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Argentina, a rainha do deserto

15 jul

 

Vigilia na frente do Congresso

Nos últimos dias só se falavam de duas coisas na Argentina: a onda de frio que invadiu o país e a tramitação da lei que aprova o casamento de pessoas do mesmo sexo no país. E foi sob este frio polar que milhares de pessoas enfrentaram a madrugada de ontem de temperaturas quase negativas para acompanhar em frente ao Congresso da nação a votação da lei que dava equidade de direitos ao matrimonio de homossexuais.

Aprovada!

As quatro da manhã veio o veredito do Senado: 33 senadores  a favor, 27 contra e 3 abstenções transformaram a Argentina no primeiro país da América Latina a legalizar o casamento homossexual. O dia 15 de julho é uma data história na luta por igualdade de direitos de gays e lésbicas por aqui. Agora, só falta a presidente do país, Cristina Kirchner, que é abertamente a favor do matrimonio gay, sancionar a lei. Foi incrível acompanhar também o apoio heterossexual á campanha dos homossexuais. Com todos os taxistas que conversei, por mais humildes que me pareceram suas raízes, estavam de acordo com a aprovação da lei. Meus amigos mais machões, as pessoas menos esclarecidas, já pareciam reconhecer uma realidade que chegou para ficar: nós heterossexuais não temos que meter o bedelho na vida amorosa dos outros.

Festa no Congresso!

A retrógada Igreja do país terá que “chupar esta manga arco-íris” e dar por fracassados seus esforços de mostrar a nova lei como uma dissolução dos valores de família. Durante meses, as associações de direito homossexuais agüentaram dignamente debates regionais e nacionais que os tachavam de doentes, anormais, aberrações e outros absurdos que só uma instituição retrógrada e reacionária como é a igreja sul-americana é capaz de verbalizar. Na noite anterior a votação, gente de todo país ( como de Mendoza, 14 horas daqui) veio expressar sua ignorância e intolerância graças a convocatória da igreja. Isso, fez com que me fugisse a explicação lógica de porque, em pleno inverno glacial, alguém enfrentaria uma viagem de 14 horas para expressar seu ódio.

O argumento de que o Estado deve dar condições iguais aos seus cidadãos, independente de suas preferências pessoais, prevaleceu na noite de ontem em cima daqueles que tachavam a nova lei de uma permissividade imoral.  Faço aqui um adendo que, para mim, imoralidade é a pedofilia velada que a igreja vem permitindo desde seus primórdios contra vítimas silenciosas ou silenciadas ao largo da história de suas instituições.

Madruga histórica

Falta agora o resto das nações sul-americanas passarem por cima de seu machismo e moralismo histórico e seguirem o exemplo da Argentina que, dessa vez, saiu na frente. É preciso acabar com essa inquisição contra uma situação que está mais do que consolidada. Ninguém vai deixar de amar porque não pode se casar e nem de adotar porque não vem de uma união de pessoas de sexos distintos. Vítima de caudilhos, ditaduras, expropriação sucessiva, roubos coloniais e ingerências histórias, a América Latina só não pode ser vítima de sua própria ignorância.   Muy bien Argentina, neste deserto a Rainha é você!

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