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Como se fosse a primavera…

8 set

Por do sol da tarde de ontem nos Bosques de Palermo

 

Aguentamos tudo. Meses de frio intenso, olas polares, sudestadas, chuvas, frentes frias vindas da Antártida e por fim, como testemunho de nossa perseverança, veio a tradicional tormenta Santa Rosa. Uma habitual chuva com fortes rajadas de vento que vem todos os anos como o último banho da cidade para aprumar-se para a primavera. Esta durou quase quatro dias de chuva fina e ventos nervosos nos deixando impacientes e cinzas. Mas, ao que tudo indica, valeu a pena. Há dois dias as pessoas saem às ruas desfilam modelitos semi- verão, um pouco incrédulas, um pouco lascivas. Parece aqueles contos de fadas nos quais uma bruxa adormece todo o reino durante cem anos. Pois, há dois dias o Reino de Buenos Aires vem acordando de seu feitiço de frio e sono e rendendo-se a uma pré-primavera agradável. Na sombra faz frio é verdade, mas no sol é possível arriscar uma manguinha. Eu tenho dois passeios super recomendáveis para dias de sol e brisa. O primeiro de todos: Bosques de Palermo. Desça para a Av Libertador e pergunte pelo Rosedal ou mesmo o Planetário. E, por favor, leve sua canga e fique para o por do sol no Laguinho. Una-se aos casais apaixonados, bebes fofos dando seus primeiros passos, grupinhos dividindo um baseado, família preguiçosas e aproveite um dos melhores crepúsculos da cidade. Na animação, alugue um pedalinho.

Mercado de Pulgas: uma curtiçao

Outro super passeio é entrar em outro mundo, outra é o Mercado de Pulgas de Palermo Hollywood ( Dorrego y Niceto Vega). O lance lá é perder-se nos moveis da vovó, encontrar raridades como quadros antigos de Maria Antonieta, televisores ao estilo dos Jetsons, móveis da década de cinqüenta, trinta, do século passado e dar um super pulinho no estande do Tony Valiente, um doido com umas obras de gosto duvidoso que bem poderiam estar na cenografia do Filme Mad Max. É uma ótima pedida e uma porta de entrada para explorar um pouquinho de Palermo Hollywood e Colegiales. Com ruas largas, cobertas de árvores enormes, esta região é uma graça. Perfeita para um café de fim de tarde depois de uma bela caminhada pelo Mercado. Com o sol e o calor voltando aos poucos, como uma flor, Buenos Aires também vai paulatinamente se abrindo. A cidade floresce junto com seus jardins. Agora, é torcer para que não hajam recaídas polares.

Deixo Pablo Milanés e Chico, porque a primavera e essa música não saem da minha cabeça.

 

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Manual de Sobrevivência de um brasileiro durante a Copa na Argentina

19 jun

 

Sabe Romeu e Julieta? Meu amor impossivel pela Argentina em tempos de Mundial!

Vira e mexe alguém me pergunta como é ser brasileiro durante a Copa do Mundo na Argentina. Eu só consigo me lembrar de uma expressão que dizia um chefe meu toda vez que acontecia algo muito grave, mas ela é imprópria para este blog. Ontem, meu editor do site www.traducirargentina.com.ar, Mariano Gárcia, me perguntou: “Como é a vida de inimiga infiltrada?” Meu bem, eu sou a Mata Hari do futebol!

É incrível como, de repente, essa coisa de ser brasileira em um país estrangeiro ficou tão evidente.  Eu sempre fui do mundo e nunca me senti de lugar nenhum. Sempre soube que meu negócio era correr perigo por aí. E, na Argentina, descobri que todos os clichês sobre eles eram falsos e injustos. Se eu não disse antes, o que eu du-vi-do que fique claro aqui: eu amo a Argentina; como num tango de Gardel, com todo o drama, paixão e glória. Amo os argentinos, são um dos melhores povos que já conheci.

Bloggeira infiltrada com outros Brazucas em Colegiales!

