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La Onda Sana

14 abr
 

Tiendas Naturales: meu preferido

Eu sei que quem vem a Buenos Aires vem na onda mais carnívora que Hannibal Lector, mas, atenção, Buenos Aires living pode causar o entupimento de suas artérias e alargamento de suas medidas. Não se pode viver todos os dias comendo bifes com mais de um palmo de altura que, como ilhas, estão cercados de gordura para todos os lados e acompanhados de um Aconcagua de batata frita, nem milanesas do tamanho de um jogo americano. Não me levem a mal, quem me conhece sabe que sou a coisa mais distante que se tem noticia de uma vida saudável regada à alface e tofu. Sou mais junky que a Re Bordosa, tão sana quanto Keith Richards. Mas dizer que portenhos vivem exclusivamente de parrillas é o mesmo que contar que baianos comem moquecas todos os dias.

Nao da para viver de parrilla…

É certo que o cheiro característico da cidade é o mesmo daquele seu churrasquinho de domingo e que não há nada mais acolhedor que um choripan, mas, no dia a dia, me vejo cada vez mais em busca de restaurantes que tenham sucos de frutas em seus menus, coisa que não é tão comum assim em Buenos Aires. Nunca me imaginei salivando ao pensar em um peito de frango grelhado acompanhado de batatas ao forno e suco de laranja. Mas, esse desejo é cada vez mais freqüente. Outro dia quase abracei um garçom que me ofereceu uma salada de frutas de sobremesa. Comi com os olhos cheios d água, pensando que era uma ironia que, em uma cidade cujas confeitarias são reluzentes que joalherias, sentiria tanta falta de uma salada de frutas. 

Opcoes para nao entupir as arterias...

 

Acho inútil julgar os hábitos culinários e gastronômicos de qualquer cultura. Esse, é claro, tópico de muitas discussões entre Argentinos e Brasileiros por aqui. Brasileiros podem achar a comida dos hermanos pesada, mas imagine o estrago que uma feijoada ou qualquer prato com azeite de dendê pode ocasionar no delicado estomago ariano argentino. Embora a dieta baseada em opções quase sempre carnívoras, massas, doces e folheados possa parecer agressiva ao paladar brasileiro,  não se assuste se um argentino te enumerar uma serie de itens da culinária cotidiana brasileira que entrariam facialmente para o ranking das 10 top comidas mais letais da historia da humanidade, troféu Fura Bucho mesmo. E eu devo confessar que depois de esbravejar contra as medialunas aqui no blog agora sou candidata ao Medialunas rehab, pois não posso para de come-las. Meu pânico aumentou quando descobri uma loja das Medialunas Del Abuelo aqui na esquina. Apenas as melhores medialunas da cidade. Tive que morder a língua.

Se o seu negocio eh comer bem, compre um!

Uma coisa eh certa: nos possuímos mais diversidade alimentar que eles. Com uma agricultura um pouco mais perene, dimensões territoriais mais reduzidas se comparadas as nossas e vocação geográfica para a pecuária a Argentina não eh o éden tropical ao qual estamos acostumados. Faltam um montão de frutas, verduras e cereais que fazem parte de nosso menu de todos os dias no Brasil.  Ausência notória também são os self-services que não são comuns nessa parte do continente. Felizmente, dado ao status quo de meca gastronômica e tendências cosmopolitas, Buenos Aires segue sendo um ótimo lugar para comer.E foi tentando fugir dos prazeres da carne, bifes de brontossauro e acompanhamentos fritos que eu descobri o fantástico mundo das pequenas delicatessens naturais. Desde então nunca mais comi um bife de chorizo caros leitores. E me sinto obrigada a dividir meus achados.

Vamos la:

 
 

Nao vou mentir, viciei.

Tiendas Naturales:

Depois que me mudei para este pedacinho de Palermo entre o Parque Las Heras e Av. Santa Fé, ando explorando, with a little help of my friends, a região que eu chamo de Baixo Las Heras, uma zona ótima cheia de cafés e restaurantes e a fina bossa portenha. O Tienda Natural ( Cabello 3401) segue direitinho a bíblia dos restaurantes meio bistrô meio naturebas de Baires. A diferença é que a comida é mesmo boa. O sanduíche de peito de frango, brie e chutney de maçã é simplesmente divino. Para quem curte uma salada transada este é o lugar. E a boa noticia é que os preços são pra la de justos e o atendimento amigável. Alias, para Buenos Aires o atendimento de la é mais que amigável. Outro dia ganhei de uma simpática garçonete uns bolinhos de cenoura para comer rezando. Mas, embora, as sobremesas façam jus a boa comida do lugar, vale a pena caminhar uma quadra ate um café super little darling chamado Nucha ( Salguero 2587), cujos os docinhos parecem pequenas jóias e eh possível tomar um café ao som de um jazzinho ambiente e ver a chuvinha fina cair pela janela.

