ilustrador Liniers ao vivo. A proposta é simples: Kevin canta e Liniers desenha. O show acontece no Teatro Gran Rex e é meu presente de aniversário de um grande amigo. Os dois sào figurinhas carimbadissímas na cidade e eu vou me livrar da frustraçao de ter perdido o show dos dois no começo do ano por pura “boludez”, como dizem por aqui. Deixo uma historieta e um videozinho para quem nao os conhecem.

Every Breath he takes

10 nov

Tomara que chova!

Meu primeiro impulso é chorar. Nos últimos tempos tenho sentido uma saudade imensa dos meus. Tanto que decidi por férias brasileiras começando no dia 05 de dezembro com passagem já comprada. Eu não contava com o anúncio de um show grátis, do Sting, na Plaza de Mayo, em um evento de Direitos Humanos, no dia 10 de dezembro. Que ironia! Eu querendo ir e o Sting dando o ar de sua graça. Desde a adolescência sou louca pelo cantor britânico, em Washington, cheguei a assediar um segurança calvo e esteticamente prejudicado para mudar de seção no estádio e acercar-me do ídolo. Colecionei fotos e discos, chorei muito com os hits do loirinho, suspirei com sua yoga, dancei em muita boate ao som do Police de olhinhos fechados e cantando. Tenho que me resignar a minha condição de bloggeira com milhagem emitida e deixar a dica aquiiiii!!!!! Não percam, mas também nem me contem. Sinceramente: tomara que chova!

 

Deixo aqui uma das minhas músicas favoritas:

Gafieira Porteña

1 out
 
 

Ordem , Progresso e Samba: a gente mata saudade com churrascos na laje!

Há uma máxima do jornalismo que se o cachorro morde o homem isso não é notícia. Mas, se o homem morde o cachorro isso sim é notícia. Uma gafieira de samba em Buenos Aires não seria notícia neste blog. Todo país conserva pequenas versões de outros se existe algum fluxo migratório. Em São Paulo há a Liberdade, em Buenos Aires El Barrio Chino, em Nova York existe uma pequena Itália. Por todas grandes metrópoles do mundo exilados se reúnem para matar saudade da pátria distante. Chineses comem Dim Sum em Quebec, russos tomam vodka em Washington, Argentinos bebem mate em Salvador, Irlandeses festejam São Patrick na Espanha e brasileiros fazem churrascos em Buenos Aires. É difícil não cair no clichê dos retirados. Um dia te ataca um banzo de coxinha que não há empanada no mundo que cure. Não tem nada que amenize aquela vontade de comer pastel com caldo de cana. Não há placebo para a saudade de Skol e carne de sol. Aliás, só um solzinho já era matar um pouco dessa saudade.

"Nao deixe o samba morrer, nao deixe o samba acabar..."

Tenho uma grande amiga turca em Buenos Aires que outro dia me confidenciou que seu sonho era que um dia eu a recebesse falando turco. Aparentemente, não há um substantivo para saudade no império otomano, mas ela sente, como todos, as dores e delícias de viver no estrangeiro. E, por causa dessa saudade, que mais cedo o tarde, independente do grau de satisfação com o lugar em que vive, nos encontramos com as situações mais sublimes. Foi a saudade de dançar forró que levou uma amiga a contatar um grupo de samba na Capital. E foi num churrasco de domingo, desses em que o Zeca Pagodinho fica sussurrando ao fundo, que este  grupo de samba apareceu e me deixou boquiaberta. Argentinos, daqueles do tipo de Missiones, Argentinos da gema, assim por dizer. Argentinos cantando e tocando samba e pagode como se estivessem num churrasco numa laje na baixada fluminense. Assim descobri uma gafieira institucionalizada em Baires.Não só ela acontece, por mãos argentinas, como também acontece sempre, todas as quintas para Argentinos. Fica no “trendy” bairro de Palermo (Foynes Bar – Niceto Vega 4984, a partir das 22h30, quintas feiras), a passos da Plaza Armenia, esta Praça onde jovens casais muy argentinos e yuppies vem banhar seus rebentos de sol nos domingos. E acontece como no Brasil, com pandeiro, cuíca, mas sem mulatas. Acontece, da maneira polite Argentina, mas muito do bem feitinho. No telão vão passando as letras, para que os hermanos possam tentar cantar, mas é surpreendente mesmo o repertório dessa gente. É verdade que às vezes flertam perigosamente com o pagode e seu lailaiá insuportável, mas não é nem de perto um pagode mela cueca desses dos amigos do Alexandre Pires.

Versao Brasileira: Argentinos que arrasam no Samba, tocando no nosso churrasco numa laje porteña.

É, em sua maioria, um samba de qualidade de Noel Rosa a Martinho da vida, com participações especiais de Clara Nunes e Bezerra da Silva. Bem tocado, com dedicação e alegria, pelos pandeiros, cuíca e chocalho, tudo no ritmo e com um português quase impecável. Conversando descubro que é mais que um sambinha de quinta-feira é toda uma cena musical com grupos conhecidos e público cativo. O Malandragem, por exemplo,  toca nos domingos em San Telmo (Club Sirah, Balcarce 601). É o Brasil que está “de moda por aqui” com sotaque castelhano, feito com tanto carinho que nos deixa emocionados. Está na hora de olharmos com bons olhos a quem nos quer bem. Viva Perón!