Arquivo | Buenas Baladas RSS feed for this section

Liberem o Balaio!

23 jul

 

Vivo em Buenos Aires, mas sou candanga. E, embora este blog seja sobre as glórias, delicias e desafios de viver na capital Argentina, não me são indiferentes as notícias chegam de Brasília. Uma cidade incrível que, de maneira particular, vem desenvolvendo uma vida cultural muito especial. Os guerrilheiros da cultura brasiliense (digo isso porque é gente que tem muita gana) estão botando para quebrar, fazendo de Brasília uma cidade com grandes opções de cinema, arte, música e outras calçadas culturais. Um verdadeiro pólo de cultura urbana que está no caminho de não dever nada aos outros grandes centros urbanos brasileiros.

Um lugar unico!

Um desses lugares fundamentais para o fomento da cultura na cidade é o Balaio Café na 201 norte. Anfitrião de pequenas mostras de cinema, arte e música, o Balaio estava avançando para tornar-se um relevante centro cultural candango. A frente dele está uma das figuras mais guerreiras e excepcionais, que tenho a sorte de chamar de amiga, que é a nossa Jul Pagul, um verdadeiro soldado da cultura candanga. Mas, como em Brasília nenhuma boa ação fica impune, cassaram o alvará de funcionamento dessa sensacional esquina do mundo.

Estão órfãos artistas e cineastas que dependiam do espaço para expor suas obras, estar entre os amigos e aproveitar esta instituição da noite brasiliense. É mais do que fechar um bar porque meia dúzia de vizinhos se incomoda com a felicidade alheia, é ceifar uma das melhores opções culturais da cidade e criar a cultura reacionária da censura as boas intenções e boas idéias.

"Apesar de voce amanha há de ser outro dia"

Por isso, fica aqui meu desabafo e o pedido para que tomem um minuto de seu dia mostrar que é melhor ser alegre que ser triste, que apesar de você amanha há de ser outro dia e apoiar este lugar de gente fina, elegante e sincera assinando o abaixo assinado em repudio a cassação do alvará de funcionamento do Balaio Café AQUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!

Santa Ignorância!

14 jul

 

“Será que nunca faremos

Santa Ignorancia senhor, dai-me paciencia.

Senão confirmar

A incompetência

Da América católica

Que sempre precisará

De ridículos tiranos

Será, será, que será?

Que será, que será? “(Caetano)

São lamentáveis as imagens que ficam repetindo os canais de televisão argentinos nesta gélida noite de terça-feira. Convocados pela igreja mais 70 mil manifestantes se reúnem em frente ao Congresso argentino para exprimir sua opinião contra a aprovação do matrimonio de pessoas do mesmo sexo que será votado neste domingo pelo Senado deste país. Ecos do retrógrado discurso das Igrejas católica e evangélica se escutam na Capital esta noite.

Pai, perdoai-os; eles não sabem o que fazem"!

Opiniões intolerantes, dogmáticas, descontextualizadas e reacionárias ganham espaço nos tele jornais argentinos. É um show de retrocesso, um pesadelo que faz lembrar os piores capítulos de um livro de Eduardo Galeano, as mais visionárias canções de Caetano. A Igreja sul-americana mostra mais uma vez que perdeu o trem para o século XXI e porque nosso quinhão do mundo não consegue superar as piores heranças coloniais. Uma igreja alvejada por estilhaços de pedofilia se crê mais uma vez o verdugo das novas idéias de igualdade. Tomara que a igreja argentina tenha que comer sua hipocrisia asada na parrilla no domingo e que este canto do mundo se mostre bem mais moderno e tolerante do que esperam que sejamos!

A reação da lado branco da força já começou no Obelisco! Como diria Fito Paez : “Quien dijo que todo está perdido…”

A Bossa de San Isidro

9 jul

Vou deixar aqui minha dica de sábado em Buenos Aires. O grande amigo Yuri Mello se juntou ao coro consistente de músicos da Capital e anda agraciando as noites porteñas com sua bossa, seu reggae e MPB. É um programa imperdível para um sábado a noite de inverno. Vale a pena pegar o trem para o bucólico bairro de San Isidro e curtir um showzinho intimista cheio de carinho e convidados pra lá de especiais.