http://www.tiendas-naturales.com.ar/

http://www.nuchacafe.com/

Natural Deli: Eu gosto da sucursal na rua Laprida 1672, um local super agradável, na auspiciosa vizinhança de Aguero, sob veredas de arvores e com um pequeno armazen de produtos orgânicos. Perfeito para um almocinho light ou mesmo um café orgânico. Eu simplesmente adoro a torta integral de espinafre e cogumelo. Os menus de almoço e jantar também são qualquer nota, outro dia comi um filet mignon com purê rústico de batatas e almendoas que estava levinho juro e dos deuses!

Natural Deli, uma excelente opcao. Vedette de Aguero!

 http://www.natural-deli.com/index.php?seccion_generica_id=450

Spring: Com uma proposta um pouco diferente das delis naturais, o Spring ( Bulness 2577)  tem uma enorme vantagem para quem sonha com abundancia e variedade: eh self service ou, como chamam por aqui, tenedor libre,  para comer a vontade. Vegetariano e asiático, barato e ambiente menos cool que os outros o restaurante quebra um galho pois eh super barato e gostoso. Mas, não espere charme, porque não esta no cardápio. No entanto, a comida, principalmente para quem é vegetariano, é bem interessante. Eu gosto!

http://www.springrestaurante.com.ar/

Tea Connection: Vai na mesma linha que as outras delis orgânicas, mas já virou um franchising. Para mim, que desconheço a historia desse tipo de estabelecimentos em Buenos Aires, é o pai de toda essa onda deli natural. Mas, embora super gostoso e possivelmente o mais arrumadinho de todos, não eh meu preferido. Acho o cardápio conciso demais. Mas, não se iluda, costuma ser a melhor opção de almoço da zona. Tem seis sucursais e águas saborizadas que são incríveis. Não é barato, também não é absurdo,  mas vale a pena.

http://www.teaconnection.com.ar/

Origen: Já parei para tomar algo, mas ainda não comi La. Mas é em San Telmo numa região bem turística e bacana, perto de uma loja que eu adoro, a Cualquer verdura, da melhor torta de limão de Buenos Aires ( Del Limonero) e de um restaurante ótimo, o Habib. Super recomendados por amigos.

Humberto 1º 599

http://www.guiaoleo.com.ar/restaurantes/Origen-2432

Deixo AQUIIII! tambem o link para um post que fiz sobre meus caminhos zen e restaurantes vegetarianos que eu gosto na cidade.

 E recomendo que comprem o guia da divinissima gourmet Narda Lepes, uma biblia gastronomica!
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Belgrano é uma festa!

7 ago
 

Sweet Belgrano...

Buenos Aires é subaproveitada por turistas. Principalmente por turistas brasileiros. Estão comendo a casca e jogando a banana fora.  Para começar, parecem personagens em um desses programas de televisão onde dão dois minutos aos participantes para colocar no carrinho de supermercado tudo que puderem levar. Acho que no aeroporto já lhes dão um cronometro: “Vocês tem tantas horas, minutos e segundos para comprar tudo que encontrarem no caminho”. Eu sei que o cambio nos é favorável.  Não sou contra a passarem um dia inteiro nos Outlets da Avenida Córdoba satisfazendo os mais primitivos instintos consumistas. Não é minha praia. Mas, como dizem por aqui, “que sé yo”, eu sou apenas uma estudante dura de mestrado que ainda não superou os ideais hippies da década de setenta e prefere mil vezes gastar num bom vinho do que deixar minha pouca plata na loja da Adidas. Cada um com o seu cada um. O capitalismo é selvagem. A economia portenha agradece.

