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Buenos Aires Kosher

14 jun

Eu sempre tenho uma especie de momento comico-doce-sublime quando estou no shopping Abasto e passo pelo Mcdonald’s Kosher da Praca de Alimentacao (o unico do mundo fora de Israel). Nao sei porque, mas isso sempre me faz rir um pouco po dentro. Adoro bairros judaicos. 

Mcdonald's Kosher: Acho um pouco sublime.

 Adoro aquela sensacao de estar num quadro de Magritte como as que tenho quando estou em certas comunidades de Nova York, quando as vezes sinto ver sempre o mesmo mocinho de kipá vestindo sobretudo negro cruzar infititamente a esquina.

Adoro um bairro judeu, me sinto num quadro do pintor Magritte.

 Gosto de ver o populacho se misturar a comunidade judaica enquanto subo a Avenida Pueyrredon em direcao a Plaza Miserere no bairro de Once. Gosto de ir comprar Varenikes em Belgrano ( obrigada Guia da Narda Lepes pela dica do Mana),passear por Tribunales para ver a enorme estrela de David na porta da Sinagoga da Congrecao Israelita que se precipida sobre a praca.

Adoro olhar para a fechada da Congressao Israelita em Tribunales.

Sempre penso que certas tardes na Capital me lembram o velho apartamento dos meus avos, sobreviventes do Holocausto, em Copacabana e um poema de Borges, chamado Spinoza. Buenos Aires tem, pelo menos para mim, um je ne sais quoi, de velho charme judaico e leste europeu que me faz lembrar minha familia.

UM POUQUINHO DE HUMOR JUDEU:

 Nao estou muito por dentro da comunidade por aqui, como nunca estive em lugar nenhum, mas adorei a edicao da revista cultural do jornal Clarin, revista Ñ, dedicada a cultura judaica no pais, da cultura a literatura, a gastronomia, um verdadeiro testamento e mapa da presenca hebraica por aqui. Leia a biblia AQUI!

Varenikes como na casa de idish vovo em Belgrano.

 Em 2005, haviam mais de 233 mil judeus na Argentina, a maior populacao de origem judaica na America Latina. Tanto que chamou a atencao de terroristas que em l 18 de julho de 1994 levaram a cabo um atentado que encurtou a vida de 85 pessoas em um dos episodios mais negros da historia Argentina. Dois anos antes, um atentado a Embaixada de Israel ja havia matado 29 pessoas ferindo mais de 240 pessoas.

 A presenca de judeus na cidade faz de Buenos Aires um lugar jewish friendly, com opcoes culturais e gastronomicas para padalares idish e goy. Deixo aqui as sugestoes e alguns restaurantes Kosher na cidade. Lehaim!

ALMACENES
 Almacén Behar (Campana 347 Tel:4613-2033/4611-4746)
 Almacén Casher Azulay (Helguera 507 Tel: 4637-0851)
 Almacén Casher Battias (Paso 706 Tel: 4961-2027)
 Almacén José Cuch (Aristóbulo del Valle 1402 Tel:4302-8389)
 Almacén Kosher (Constitución 1470 – San Fernando Tel:4745-6656)
 Almacén Tjelet (Cabello 3993 Tel:4807-3692)
 Autoservicio Kosher (Paso 729 Tel:4962-6002/4962-6003)
 Autoservicio Simán Tov (Helguera 474 Tel:4611-4746)
 Aceitera Forest 444(Av. Forest 444)
El Jaial (Moldes 2454 4896-4492 15-5103-3315)

 Horacio Freue (Brandsen 1389 Tel 4302-1316)
 Kol Bo Belgrano (Moldes 2452 Tel:4788-1801)
 La Esquina Casher (Aranguren 2999 Tel:4637-3706)
  La Quesería (Viamonte 2438 Tel:4961-0090)
 Lidia`s Macolet Kasher (Ecuador 586 Tel:4863-5595/4932-4443)
Supermercado/Rotisería Open Kosher (Av.Monroe 2705 Tel:4544-9101/9019)
 Shalom (San Luis 2513 Tel:4962-3685)
 Supermercado Elion (Ecuador 673 Tel:4961-1096)
 Y.A.E.L. (Republica A.Siria 2990 Tel:4807-4463)
SuperKosher Blanco Encalada 2724 4780-0498
Almacen My Kosher Zapata 543- 114774-6649