Um som especial para uma noite de inverno

Eu ainda não fui, vou amanha, mas dizem que o lugar é único, cheio de personalidade como costumam ser os cantinhos de San Isidro, que lembra muito uma cidadezinha de interior brasileira.  Nascido em Salvador e radicado em Brasília, Yuri Mello é músico profissional e professor e há anos já era conhecido no circuito candango.

Agora, divide o palco com amigos argentinos e de outros cantos desse mundão em uma apresentação que faz bater de saudade os corações dos brasileiros expatriados e de vontade de ir ao Brasil os porteños apaixonados por nossa cultura. É como dizemos no Brasil o fino da Bossa! Escute um pouco de Yuri aqui!!!!

Serviço:

Sábado, 10 de julho de 2010

Hora: 21:30 – 23:30

“El Galpon”

Av. del Libertador 17154, San Isidro

Tango Off Road

9 jul

 

Tanguerias tradicionais, nada de jantar com tango!

O Jornal Argentino La Nación traz hoje uma matéria super útil sobre locais de tango fora do circuito mais batido. São milongas de “barrio” que não “se cotizam em dólares ou em euro”  e nem em reais. Para fugir da velha “cena com tango” pela qual me perguntam todos os brasileiros em visita á cidade.  Esqueça jantar com tango, meia arrastão e todo espetáculo teatral para turistas. Caia numa verdadeira milonga de bairro, onde os locais se deliciam com ritmos clássicos, mas sem o Mise-en-scène todo.

Não é o tango para exportação é a música que acontece apesar do turismo.  Nas tanguerías da matéria circulam locais, turistas mais aventureiros e tribos de rock n tango, num ambiente tipicamente porteño que evocam os ritmos clássicos que ganharam mundo.

 

La Garufa, a Naçoes Unidas do Tango

Em alguns lugares já sou habitué como a A Catedral do Tango ( veja meu post sobre este lugar incrível aqui! ) e o CAFF, onde a orquestra Típica Fernández Fierro deixa boquiabertos todos os sortudos expectadores que optam por ela nas quartas-feiras a noite. E também a noite La Garufa, no Centro Cultural Konex, a Nações Unidos do Tango, onde estrangeiros e porteños vão ensaiar seus passinhos.

Orquestra Fernández Fierro Arrasa!

Um detalhe: os preços também são tão locais quanto o tango. Nada para turistas. Vale à pena conferir. Leia a matéria na íntegra, com direito a mapinha do circuito e tudo. AQUIIII!!!!!

Três Tangos e um Funeral

24 jun

Uma casa para o espiríto

Nem me lembro exatamente em que contexto fomos parar lá. Meus amigos falavam deste lugar, eu queria mesmo é ter ficado no jazz do Ladran Sancho, onde um baterista cotó fazia com meio braço o que eu jamais seria capaz de fazer com meus dois membros inteiros. Saímos no auge da Jam session, fui de má vontade. Quando chegamos, olhei para a porta sem características marcantes de Sarmiento 4006 e continuei com má vontade. Subi a velha escada de ferro e amaldiçoei minha sorte. Nessa noite, não pagamos os dez pesos da entrada. Jorgelina , professora de tango da casa, e hoje minha amiga, veio nos liberar na porta. Fui devagarzinho pelo tapume e tive certeza de abrir uma cortina. Mas, essa cortina, conforme comprovei inúmeras vezes posteriores, nunca existiu.

 

Um lugarzinho como nenhum outro no mundo

A Catedral do Tango fica num velho galpão de construção original de 1880, no coração do bairro de Almagro. Já foi uma leiteria, silo de soja, açougue e finalmente o que é hoje: um dos melhores lugares de tango e chacarera da cidade, segredo bem guardado, mistura de underground com ponto turístico.

Com teto de 12 metros de altura, chão de madeira antiga, meia luz avermelhada, salão generoso,  decoração impressionante, a Catedral do Tango parece o filho hibrido de Almodóvar, Fellini e Kubrick. Contam que o enorme quadro de Gardel  (praticamente um outdoor) durante os tempos de gripe, ganhou uma enorme máscara também. Metáfora bem representativa do que é o lugar. Um templo que trata como religião o tango.