Belgrano e suas alamedas

Porém, não vou deixar de postar aqui minhas humildes sugestões para um turismo um poquito mais off Road, com menos português pelas ruas e mais contato com o dia a dia portenho que a bateçao de perna na Calle Florida que aliás, por mim, podia mudar-se para Miami. Eu tenho uma lista de cinco lugares que “você quer ir e eu não” em Buenos Aires. Coincidentemente, estão no top das listas dos turistas da capital. Acho que o turismo, na medida do possível, tem menos com o consumismo e mais com o experimentar de outras culturas. Na minha lista negra estão: Calle Florida ( para mim é o limbo de turistas que se crêem em Miami), Caminito (é uma cidade cenográfica), Plaza Francia ( é linda, mas eu enjoei) , Café Tortoni ( existem lugares muito mais charmosos onde não se cobra em euros na cidade) e Puerto Madero ( não vejo graça nenhuma em um lugar remodelado, a não ser se for para um belo por do sol).

O lado chines de Buenos Aires...

Por razoes de distancia, eu vinha ignorando o bairro de Belgrano. Não é tão longe assim. No entanto, em uma analogia chula, seria para mim a Barra da Tijuca da capital. Estou exagerando é claro, é a argentinizaçao. Aproveitava as tardes de sábado, no entanto, para comer no Bairro Chines. Como tenho aulas em Victoria, uns quarenta minutos de trem da capital, acabava por voltar pelo bairro Chino e aproveitar para variar um pouco com as comidinhas asiáticas. É um dos meus lugares preferidos na cidade. Na verdade, não passa de um par de ruas, começando no cruzamento das ruas Arribeños e Juramento. Mas, possui uma incrível aglomeração de restaurantes chineses, lugares que venho obstinadamente explorando nos últimos meses.

A Bloggeira, uma visitinha ilustre e o miojo gigante. Tem de tudo no Barrio Chino!

Cheio de lojinhas de penduricalhos, o bairro chinês é uma tchuchuca asiática que ganha vida durante os feriados e fins de semana.

O bairro Chines e suas criaturas. Nao me atrevo a dizer com que isso se parece!

Minha primeira parada sempre é a pequena lojinha de frituras do lado do supermercado Asia, na rua Mendoza. O negócio é comer sem preconceito os espetinhos pingando de gordura que você não sabe o que são e provavelmente não gostaria de saber o que são. Esqueça a alimentação saudável e coma esquisito e gordo. Deslembre sua noção de texturas e crave os dentes no gelatinoso tempura de merluza e depois reze para não ter uma infecção intestinal. Nunca me aconteceu, mas sempre me sinto vivendo perigosamente quando como esses troços deliciosamente estranhos.

 
 
 

Supermercado Asia: tem de tudo!

Justamente ao lado está o supermercado Asia, uma Meca de alimentos que você talvez jamais saberá do que se tratam.

Tantas variações de molho Soyo quanto há de vinhos, criaturas do mar que jamais deveriam chegar a superfície, doces chinês que desafiam a imaginação humana, uma variedade de miojos impressionante, lulas desidratadas, sopas de amendoim, woks e produtos do mundo inteiro que fazem deste mercado o lugar ideal em Buenos Aires para achar o azeite de dendê para aquele Bobó que você tanto sente saudade. Um templo gastronômico que infelizmente carece de tradução do Mandarin, mas enche os olhos de curiosidade e o estômago de apetite. Com o apetite aberto é hora de explorar os restaurantes. Já comi em quase todos. Entre os destaques estão o Palitos e Todos Contentos que, nos fins de semanas, tem largas filas na porta. Mas, ultimamente, venho me encontrando sempre de volta ao Lai Lai, uma portinha na rua Arribeños, sempre cheio, com apenas um garçom para dar conta de tudo e pratos incríveis como o Pescado con salsa Picante. Prepare-se para a pimenta. O negócio é comer suando e com coriza.

Um passeio a "La Redonda", depois de comer no bairro chines a redonda pode ser voce!

Depois, de pança cheia, minha sugestão é começar a subir coroados pelas alamedas de arvores secas durante o inverno, e dignamente verdes no verão, a rua Juramento em direção a Av. Cabildo, onde uma pequena grande jóia os espera.

Meu jardim secreto, Museo Enrique Larreta

Um dos meus espaços preferidos na cidade é o Museu de Arte Español Enrique Larreta, Avenida Juramento entre Vuelta de Obligado e Cuba. Um pequeno Oasis no centro de Belgrano, o museu, já foi uma “Quinta”, residência de verão, afastada da cidade de uma abastada família espanhola. Hoje, é um charmoso museu com um jardim simplesmente espetacular e um baobá gigante desses que dão vontade de abraçar ( vale a pena tentar)! Por apenas um mísero pesinho é possível visitar a casa, que é um pedacinho da Espanha colonial, ambientada com luxuosos moveis antigos, tapetes, armaduras e quadros flamencos, a exposição em cartaz ( atualmente a bela coleção de quadros do pintor espanhol Manolo Valdés)  e ahhhh, fingir que você é de outra época, de outro tempo, de outro momento no jardim.