 Mas, de repente virei inimiga infiltrada. Como assim Mariano? Eu sou a melhor coisa que já aconteceu para as relações Brasil – Argentina desde o fim da Guerra do Paraguai. Deveria receber titulo Honoris Causa por serviços prestados ao estreitamento de relações entre as duas nações. Fui ao Bicentenário, comemoração dos duzentos anos da Revolução de Maio, ouvi o hino Argentino duzentas vezes, cantei até o refrão, por que, vamos combinar, “libertad, libertad, libertad” é lindo. Vibrei com os hermanos, admirei-os, aplaudi o desempenho da festa no blog, jurei e amor eterno e a porra. O Lula outro dia foi a ONU dizer que as Malvinas são Argentinas. Mas, prefiro torcer pela Bósnia antes de torcer pela seleção argentina.

Cena de una terraza en el Barrio de Colegiales

Admito que possa ser vítima de uma lavagem cerebral da sociedade, mas esta fronteira eu não cruzo. Mas vamos aos basics, como sobreviver a uma Copa do Mundo na Argentina? Bom, eu ainda não sei. O que eu sei é que não será no bar brasileiro em Buenos Aires, Maluco Beleza.  Depois do jogo de terça, a TV local ficou passando um monte de bundas balançando e brasileiros bêbados que fizeram com que a gente se encolhesse no sofá e tapasse os olhos de vergonha. Não é que eu não acredite em bundas e bêbados.

Mas, não estava bonito, você me entende? Também não estou criticando os brasileiros que estavam lá. Mas, ficou feio. E o cinegrafista não ajudou cortando as cabeças dos presentes para se focar em outras regiões menos eloqüentes. E que custava para os moçoilos manterem as camisas quando a câmera estava filmando? Acho que as câmeras tinham que ficar de fora da próxima vez.

Manter a amizade na guerra é possível, graças a la buena gente del sur!

Eu não assisto aos jogos da Argentina. Adoro o Maradona, o acho uma das melhores personalidades locais. Torço por seu sucesso – mas que fique claro que não irei ver sua corrida pelado no Obelisco como ele prometeu se a argentina ganhar. Tenho baixa tolerância para cenas fortes.  Até agora, temos visto os jogos da seleção na casa de um amigo. Juntamos-nos como a resistência silenciosa e subversiva no bairro de Colegiales para torcer, roer unha e gritar pelo Brasil. Tocamos pandeiro, sopramos corneta, batucamos na mesa e tomamos Quilmes!!!!!!!!!Depois, voltamos no metrô com cara de “chupa essa manga , Argentina”. Eu sei que isso não é legal, but I can’t help it!

Vamos combinar? é possível. O negócio é manter o espiríto esportivo!

Sinto uma falta danada dos fogos, do buzinaço, do carnaval nas ruas. E me sinto num pesadelo daltônico quando vejo as ruas pintadas de azul celeste e branco e não de verde amarelo como estava acostumada a ver.  E tenho uma reclamação formal: Claro, pare de me mandar mensagens de torcida pela seleção Argentina. Eu sou o inimigo! Vou quebrar este celular e mudar para Movi Star!

 Na verdade, não acho imprescindível que o Brasil ganhe esta Copa. Nossa seleção precisa triunfar sem desculpas em solo brasileiro no próximo Mundial. E vamos combinar? Está ficando chato para os outros países. Argentina e tal gosta de futebol. Mas, vamos aos números. Até agora, só ganhou duas copas do mundo ( 1978 e 1986).  Porque eu tenho que ficar lembrando meus amigos argentinos, que inundam minha caixa de e-mail nos intervalos dos jogos com provocações, disso?

Uma torcida multicultural

Se o Brasil acabar jogando com a Argentina, tenho um plano de fuga preparado. Corro para a fronteira. Nem que eu vá assistir a esse jogo em Uruguaiana! Levo comigo um bom bife de chorizo e uma Quilmes. Aliás, meu sonho sempre foi pegar um pedaço de carne argentino e assá-lo a la brasileira do outro lado da fronteira. Um dia eu explico o porquê. Então, para não ameaçar a supremacia Brazuca, nem passar meus próximos anos aqui escutando provocação, eu to torcendo mesmo para Gana, Eslováquia, Argélia ou Paraguai. Fuerzaaa Eslováquia!!!!!!!!!!Mas, se o Brasil ganhar vou comemorar com Fernet e Coca. Lo siento…