RESTAURANTES
 Al Galope (Tucumán 2637 Tel:4963-6881)
 ASIAN (Av. Cordoba 5288 Tel:4116-5507/3399 – info@asiankosher.com.ar)
Sushi Go (Av. Pueyrredon 2501 loc.1009/10 Tel: 577-76110 / 08)
 Mc Donalds Kosher (Patio de Comidas Shopping Abasto Tel: 4959-3709)
 Parrilla EL PASAJE (Pasaje El Lazo 3141/51 Tel: 4806-0084)
 Sucath David (Tucumán 2349 Tel: 4952-8878)
 Sulam (Helguera 474 1er.Piso)
 Tib Tuna (Pueyrredón 795 4962-7509)
NOAM By Open Kosher (Monroe 2715 4545-4621 4543-7411)
TUCSON Steak House (J. Salguero 2741 4804-1600 0800-555-882766)
DASHI Sushi Bar (Salguero 2639 4807-0633)
TOV LEV (Paso 745 4962-0857)
EL JAIAL (Tucumán 2620 4961-0541)

PIZZERIAS
<!– strong> Confitería y Pizzería Roberto Heleuni (Pinzón 1235 Tel: 4302-4341)<br / –>  Pizza y pastas EL PASAJE (Pasaje El Lazo 3141/51 Tel: 4806-0084)
 Pizzería Romini (Tucumán 2802 Tel:4962-8177)
 Pizzería Soultani (San Luis 2601 Tel: 461-3913)
NOAM By Open Kosher (Monroe 2715 4545-4621 4543-7411)

HELADERIAS
 Heladería Tuttim (Ecuador esq. San Luis Tel:4964-3004)

CONFITERIAS Y PANADERIAS
 Chiche Cherro (Helguera 450 Tel.4637-6012/3724 cherro@infovia.com)
 Confitería BS”D Lejaim (Aranguren 3191 Tel: 4613-9828)
  Confitería y Panadería Ganz (Paso 719)
 Maadanim 2001 – Oscar Cohen (Tel.4637-9325/4671-7571 15-5306-2162 maadanim@hotmail.com)
 Malena (Pueyrredon 880/882 Tel: 4962-6290)
 Productos Cohen (Tel: 4611-5717 4671-0772)
 Rotisería Open Kosher (Monroe 2705 Tel: 4544-9101 4554-9019)

Tango Off Road

9 jul

 

Tanguerias tradicionais, nada de jantar com tango!

O Jornal Argentino La Nación traz hoje uma matéria super útil sobre locais de tango fora do circuito mais batido. São milongas de “barrio” que não “se cotizam em dólares ou em euro”  e nem em reais. Para fugir da velha “cena com tango” pela qual me perguntam todos os brasileiros em visita á cidade.  Esqueça jantar com tango, meia arrastão e todo espetáculo teatral para turistas. Caia numa verdadeira milonga de bairro, onde os locais se deliciam com ritmos clássicos, mas sem o Mise-en-scène todo.

Não é o tango para exportação é a música que acontece apesar do turismo.  Nas tanguerías da matéria circulam locais, turistas mais aventureiros e tribos de rock n tango, num ambiente tipicamente porteño que evocam os ritmos clássicos que ganharam mundo.

 

La Garufa, a Naçoes Unidas do Tango

Em alguns lugares já sou habitué como a A Catedral do Tango ( veja meu post sobre este lugar incrível aqui! ) e o CAFF, onde a orquestra Típica Fernández Fierro deixa boquiabertos todos os sortudos expectadores que optam por ela nas quartas-feiras a noite. E também a noite La Garufa, no Centro Cultural Konex, a Nações Unidos do Tango, onde estrangeiros e porteños vão ensaiar seus passinhos.

Orquestra Fernández Fierro Arrasa!

Um detalhe: os preços também são tão locais quanto o tango. Nada para turistas. Vale à pena conferir. Leia a matéria na íntegra, com direito a mapinha do circuito e tudo. AQUIIII!!!!!

¿Gardel quien sois?

24 jun

 

Gardel: frances de nascimento, porteño de alma

Estou habituada a passar pela foto de Carlos Gardel e lhe fazer silenciosa reverencia. Sempre que vejo sua imagem pendurada em uma parrilla em San Telmo ou nas bancas da Plaza de Mayo me pergunto quem foi Gardel. E, tirando as obvias diferencias e relevância, me acostumei a identificar-me um pouco com ele. Esse estrangeiro tão adaptado . Já falei sobre isso aqui. Gardel nasceu em Toulouse, na França. Foi cuspido junto a sua mãe solteira de um navio português no bairro de Boca. Mas, era porteño em sua alma. E sempre que perguntado sobre sua nacionalidade dizia: “Nasci em Buenos Aires aos dois anos e meio de idade”.  E, hoje, fazem exatos 75 anos de sua morte em um trágico acidente aéreo em Medellín.

