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Noches Armenias

23 mar

 Para chegar à lista do que ha para comer e beber no cardápio é preciso atravessar pelo menos umas dez paginas de

Meio Casamento Grego, Meio Clube da Lua, meio bingo, o jantar da Uniao Armenia de Buenos Aires eh um happening no bairro!

publicidade da comunidade. A barbearia de fulaninho, a loja de bijuteria de cicrana, o negocio de molduras de Jorge, a agencia de viagens de Florência.Para achar o edifício é preciso perguntar ao porteiro dos edificios vizinhos. Para chegar ao enorme salão onde se serve o jantar é preciso descer dois lances de escada.  Talvez seja o clima de bairro, de clube, de bingo que tenha me inebriado, algo de Godfather armênio. Mas, ha algun tempo tenho um programa favorito as sextas feiras. Dessa vez, eu prometo nao comer ate a tampa e voltar para casa caminhando sob uma sinfonia de ” ai & ui” e ficar depois como uma jibóia que comeu uma capivara, digerindo o jantar por semanas. Vou me comportar. Eu sempre me faço promessas vãs. O jantar na Sociedade Armena acontece, religiosamente, todas as sextas feiras. Cozinham as mães, servem os filhos. Come a gente que descobriu este segredo em Buenos Aires. Eu descobri este lugar porque sou uma intrépida bloggeira e leio tudo que me cai nas mãos. Desde então tenho este programa sextas pela noite ( tambem aos sabados, mas como sou uma senhora cheia de manias me habituei a ir nas sextas). É uma benção e uma praga, pois arruína qualquer esqueminha noturno pos jantar, mas é o que me mantém dormindo relativamente cedo para estar acordada nas manhas de sábado, quando tenho aula onde Judas perdeu as botas. Desde então, venho organizando pequenas excursões de amigos para lá. A desculpa é levá-los a um lugar diferente, mas a verdade é que preciso de companhia para meu banquete armênia quando os mais próximos ja enjoaram de minha obsessão mediterrânea.

O cenario, a decoracao kitch e o clima eh meio como do filme O Casamento Grego

O lugar me lembra este filme do qual participou o Tony Ramos local ( com as devidas reservas e diferenças capilares, compara em termos de popularidade apenas), Ricardo Darin, o Clube da Lua. Um misto de loucura entranhada em cada unidade de bairro e tradicao que troppo me agrada! Existe, uma vez que lentamente abandonamos nosso avatar de turista, uma vida endógena de barrio em Buenos Aires, é um climinha de vizinhança, com uma aura de domingo no parque, com a presença familiar dos mais velhos e a frescura dos bebes que correm erraticamente pelos salões e festas da classe media. Depois de duas vezes que você vai a um lugar já passa a ser cumprimentado pelo nome e a chamar seu garçom pelo nome. É a cidade que sente saudade da província, a metrópole em seus bolsões de bucolismo.

Nao sei muito bem porque mas me lembrou o Clube da Lua, filmao!

Quando eu conto os pratos para minha amiga turca, que não vai porque tem medo de ser hostilizada dada a historia animosidade entre turcos e armênios, ela me diz ” mas manti eh turco!”.

Quando lhe falo das dancinhas que acontecem todas as ocasiões quando no meio do jantar os estudantes – garçons

Eh comer e depois ir para a casa como uma jiboia que engoliu uma capivara!

 fazem uma animada apresentação de quinze minutos, ela me diz que são definitivamente danças turcas. Eu lhe digo que vou meter-ta dentro de um grupo de brasileiros e ninguém vai reconhece-la turca, fulaninha da silva, eu lhe chamo. Ela saliva quando lhe falo dos shish kebabs, das berinjelas ( porque são loucos por elas), do yogurt e baklavas e ela morde seu lábio inferior em delírio nostálgico. E é definitivamente a melhor comida ” árabe” que já comi; ficando claro que chamo de ” árabe” para que meus leitores identifiquem que tipo de comida que é.