Um museu que é uma tchuchuca!

 

Com sorte, você será o único nesse quintal do mundo. Depois, aos sábados, é possível curtir a ferinha na Plaza Manuel Belgrano, passar um fim de tarde aí tem algo de nobre e altivo, aproveite para um café e uma visita a Iglesia Redonda , a maravilhosa construção circular da Paróquia Inmaculada Concepción de Belgrano. Tudo cruzando a rua do museu. Depois está todo mundo liberado para comprar a vontade na Av. Cabildo, que tem muito mais opções que a Calle Florida e um terço do português.

 E para aqueles espíritos aventureiros, vale apenas descer até a  Glorieta de Belgrano, em frente a rua 11 de Septiembre, e curtir um Tango nesse coreto incrível com os ares tão típicos desse bairrio singular! Até onde eu sei o pessoal costuma se reunir para um 2×4 nas sextas, sábados e domingos a partir das seis da tarde. Gente de todas as idades, sob todos os pretextos, bailando com el alma,por aparentemente nada além pura paixão.  Sublime é a palavra. E isso é só a ponta do iceberg do que é Belgrano!

Sweet Buenos Aires!

28 jul

Pode ser que Buenos Aires seja dura!

Pode ser que Buenos Aires seja hedionda.  Pode ser que eu ligue a televisão e haja mil acidentes de transito, 200 crimes passionais, viciados em craque e em amor, gente miserável dormindo nas ruas, assaltos a supermercados chineses e afanação de carteira na Florida. Mas, há lugares onde Buenos Aires é doce. Apenas doce. Pequenas bolhas de ternura que estão sempre no por do sol com luzes amareladas e árvores charmosas, crianças e carrosséis.  Existem lugares na Capital que guardam um je ne sais quoi  de infância, o cheio dos bolos das avós; a melancolia bucólica da vida se espreguiçando. Uma daquelas tardes eternas que devem ter inspirado Cortázar, Borges e tantos outros. Pequenos bolsos de vida que acontecem alegremente apesar do mundo.

Buenos Aires sublime...

Um desses lugares é Palermo Viejo, eu gosto, especificamente falando, da região perto da Plaza Armenia  (também conhecida como Plaza Palermo Viejo), descendo do burburinho da Plaza Serrano. É diferente durante a semana é certo. As senhorinhas distintas de Buenos Aires, os pais incrivelmente bonitos, as adolescentes abastadas, os bebes que ainda nem sabem que nasceram na classe média alta, as babás e os turistas mais inteirados estão por aí dando um ar de inocência que vamos lá, pode até perder sua graça para o batidão da feirinha de sábado, mas mantém sua dignidade bucólica até os fins de tardes meio felizes e tristes de domingo.

 
 

Fim de tarde de domingo na Plaza Palermo Viejo

Argentinos têm uma relação bem resolvida com o açúcar. Sabe-se lá porque milagre metabólico  não são todos pacientes de espera na fila da bariátrica. Os doces estão em todo lugar sendo mais abundantes que as guloseimas salgadas, não fosse pela carne que, por sua vez, não leva muito sal.  O maravilhoso mundo das Facturas, uma espécie de evolução do pão doce que pode vir com um milhão de diferentes recheios, formas e gradação de açúcar poderiam matar um diabético numa só mordida e subir os níveis de insulina numa só olhada de qualquer atleta.

Facturas: um esporte radical!

Eu não encaro. Fiz a escolha consciente pela vida.

Medialunas: Minha Satisfacion!

Não tenho o bom sangue desse povo, de descendência judaica, sou capaz de engordar de alguém está comendo no país ao lado. Mas, não posso deixar de admirá-las de forma passiva como se fossem uma boa exposição no MALBA, no bom e velho estilo “you can look but you can touch!”. Estão presentes junto as semi doces medialunas, pequenos croissants que podem ser de manteca ou grassa ( manteiga ou gordura senhor?) . Eu enjoei. Estou como Mick Jagger que dizia que preferia morrer a ter que cantar Satisfation pelos próximo vinte anos de sua vida. Nada me faz querer comer medialunas pelos próximos vinte anos. Prontofalei. Não é uma crítica gastronômica á Argentina, existem grandes ultrajes a saúde humana na culinária brasileira também ( para os quais fomos evolutivamente equipados com sal de frutas). Longe de mim. Mas, enquanto meu pâncreas não for geneticamente modificado, estou fora.