 

Quarta- feira passada na Catedral:Buenos Aires é uma cidade de músicos ( foto by Jacó)

Desde dezembro freqüento quando posso os tangos da terça-feira. Para mim, o melhor dia. Não há muito que falar senão que um item importantíssimo da decoração é um enorme coração humano, do tamanho de um carro popular, pendurado no teto. Sabe-se lá porque a cozinha é vegetariana e a carta de vinhos não é lá grandes coisas. Mas, a música e paixão são  de primeiríssima.  Tem noites que chego mais cedo e fico observando a aula de tango, noutras vou depois da meia noite, trato de me encher de fernet com coca e estar bem altinha quando chega a banda de sopros com os três tangos de Gardel.  Passo muito tempo também na área de fumantes, nas cocheiras do lugar, de olho na cozinha  e nos músicos que fazem rodinhas paralelas. Buenos Aires é, sobretudo, uma cidade de músicos

 

Uma casa para o espirito...

Eles estão por todas as partes com seus violões e acordeons, suas vozes tristes em semblantes jovens, seu tango de mochila, seu rock de Fito Paez. Impossível não escutar as vozes da cidade que, em noites de lua cheia, latem mais que os cachorros. No entanto, se não escrevi antes sobre a Catedral foi por ciúmes. Estou como Borges desenvolvendo um enorme sentimento de possessão por Buenos Aires. Ela é minha e eu sou dela e, como toda paixão escorpiana, não quero que seja de mais ninguém.

Fidelio!

Mas não é isso que vem acontecendo. Tenho sido impelida a compartir minha Buenos Aires com aqueles que vêm me ver, aqueles que querem vir me ver e aqueles que querem ver Buenos Aires como a vejo. Eu sou obrigada abrir mão do meu egoísmo e compartilhar sob pena de me tornar uma avarenta de alma, uma tacanha de espírito. Às vezes, estou na Catedral e me sinto numa festinha da família Adams, noutras numa cena de Amacord, um filme do Pasolini, num tango de Piazzola, perdida e subversiva como na obra de Bertolucci.

 Tem dias que, acompanhados por músicos insistentes e borrachos, ficamos até o sol varar as altíssimas janelas do salão e quando saímos para a rua descobrimos que realmente a Catedral reside numa galáxia paralela, três buracos negros distantes do resto do mundo. Noutros dias acho que vão me pedir uma senha para entrar, como no filme Olhos Bem fechados do Kubrick. Fidelio, fidelio, fidelio!!!!!!

 

 

Ah, e os três tangos são Volver, Por Una Cabeza e Cambalache. E o funeral é do meu fígado, com ritos fúnebres realizados esta manhã e que ontem a noite foi flambado em Fernet. E para saber mais sobre a Catedral do Tango clique aqui!!! A aula do século é de Jorgelina Contreras, entidade do tango, milonga e folclore encarnada. Confira a grade horários no site e use com parcimônia.

Bandido Corazón: Los Paquitos y la Ciudad

2 jun

Escute aqui las canciones que hacen dooooler mucho

 el corazón:  Dos Puñales

 

Imagine um climinha “welcome to the hotel cafifornia” encontra  “welcome to tihuana, con el coyote no hay aduana”. Pense em uma tarde no México que se esvai sobre uma marguerita numa vila poeirenta, uma noite num prostíbulo de beira de estrada na Colômbia, com um je ne sais quoi de nostalgia a la Riviera capaz de aquecer o coração do mais despeitado cético.

Ay ay ay canta y no llores...

Organize-se para deixar seus preconceitos em casa e render-se a  um som semi – mariache que te fará deslizar os pezinhos por debaixo da mesa acompanhando um queixoso acordeom e um choroso vocal. 

Ou mesmo para deslizar com seu par como se estivesse num bailinho da década de cinqüenta em Lima. E prepare-se para fazer tudo isso em Buenos Aires.

Como resgate da cultura Latino Americana, os sete integrantes da banda porteña Los Paquitos rendem sérias homenagens a cantores  latinos “nem sempre suficientemente homenageados”, como o colombiano Diomedes Díaz, o cubano Eliades Ochoa, o venezuelano Simon Díaz, o peruano Chabuca Granda entre outros, além cantora mexicana que dá nome ao grupo , Paquita La del Bario.  E claro, Lila Downs. Só gene fina, elegante e sincera.

Para salir bailando...

