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Manual de Sobrevivência de um brasileiro durante a Copa na Argentina

19 jun

 

Sabe Romeu e Julieta? Meu amor impossivel pela Argentina em tempos de Mundial!

Vira e mexe alguém me pergunta como é ser brasileiro durante a Copa do Mundo na Argentina. Eu só consigo me lembrar de uma expressão que dizia um chefe meu toda vez que acontecia algo muito grave, mas ela é imprópria para este blog. Ontem, meu editor do site www.traducirargentina.com.ar, Mariano Gárcia, me perguntou: “Como é a vida de inimiga infiltrada?” Meu bem, eu sou a Mata Hari do futebol!

É incrível como, de repente, essa coisa de ser brasileira em um país estrangeiro ficou tão evidente.  Eu sempre fui do mundo e nunca me senti de lugar nenhum. Sempre soube que meu negócio era correr perigo por aí. E, na Argentina, descobri que todos os clichês sobre eles eram falsos e injustos. Se eu não disse antes, o que eu du-vi-do que fique claro aqui: eu amo a Argentina; como num tango de Gardel, com todo o drama, paixão e glória. Amo os argentinos, são um dos melhores povos que já conheci.

Bloggeira infiltrada com outros Brazucas em Colegiales!

 Mas, de repente virei inimiga infiltrada. Como assim Mariano? Eu sou a melhor coisa que já aconteceu para as relações Brasil – Argentina desde o fim da Guerra do Paraguai. Deveria receber titulo Honoris Causa por serviços prestados ao estreitamento de relações entre as duas nações. Fui ao Bicentenário, comemoração dos duzentos anos da Revolução de Maio, ouvi o hino Argentino duzentas vezes, cantei até o refrão, por que, vamos combinar, “libertad, libertad, libertad” é lindo. Vibrei com os hermanos, admirei-os, aplaudi o desempenho da festa no blog, jurei e amor eterno e a porra. O Lula outro dia foi a ONU dizer que as Malvinas são Argentinas. Mas, prefiro torcer pela Bósnia antes de torcer pela seleção argentina.

Cena de una terraza en el Barrio de Colegiales

Admito que possa ser vítima de uma lavagem cerebral da sociedade, mas esta fronteira eu não cruzo. Mas vamos aos basics, como sobreviver a uma Copa do Mundo na Argentina? Bom, eu ainda não sei. O que eu sei é que não será no bar brasileiro em Buenos Aires, Maluco Beleza.  Depois do jogo de terça, a TV local ficou passando um monte de bundas balançando e brasileiros bêbados que fizeram com que a gente se encolhesse no sofá e tapasse os olhos de vergonha. Não é que eu não acredite em bundas e bêbados.

Mas, não estava bonito, você me entende? Também não estou criticando os brasileiros que estavam lá. Mas, ficou feio. E o cinegrafista não ajudou cortando as cabeças dos presentes para se focar em outras regiões menos eloqüentes. E que custava para os moçoilos manterem as camisas quando a câmera estava filmando? Acho que as câmeras tinham que ficar de fora da próxima vez.

Manter a amizade na guerra é possível, graças a la buena gente del sur!

Eu não assisto aos jogos da Argentina. Adoro o Maradona, o acho uma das melhores personalidades locais. Torço por seu sucesso – mas que fique claro que não irei ver sua corrida pelado no Obelisco como ele prometeu se a argentina ganhar. Tenho baixa tolerância para cenas fortes.  Até agora, temos visto os jogos da seleção na casa de um amigo. Juntamos-nos como a resistência silenciosa e subversiva no bairro de Colegiales para torcer, roer unha e gritar pelo Brasil. Tocamos pandeiro, sopramos corneta, batucamos na mesa e tomamos Quilmes!!!!!!!!!Depois, voltamos no metrô com cara de “chupa essa manga , Argentina”. Eu sei que isso não é legal, but I can’t help it!

Vamos combinar? é possível. O negócio é manter o espiríto esportivo!

Sinto uma falta danada dos fogos, do buzinaço, do carnaval nas ruas. E me sinto num pesadelo daltônico quando vejo as ruas pintadas de azul celeste e branco e não de verde amarelo como estava acostumada a ver.  E tenho uma reclamação formal: Claro, pare de me mandar mensagens de torcida pela seleção Argentina. Eu sou o inimigo! Vou quebrar este celular e mudar para Movi Star!

 Na verdade, não acho imprescindível que o Brasil ganhe esta Copa. Nossa seleção precisa triunfar sem desculpas em solo brasileiro no próximo Mundial. E vamos combinar? Está ficando chato para os outros países. Argentina e tal gosta de futebol. Mas, vamos aos números. Até agora, só ganhou duas copas do mundo ( 1978 e 1986).  Porque eu tenho que ficar lembrando meus amigos argentinos, que inundam minha caixa de e-mail nos intervalos dos jogos com provocações, disso?

Uma torcida multicultural

Se o Brasil acabar jogando com a Argentina, tenho um plano de fuga preparado. Corro para a fronteira. Nem que eu vá assistir a esse jogo em Uruguaiana! Levo comigo um bom bife de chorizo e uma Quilmes. Aliás, meu sonho sempre foi pegar um pedaço de carne argentino e assá-lo a la brasileira do outro lado da fronteira. Um dia eu explico o porquê. Então, para não ameaçar a supremacia Brazuca, nem passar meus próximos anos aqui escutando provocação, eu to torcendo mesmo para Gana, Eslováquia, Argélia ou Paraguai. Fuerzaaa Eslováquia!!!!!!!!!!Mas, se o Brasil ganhar vou comemorar com Fernet e Coca. Lo siento…

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