Abrindo uma excecao!

Mas, existem ocasiões em que ficar sem o doce da vida é castigo!!!!!!

Muffins no Muma's Cupcakes!

Uma dessas ocasiões é deixar passar um cupcake no Muma’s , Malabia 1680. Sabe a casa doce em que ficavam presos João e Maria? Devia ser algo por aí. Uma pequena lojinha, sempre apinhada de gente, com um a licença poética do exagero, tem um cheiro que é mistura de céu com paraíso, aroma de nuvem, de raio de sol e orvalho matutino. Um verdadeiro Olímpio de pequenos bolinhos enfeitados como debutantes mexicanas com detalhes tão fofos e comestíveis que dá vontade de empalhar-los e jamais triscar neles.

E mais, aqui não há discriminação: o lugar é diabéticos e celíacos

 friendly! Eu sempre levo minhas visitas lá, principalmente àquelas que não alcançam o balcão e é só sucesso. Não são tão baratinhos ( entre 5 e 7 reais), mas valem cada peso! Curtam o site e o calendário de que dia sai o que do forno: http://www.mumascupcakes.com/

Minha visitinha ilustre tendo seu momento "é tudo meu!" no Muma's cupcakes!

Adote um Bodegon!

21 jul

 

Meu lado Amélia adora o suplemento de culinária que publica todas as quartas-feira o jornal argentino Clarín intitulado Ollas y Sartenes . Mas, ia comer mosca se não se não fosse a indicação do meu amigo, o jornalista Maurício Boff. Desde a semana passada, o diário vem publicando matérias sobre os melhores bodegones da cidade. Para quem não sabe, e eu mesma não sabia antes de vir viver aqui, os bodegones são esta instituição porteña que o artigo define como “um lugar para comer comida caseira, em grandes porções, com preço correto, ambiente amigável e longe das modas passageiras”.

Bodegon: encontre o seu!

Mas, na verdade, são mais que isso. São estas esquinas do mundo que resistem à padronização do tempo. Aqueles lugares onde garçons que já deveriam estar aposentados sentem-se em casa e te servem fazendo piadas impróprias ou não, conhecem os clientes mais tradicionais em uma aura boêmia e geriátrica que faz com que você nunca mais queira entrar numa Mcdonald’s. Em Buenos Aires, são tão patrimônio histórico quanto os museus e monumentos, um lugar para ver velhinhos solitários que te lembram Borges, famílias varando gerações de freqüência, donos e clientes se misturando, em um clima de bairro que faz com você tenha vontade de pertencer a uma comunidade, dessas que promovem bailinhos de tango e campeonatos de gamão.  E, por que não, comer bem!

E come-se bem e farto!

O difícil mesmo é variar.

Os garçons deveriam ser tombados, patrimonio da cidade...

Depois que “agarras amor” pelo lugar é ( mesmo que você seja para eles do tipo gringo disfuncional, meio a Alemã do Bagdá Café) e provar outros lugares. Vejo-me repetindo este padrão em Buenos Aires. Há lugares não aconchegantes que te impedem que conheça outros lugares. É uma tentação. Mas, quando vê aquele garçom que já te conhece, vindo com aquele tradicional traje de pingüim, com aquela superada bandeijinha e adorável mau humor, algo terno nasce.  

Algo familiar e nostálgico...

De qualquer forma, se você está só de passagem, e ainda não agarrou amor por aquele velho garçom intragável, que de tão rabugento ficou fofinho, fica aqui a matéria dos Bodegones publicados pelo Clarín ( a primeira). AQUI!!!!

E lista:

Albamonte . Corrientes 6735, 4553-2400.

Almacén y Bar . Cochabamba 1701, 4304-4841.

Angelito . Camargo 490 4855-9667.

Bar del Gallego.

Bonpland 1703, 4771-1526.

Bellagamba . Av. Rivadavia 2183, 4951-5833.

Café de García.

Sanabria 3302, 4501-5912.

Cantina Chichilo . Camarones 1901, 4584-1263.

Cervecería López . Alvarez Thomas 2138, 4552-0275.

Club Eros . Uriarte y Honduras, 4832-1313.