A certa altura esse homem com cara de dono de loja de Swarma, com os últimos botões da camisa abertas deixando a mostra um grosso cordão de ouro, nos pergunta: ” Algo para anunciar? Aniversários, bodas de ouro, celebrações, formaturas, negócios?”. É o momento que nos entreolhamos e dizemos: ” No, nada” e esperamos pelos os próximos vinte minutos de comemorações na mesa 70, aniversario na mesa 33, noivado na mesa 15 e tantas outras comunicações do ” Armenian times” em Buenos Aires.

Comida de deixarqualquer outra na chaoun!!!!!

A comida é boa e barata e, se alguém tiver um espírito aventureiro, é possível, por 20 pesitos a mais, ler a sorte na borra de café. Depois, é voltar para casa e por a pança porque o máximo de after depois desse jantar é um filminho acompanhado de uma caixa de baklavas, sim porque sobremesas para levar são um must.  Provincianismo e metrópole se misturam numa noite meio Casamento Grego encontra Perfume de Mulher, vale a pena conferir e esbaldar-se armenian style! Lembrei-me do unico personagem armenio das novelas brasileiras, a Dona Armenia da Rainha da Sucata. E vou te contar que esse jantar colocar qualquer outro jantar etnico da cidade na chaoun!

Servico:

 Unión General Armenia de Beneficencia ( Armenia, 1322)

http://www.ugab.org.ar/site/

Reservas:

4773 2820

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A Festa de Babette

19 out

 

Perdoem-me leitores se os últimos e próximos posts remetam a um pouco de nostalgia e banzo. Mas, eu cometi um erro. Amargo já sete meses sem pisar no Brasil, deveria ter ido diversas vezes, mas por paixão a Buenos Aires não consegui deixar esta Isla Bonita senão para voltinhas mais ao sul. Por isso, confesso que entrei numa fase complicada que culminará em dezembro quando volto à saudosa maloca para longas férias. Deveria ter empreendido visitas homeopáticas, eu sei. O que me resta é matar saudade do pouco do que é muito brasileiro em Buenos Aires. E eu não estou me referindo a comer feijoada no restaurante Me leva Brasil na Plaza Armenia. A saudade já virou saudade de algo mais mundano. Saudade da  pizza brasileira, do arroz como é feito no Brasil, do jeito que comemos sushi. Saudade da temakeria.Eu costumava sair da Yoga nas segundas e quartas direto para temakeria. Era, para mim, o momento certo para cair de boca num salmão. Feito o exercício, a limpeza espiritual, queria mesmo era uma garrafinha de cerveja, depois do dia duro de trabalho, e um kone para voltar assobiando para casa.

Sabe-se lá porque cargas d’água parece não haver pesca significativa nesta orelha do Rio Prata. Não há a menor cultura de peixe em Buenos Aires. Já comi bons frutos do mar em restaurantes espanhóis e vejo um certo protagonismo marítimo nos mercados no Barrio Chino, mas peixe não é nem personagem coadjuvante nos cardápios da capital.  O negócio é carne, alta, gordurosa, em grandes quantidades. Tenho a impressão, às vezes, que os acompanhamentos são dispensáveis para os portenhos. Por eles, tiravam o boi do pasto, cavavam um buraco, assavam e enfiavam o garfo ali mesmo no bicho.

Eu não. Sinto falta de variedade e te tanto ver carne estou cada vez mais adepta dos vegetarianos. Por isso, entrei no processo “sabores da terra” onde procuro comidinhas com um je ne sais quoi de jeitinho Brasileiro. O primeiro que achei nessa jornada ao coração da gastronomia nostálgica foi uma boa pizza. Se, no começo, em missão kamikaze calórica, eu gostava das enormes e fundas pizzas portenhas, hoje sinto falta mesmo é de algo leve.  Não tenho nada contra me acabar na Guerrín, no El Cuartito, sair da Boate as cinco da manha e cair na Kentucky na Santa Fé ( aberta 24 horas). Mas, com a proximidade do verão, prefiro andar no lado branco da força. Descobri essa cadeia de pizzerias: Armacen de Pizzas. Não é uma pizza em Napoli, mas é mais fina e leve, e tem variações mais complexas do que as tradicionais Fugazzas e Fugazzetas ( pizzas de cebola) e nem tudo leva morrón. Morrón, nossos pimentões, são aparentemente obrigatórios por lei em todos os ingredientes de qualquer prato bonairense. A essa altura preferia que fosse até jiló, porque já sofri pelo menos três overdoses da leguminosa. O mesmo acontece com o purê de abobora. Eu continuo comendo porque costuma ser a opção mais saudável do cardápio. Mas, na verdade, preferia fazer campanha para o Maluf a continuar comendo “purê de calabaza”. Por isso, ando atrás de comidinhas tudo a ver com o modo brazuca. O Armacen da Pizza é uma excelente pedida e com delivery para aqueles dias em que tudo que se quer e ver os mineiros serem retirados da mina um a um com a companhia luxuosa de uma pizzazinha. Essa é a dica número 1. A gigante pizza da casa é tudo que faltava no seu programa filme e amigos. Na ausência de um boteco com frango a passarinho e pescoço de peru, ás vezes caio de boca num peruano.