Se me perguntarem hoje o verdadeiro motivo da minha vinda para a Argentina serei obrigada a contar a verdade. Vim porque havia parado de aprender onde estava. Sentia a falta intangível das coisas que não sabia como a fisgada que sentem aqueles que perderam um membro. Por isso, quando descubro algo novo é como se recuperasse este membro amputado. Sempre quis saber mais sobre Gardel. E todas as vezes que vejo aquela sua clássica foto de chapéu meio aprumado, olhos vivos e pele afeitada me lembro um pouco de Elvis e os cílios animados que tinha antes de descender lentamente o caminho de sua imagem.

Minha saudaçao silenciosa...

Hoje, pela manhã, no café da Universidade, ia passando com meu “cortado” e quase me escapa a capa do Clarín com uma aquarela do moço e o título “Um ídolo sin tiempo”.  Estou acostumada a sua onipresença como ao cheiro de churrasco que percorre as curvas das ruas porteñas em uma singela passeata de aromas. É tanto para aprender que Charles Romuald Gardes, ou Carlos Gardel, El Morocho de Abasto, havia escapado de minhas leituras. Por isso, mal posso esconder minha felicidade ao ler o artigo de hoje do jornal. Se você não vai a Gardel, Gardel vai a você.

Assim descobri que como eu e Maradona, El Morocho também travava uma luta silenciosa contra a balança. Era filho de Berthe Gardes Camarès, tenaz jovem de vinte e sete anos que desembarcou nesta terra no começo do século passado trazendo nada mais nada menos que um dos pais do tango cantado. Ironia do destino para quem, coincidentemente, não gozava de uma figura paterna. Doña Berta , como era conhecida, levava a vida como muitas imigrantes francesas passando roupa para fora em Abasto que naquela época era subúrbio da capital e hoje é uma das veias nervosas e coronarianas da cidade.

 

Gardel e Le Pera: parceria Brasileira

Gardel, como tantos outros ícones da historia humana, vivia boemiamente de café em café, de paixão a paixão.  Dizem que seu pai poderia ter sido um engenheiro burguês de nome Paul Lasserre, ou um monge primo de sua mãe ou mesmo o coronel uruguaio coronel Carlos Escayola, mas a verdade é que sabemos apenas o que gerou Gardel, mas não como foi gerado. De Bordel em bordel, de bar em bar, el francesito ia construindo sua fama. Eu não sabia, no entanto, que nessa estória havia um dedo brasileiro. Com Alfredo Le Pera que Carlito é catapultado a fama. O Brasileiro de nascimento, paulista, Le Pera, porteño de criação, foi um de seus principais parceiros artísticos e também autor de alguns dos melhores e mais emocionantes tangos da história deste país.

 

Tamanha é a parceria, a título de ilustração, que os dois morrem juntos nos trágicos eventos de 75 anos atrás na Colômbia quando o avião que saia de Cali com destino a Bogotá jamais alcança seu destino. Algumas pérolas de Le Pera demonstram claramente este “match made in heaven” : “veinte años no es nada”, “siempre se vuelve al primer amor”, “la verguenza de haber sido y el dolor de ya no ser”. Quando escuto parece que o chão no qual estão dançando o tango é meu coração. Segundo a matéria do Clarín  tamanha é a persona deixada por Gardel depois de sua partida naquela segunda-feira 24 de junho que até hoje quando alguém se sobressai na Argentina eles dizem: “éste sí que es Gardel”. Gardel tinha 44 anos quando cantou seu último tango.

Túmulo de Gardel em Chacaritas. Deixem-lhe um cigarro ele vai gostar

 Dizem que após do choque do trimotor que o levava com outro avião, que vitimou outras dezesseis pessoas, ao saber da notícia, muitas mulheres porteñas cometeram suicídio.  Muitas lendas surgiram após sua morte. Dizem que deformado por suas cicatrizes, vaidoso como era, seguia vivo em ostracismo, mas que era possível vê-lo cantando solitário pelas ruas da capital.

Hoje, é possível visitar o Museo Carlos Gardel, na casa que foi seu refugio comprada por o equivalente na época a 25 mil reais para su mamá na Rua Jean Jaures, em Abasto. Desde 1936, seu corpo está no cemitério de Chacarita, onde saudosos e turistas costumam deixar-lhe um cigarro acesso. Eu ainda não fui, prefiro encontrá-lo em uma madrugada fria pelas ruas da antiga cidade, deformado como o fantasma da ópera, cantando “El dia que me queiras”.

Para ler a matéria completa do jornal o Clárin clique aqui!