Club Hungaria . Pasaje Juncal 425, La Lucila. 4799-8437.

Don Chicho.

Plaza 1411, 4556-1463.

Bar El Chino.

Beazley 3566, Pompeya, 4911-0215.

El Defensor . Defensa 1380, 4307-1012.

El Desnivel.

Defensa 855 4300-9081.

El Obrero.

Agustín Caffarena 64, 4362-9912.

El Preferido de Palermo.

Jorge Luís Borges 2108, 4774-6585.

El Puentecito . Luján 2101 4301-1794.

El Renaciente.

Medrano y Gorriti, 4862-9905.

Para quem ainda não agarrou amor pelo garçom octogenário e mal humorado do seu bodegon favorito fica a sugestão do livro do italiano naturalizado super porteño, Pietro Sorba, que minha amiga e bloggeira favorita, Gisele Teixeira, me emprestou e eu estou enrolando para devolver.  O nome é Bodegones de Buenos Aires e é fácil de encontrar nas livrarias da cidade. Do mesmo autor, Parrilas de Buenos Aires é também uma grande opção para aqueles que acham que alface é planta de jardim e se rendem sem restrições aos prazeres da carne – e por isso entende-se um belo bife de chorizo com 8 cm de largura com uma capa de 3 cm de gordura.  Vale a pena conferir também a lista de bodegones do descoladérrimo site Planeta Joy, AQUI!!!!

Depois, adote seu bodegon e curta. Mi casa es su casa.

Zen nos Aires

31 maio

Procura-se uma yoga deseperadamente...

Confesso que, embora não me falte vontade e saudade, não tenho posto muito empenho na busca pela Yoga perfeita em Buenos Aires. Fui seduzida pelo estilo de vida sedentário (ainda que a gente ande um montão nessa cidade), pelos prazeres da carne ( estou me referindo ao bife de chorizo mesmo), ao vinho, a Quilmes, as baladas, estilo de vida Rock and the City Buenos Aires. Enquanto que, no que depender de meu desenvolvimento espiritual, e a conta do karma, nascerei barata cascuda na próxima encarnação.  

Ponha um pouco de Bhagavad Gita em sua vida

Mas, ando com tanta saudade da prática de Yoga, que pareço uma louca incomodando clientes e proprietários em restaurantes vegetarianos em busca de sugestões de estúdio de Yoga e meditações transcendentais. Aparentemente, meu corpo já se esqueceu do exercício, meus ombros caíram, a postura encurvou e a pança só cresce.  Sem contar com a saudade que sinto daquele cheirinho de Nag Champa e patchuli que permeava minha vida de yoguin.

O problema é que Yoga é muito pessoal. Achar a prática ideal de yoga é como achar o psicanalista perfeito. Assim como na psicologia, que tem um montão de linhas; como Junguiano, Freudiano, Gestalt, a Yoga tem suas modalidades também. Tem Hatha Yoga, Swastia, Ashtanga, Kundalini, e uma infinidade de outras correntes que, para quem conhece fazem uma enorme diferença.

A modalidade ( se é que podemos chamar assim) que pratico há mais de três anos é a Hatha, o estilo mais tradicional. A Hatha se baseia na permanência nos “ásanas” ou posturas, com ênfase na respiração, durante certo período de tempo. Já a ashtanga, a titulo de ilustração, privilegia a repetição desses äsanas de maneira sincronizada e mais dinâmica que a Hatha, o que para mim, críticas a parte, parece ginástica. Mas, é tudo muito muito muito pessoal. Outro dia, para minha surpresa, vi  até um anuncio de “hidroyoga” que era, no mínimo, bem interessante.

 

Chamem-me de conservadora, mas meu negócio é incenso, mantra e ásana. Nada mais, nada menos. Por

Restaurante Krishna

 isso, quando por sugestão de amigos, coincidência, acaso, ou programação acabo, como hoje, em lugares como o restaurante Krishna na Plaza Armenia, algum fogo (sagrado) reacende em mim. Não se assuste com as cadeirinhas que parecem importadas da, casa dos sete anões, nem com a trilha sonora indiana com narrações do Baghavad Gita, muito menos quando te oferecerem fumaça de vela em oração nem mesmo quando um mocinho começar a entoar mantras ao seu lado com seu instrumento indiano, o Krishna é assim mesmo: boemia espiritual. Pessoalmente, me sinto em casa.