Com um recital por vezes intimista e outras performático, oscilando do romântico ao maldito, Los Paquitos oferecem um show que, como eles mesmos definem,  “percorre com o equilíbrio de um bêbado os caminhos do amor e do desamor com todos os sabores e paisagens que pode oferecer a viagem”.

Leve sua maraca imaginária!

   O ritmo? Vallenato , cumbia colombiana, ranchera, joropo, música popular italiana, bolero e uma série de estilos musicais que não sei distinguir, mas me fazem assobiar e tocar macacas imaginárias.

Como duele el corazón!

A última apresentação de los mariachis porteños foi no dia 15 do mês passado no Urbano Espacio Cultural, em Villa Crespo.  O próximo show, como os romances mexicanos, ainda é incerto.  No sábado rola um recital prive no aniversário de uma amiga. Estou me super sentindo sortuda por poder, mais uma vez, assistir a los chiquitos em seu show “emotivo e esperançoso para corações partidos”. AY ay ay!!!

Mi casa es su casa!

Vou postando por aqui as próximas datas, mas, para quem não confia na memória disléxica desta bloggeira, quer escutar  um bocadinho de latinidade ou saber um pouco mais sobre Los Hermanitos clique AQUI!

Ou Aqui!

Aqui também!!!!

Ay bandido corazón!

 

 

Como a Tropicália, de Festival em Festival…

29 maio

A banda espanhola Marlango abre o festival para desespero de nossos pés cansados...

Mal nos recuperados do bicentenário e a cidade já está nos chamando. Muitos de nós ainda estão enfiados nos escalda-pés, sem voz, com tosse, rouquidão, dor nas costas e outras efeitos colaterais da alegria que tomou conta da gente no fim de semana passado por conta do Bicentenário Argentino.

Mas, como Nova Iorque, Buenos Aires também é a cidade que não dorme. E, pior, que não deixa os outros dormirem! Esta entidade enorme, ao qual nos submetemos como ovelhinhas para abate, nos arrasta por ai com seus braços de concreto , nos envolvendo com sua doce melodia de decadence avec elegance e não nos deixa descansar, procrastinar, parar…

Os dias são tão intensos que há semanas, que ao final, minha energia acaba por completo, sem restar nada, um resquício para lavar a louça, fazer o café ou ler um livro. São momentos de exaustão extasiada tão intensos que, às vezes, uma noite bem dormida passa longe do suficiente. É preciso uma noite, um dia, outra noite. É necessário absorver como um desses computadores da Matrix uma quantidade enorme de emoções, informações, acontecimentos, pensamentos e novas construções. E como a tropicália vivemos de festival em festival.

Com uma Fênix nascida dos excessos do Bicentenário ressurgimos das cinzas para o próximo happening da capital. O Festival Ciudad Emergente, que começa no próximo dia 02 de junho, vem com uma série de surpresas e atrações que não conhecemos mas que, ao final, vão acabar morando no nosso Ipod.

A primeira atração traz a balada atriz espanhola, namorada do meu queridinho Jorge Drexler, Leonor Waitling, e sua banda Marlango ao Centro Cultural da Recoleta, no próximo dia 02 de junho. Com acordes leves, um pouco de jazz , indie, rock e folk, o grupo espanhol  é um bálsamo melódico para os ouvidos cansados do Bicentenário.  As canções entoadas nas pontas dos pés, em inglês, e algumas poucas em castelhano, seus pianos chuvosos, bateria discreta e acordes gotejantes são ligeiras, leves e agradáveis.  Abertura as 19h, fica a cargo do projeto alternativo Les Mentettes Orquestra.

No dia seguinte, é a vez do banda local Nairobi num dueto com o músico da Guiana Mad Professor que já mixou  pesos pesados como Massive Attack, Sade, the Orb, the KLF, Beastie Boys, Jamiroquai, Rancid e Depeche Mode.  O show começa às 21h, mas é precedido por um monte de atrações  interessantes.  Além dos inúmeros shows, de gente que ainda estou conhecendo, escutando e me inteirando, postando aqui na medida do possível, há ainda muita dança de rua ( pretendo não perder a homenagem a Michael Jackson), exibição de documentários ( tem pelo menos uns dois obre o The Smiths que eu quero ir), leitura de poesias ( ando pulando estes programas) e exposições de arte urbana, entre outras cositas mais.  

Lá vamos nós outra vez!

Cofinra a programaçao completa AQUI!