A comida peruana está “de moda”na capital. Acho que deve ter começado com a tradicional aglomeração de estabelecimentos  na região de Abasto. Onde vendem frango a assado a quilos e transcendeu as barreiras do “bar sujinho” ganhando ares aristocráticos nos restaurantes nipo-metidos a besta em Palermo. Hoje, tem de tudo, das cozinhas onde se reúnem expatriados peruanos para matar saudades limeñas a chiquérrimos nipo-peruanos com seus sushi s recheados de abacate e ova de qualquer coisa de mares distantes. Por motivos estritamente financeiros eu prefiro comer com os exilados em cantinas menos high end. Conheço algumas as quais me fiz adepta como o Tataki  e o Chan Chan, cuja decoração kitsh com rosas de plástico pregadas com durex na parede eu adoro. Ultimamente parei de explorar ceviches, causas e papas hucainas para encontrar semelhanças com nossos PFs de todos os dias. Você sabe o que é um arroz soltinho? Pois eu, até encontrar o Perú Deli, não me lembrava mais o que era. Como cozinhar arroz na capital já foi tópico de discussão acalorada, como argumentar política, em mesas brasileiras na capital. Não sei se é o nível de amido, o ponto de cocção, só sei que quando leio que “hay que colar” meu corpo inteiro reage ao fato de ter que escorrer o arroz como se fosse um macarrão. Eu me nego. Parece frívolo dedicar todo um parágrafo ao arroz argentino. Mas experimente ficar meses sem um arroz branquinho, soltinho.

 Por isso que, quando me apresentaram o Peru Deli, eu fui ao céu e voltei. A comida é ótima, mas tem dias que poderia pedir que me entregassem arroz, só arroz. De qualquer forma, o tempero peruano é parecido com o nosso e um simples frango acebolado pode ser a santa ceia para quem padece de banzo, como eu. O lugar oferece opções fúsion , até agora all quieto n the western front, comida excelente. Esta é a dica number 2! 

A ceia nipônica de Babette – Eu explicava aos meus amigos a estória do filme a Festa de Babette e porque me sentia no meu momentum cinematográfico enquanto colocava para dentro a largas mordidas um temaki de salmão e camarão na filial da cadeia brasileira Kono em Las Cañitas. Para eles, eu estraguei o final do filme que não haviam visto. Aqui, vou manter algo por ver. No filme, a francesa Babette chega a este povoado dinamarquês  no meio de uma noite de tempestade pedindo abrigo na casa de duas irmãs solteironas. Elas a abrigam e catorze anos depois ela recebe a notícia que ganhou uma fortuna na França. Resolveu então fazer um banquete suntuoso para as senhoras e amigos. Faz vir da França codornas, peixes, patos e todo tipo de iguaria e faz uma ceia faraônica. Há um twist a mais no filme que não me atrevo a contar, mas a metáfora vale para dizer que me senti assim há uns dias atrás, comendo o banquete nipônico de Babette e deixo a dica para quem não viveeee sem sushi como eu. Kono, Las Cañitas é a dica número 3. Continuo postando!

Serviço:

Clique no nome dos restaurante para horários, endereços e telefones.