 

Mas, entendo quando comensais assustados se entreolham com preocupação. O negócio é relaxar, passar o chutney no chapati e aproveitar um dos melhores restaurantes vegetarianos da cidade. Está certo que, para morar em Buenos Aires, é preciso ser mais carnívoro do que um leão. Mas, nem só de choripan vive o homem e a cidade oferece excelentes opções para quem quer se abstiver de comer seus filés de brontossauro. O Krishna (Malabia 1833) é a experiência completa para um almoço ou jantar espiritual. A comida é de-li-ci-o-sa, leve e com precinhos transcendais também.

 
Tulasi, espiritualmente bom e barato

Outra grande opção, para um almoço rápido e justo, é o Tulasi (Marcelo T. de Alvear 628 ), a passos da Plaza San Martin. Esqueça as mesinhas baixas, almofadas, som de citra, o Tulasi é um austero botequinho dentro de uma galeria pra lá de comercial no meio do rebuliço que é o Retiro. Qualquer semelhança entre seu espaço físico, simples, mundano e sem grandes luxos, e sua saborosa comidinha é mera coincidência. O cardápio é incrivelmente barato, o atendimento uma gracinha ( aliás, vale um parêntesis aqui, atendimento amável em Buenos Aires faz de qualquer lugar um ponto turístico) e a comida incrível, dessas que fazem os olhinhos se revirarem um pouco com cada garfada.  Você já se imaginou salivando por um tofú? Prepare-se. As sobremesas, super diets e orgânicas, são surpreendentes também. Tem o diabo de um doce feito de gergelim que lembra chocolate conseguindo superá-lo que é dos deuses. Alias, seu dono, um argentino muito simpático, morou anos na Índia e agora diz que vai fechar as portas no fim do ano para ir no morar no interior de São Paulo. Uma pena! O restaurante oferece ainda cursos de cozinha vegetariana. Confira aqui!

 
Devas: consumismo Zen

Por fim, se seu negócio, como eu, Barbie Yoga, é uma bela lojinha, não abrindo mão de umas boas compras nem em nome de seu karma, pode refestelar-se na livraria e loja Devas que tem uma pá de filiais espalhadas pela cidade. A franquia é recheada de livros, tarots, mats de yoga e uma série de essenciais e supérfluos para quem quer se antenar com uma energia superior.  A missão da loja é pra lá de ambiciosa “ayudar a armonizar al ser humano con las energías que lo trajeron a la vida”, menos né! Mas, é mesmo uma excelente opção para aqueles que procuram boa literatura sobre Yoga e a parafernália necessária para começar a prática. Uma divertilandia yoguin. Veja AQUI!.

No mais, alguém tem uma Yoga bacana para me indicar? Estou seriamente necessitada de assessoramento espiritual!

Restaurantes em Buenos Aires: 15 chatices

28 maio

 

Comer fora em Buenos Aires é ótimo. Não me entendam mal. A capital está recheada de restaurantes maravilhosos, repleta de opções, para todos os gostos, alguns imperdíveis, outros clássicos, enfim a cidade é um pólo gastronômico.  Mas, alguns hábitos adotados pelos estabelecimentos portenhos podem surpreender  negativamente muita gente. Hoje, o descolado site Planeta Joy publicou uma materinha muito legal sobre 15 chatices, ou encheções de saco, de comer fora aqui.

Entre as pentelhacoes mais comuns estão algumas desconhecidas pelos brasileiros como a cobrança de “cubiertos”.  Você já imaginou ser cobrado á parte pelos talheres e pratos que usa para comer? Surreal não? Não na Argentina. Muitos restaurantes cobram pelo uso da louça, pelas tolhas de mesas e outras coisas que sabe se lá o que. Este valor varia. Pessoalmente já vi cobrarem quase cinco reais por pessoa. Literalmente uma facada! É meio que o fatorzinho surpresa na conta. Cobrarão ou não cubiertos? Uuuuuuuuu….

Outro despautério: ser cobrado porque tem pouca fome e prefere dividir um prato. Juro taxa extra. Já me aconteceu várias vezes. Tem restaurante que estipula um prato por pessoa. Se não : multa! Eu me sinto onerada quando estou de dieta!

Pergunta: Nao estao te chamando na cozinha nao?

Mais uma irritação, entre as quinze que cita o site, é a mania horrorosa de omitir a conta. Explico: você pede a continha e camarada vem com a cara mais lavada e diz “ é tanto”. Cadê a notinha descriminando tudo camarada???? Um porre.  E o pior, fica do lado da mesa esperando você contar o dinheiro. Ei, não tão te chamando lá na cozinha não amigão?

Outra que pega muitos brasileiros em férias na capital de surpresa é quando não se pode escolher uma mesa. Eles escolhem para você. Às vezes, tão perto de outra mesa que pode escutar as mastigada do seu vizinho. Ai gente, capitalismo selvagem! Você está em dois e a mesinha simpática perto da janela num restaurante vazio é de quatro? Esqueça. Sei bye bye!!! Aqui casais sentam na mini mesa, aquela que faz com que sua manga da camisa fique passando perigosamente por cima do molho de tomate!

Uma sacada muito legal do site é também o momento breguerrímo em que chega o garçom com a garrafa de vinho mais barato do cardápio e espera aquela sua degustada a La sommelier para que sejam servidos as outras taças. Adorei, alguém tinha que se tocar disso.

Mas, acho que faltou um item: os garçons de Buenos Aires. Tudo bem que o site já tinha feito uma excelente matéria sobre a substituição de garçons argentinos por camareros de outras nacionalidades pelo simples fatos de que os daqui são intragáveis. Olha, isso não é uma declaração xenófoba, eu não sou daquelas que sai falando mal dos hermanos. De maneira geral, acho que são gente como a gente. Mas, os atendentes portenhos são geneticamente modificados para o mal! E, aparentemente, a gentileza é cobrada a parte.

Às vezes tenho a impressão que se pode comer tudo que se possa pedir em dez segundos. “Quero bife de chorizo bem passado, coca cola, batata frita…ai ele já foi!!!!”. Vamos dar o desconto porque aqui, graças os porcos chauvinistas proprietários dos restaurantes, há um número infinitamente inferior de garçons em relação ao número de mesas.  

Porém, ei o que te custa escutar meu pedido inteiro se você vai ter voltar para o pedido completo anyways!!!!Que me perdoem aquelas raras figurinhas simpáticas, como o garçom do Coreano Bi Won, Domingo Choque, que te atendem como se estivessem servindo ao Papa, mas o serviço na capital anda malíssimo! A boa notícia é que no site Guia Óleo você pode desabafar todas suas mágoas antes que elas virem câncer.

Confia a matéria do Planeta Joy AQUI.

O Limoeiro e a Cidade

10 maio

É oficial já é outono! As árvores desfolham, baixaram as temperaturas e a cidade se veste de tons alaranjados. Porteños investem no chimarrão para se aquecer. Os aficionados por cafeína enchem os charmosos cafés da capital. E para quem gosta de chá – com liturgia quase nipônica – vai a dica: Del Limonero. Localizado no bairro mais tchuchuca de Buenos Aires, San Telmo, na esquina das ruas Balcarce (873) e Estados Unidos, está a pequena casa de chá que, além das infusões, é um verdadeira ode ao, acredite se quiser, limão.

Lemon Pie: carro chefe da casa

Aliás, é o limão que dá o sabor a uma das especialidades da casa a Lemon Pie, uma orgia de limão e chantilly em uma torre de pudim que faz revirar os olhinhos e encrespar os dedos do pé. O chá, servido pela muy simpática dona do lugar, vem com um pequeno relógio de areia, para que seja tomado na hora certa e vem acompanhando de miúdas fatias de bolo vem fininhas e de um copinho de suco de limão. Depois da conta, a senhora ainda oferece uma borrifada de perfume, mais um gracejo que, bem verdade, nem precisava. Os clientes já estão fisgados.

O limao doce de Buenos Aires

A gentileza dos donos e a disponibilidade dos jornais locais e nacionais fazem do lugar um dos cantinhos mais aconchegantes de Buenos Aires, uma bonança no inverno e uma viagem sutil pelos sentidos. Um chá de amabilidade!

O Limão e mundo  

As primeiras árvores de limão que se tem notícia são originarias da região do Himalaia. Existem registros também de árvores silvestres na região do rio Eufrates. Os hebreus levaram a fruta a região da palestina e daí para a Europa.  Cristóvão Colombo plantou as primeiras plantas da espécie no Haiti em 1493. Logo, elas se espalharam pelo caribe e Américas. O limão já foi obrigatório em navios britânicos que travavam batalha contra o escorbuto. Hoje, a Argentina é a maior exportadora de limão do mundo, embora a maior produção seja da Índia, seguida pelo México.