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Buenos Aires: O momento Decisivo

19 jun
 

Pérola do Barrio Chino

Toda vez que alguém vem me visitar do Brasil e vai embora eu dou graças adeus que não sou eu. Vejo as pessoas com aquele olhar de despedida, com um sentimento novo de amor pela cidade, deixando suas “férias inesquecíveis” e, claro, me deixando com saudade.

Tribunales, meu quintal. Quem assistiu o Secredo de Seus Olhos? Esse é o cenário!

 Mas, para ser sincera, fico aliviada de não ter que ir. Vamos lá, me explico.  Depois não cheguem depois  aquelas acusações de anti-patriotismo que me deixam de coração partido. Eu sou a maior promotora de cultura verde e amarela por aqui.

Pizzaria El Cuartito na rua Tacalhuano, un dos meus cantinhos preferidos.

 Faço festa junina, mostro música brazuca pros hermanos, dou festas com pandeiro e tamborim, empresto livros brasileiros, torço pro Brasil na Copa do Mundo, defendo com unhas e dentes meu país, me arrepio quando sabem cantar Caetano…

Por do sol em Puerto Madero

Mas, pelo menos por enquanto, aqui é minha casa. Buenos Aires é o lugar cujas portas para mim se abrem de par em par. Meu pai veio me ver, e diante da minha declaração etílica de que “ou Buenos Aires acaba comigo ou eu acabo com ela” declarou que daria empate técnico

Eu diria Fernet y Fiesta, mas gosto é gosto!

E no meu empate, vou amando cada vez mais essa cidade que me recebeu de braços, pernas, tronco, dedos, cabeça, pescoço abertos.  Eu que sempre fui feliz (não há nada que me tire este privilégio) aqui descobri que era possível não só ser feliz, mas como também de verdade. Ser aquilo que se é quando todo o resto se esvai de identidade.

E nesses dias de paixão, encanto, maravilhamento e outono eu ganhei mais um auxilio luxuoso para demonstrar meu amor pela cidade: uma máquina fotográfica.

Não é nenhuma Canon com aquelas lentes que parecem lunetas, mas é minha própria máquina do tempo. EuAté agora eu dependia da generosidade de anônimos e conhecidos já que minhas finanças estudantis não me permitiam a extravagância fotográfica.

Breakfast of the champions!

 também não sou nenhum Cartier Bresson. Mas, tenho a meu favor a cidade.

  Estou particularmente feliz por poder fotografar os grafites e estênceis de que tanto falo e também partes cotidianas da minha vida que demonstram tão bem minha “conexão” com Buenos Aires.  

Pequena Spanish Villa, escondinha no Barrio Chines, toda vez que a vejo meu corazao bate no compasso...

Espero que Sebastião Salgado perdoe esta alma amadora e que minha “camara obscura” possa mostrar um pouco melhor o que eu precariamente venho tentando fazer com palavras.

Desfolhando com o outono

Buenos Aires Ink

7 jun

Arte na rua

Quando visitar Buenos Aires não deixe de ir aos Museus. A cidade tem um excelente de acervo de arte do passado ao moderno. Mas, se quiser mesmo saber o que acontece neste século, mantenha os olhos abertos pelas ruas da capital.

 

Coletivo Triángulo Dorado, uns dos destaques da cidade

 A cidade está cheia de intervenções urbanas e de nomes que, no olho da rua, emergem da obscuridade para ganhar espaços nas galerias do mundo.

Grafites abundam na capital

Considerada por muitas uma arte insular, marginal e até mesmo excluída da etimologia da palavra, a arte urbana ganha espaço também espaço nos bolsos dos colecionares que se apinham para pagar preços exorbitantes pelas obras do momento como é o caso do grafiteiro Bansky,  que vendeu uma de suas obras por cerca de US$ 244 mil.

Grande mural na estaçao de Carabobo, linha A

O Brasil, à dianteira São Paulo, está na vanguarda do movimento com excelentes nomes despontando no cenário internacional.

Muro pintado pelo artista porteño Jazz

Tomando este gancho, com grandes elogios ao vanguardismo brasileiro, e também da emergente arte na Argentina, o jornal La Nación publicou hoje em sua revista dominical um importante tratado sobre “la arte callejera”, ou arte de rua, na metrópole argentina. O artigo conta a estória da arte que vem transformando a fisionomia da cidade e misturando-se a constituição antiga das paredes, colorindo as fachadas e seduzindo os olhares dos transeuntes.

Arte callejera

O carimbo de Buenos Aires – Nas paredes dos becos, muros e metrô da capital abundam os estênceis,impressões com pequenas mensagens, políticas, humorísticas ou mesmo publicitárias que como um carimbo urbano sobre o concreto colorem os espaços cosmopolitas de Buenos Aires.

Estencil bem humorado

Sorria: a cidade está cheia de estenceis

Entre os grafiteiros, os destaques do artigo vão do colombiano Rodez (cuja obra eu tenho prazer de dizer que está literalmente debaixo da minha janela, na Pasaje Luis Dellapiane), Sego, do México ( cuja a obra eu tenho o prazer de relatar que está de frente a minha janela) aos argentinos Jazz , cenógrafo e muralista, Pum Pum ( argentina aficionada por Clarice Lispector, que tem coisas muito boas, outras que, pessoalmente, são muito Romero Britto para minha pessoa) e o coletivo  Triángulo Dorado, entre inúmeros outros  que por minha ignorância cometo o sacrilégio de não citar.

Grafiteiros dao um "facelift" ao Centro Cultural de Espanha, em San Telmo

Embora, seja impossível apontar os melhores lugares para se ver as inusitadas obras de arte pela cidade, existem alguns murais que já fazem fama na cidade e outros que, são meu xodó pessoal.

Buenos Aires Ink

 Entre as minhas tchuchucas da arte moderna preferidas estão o meu próprio quintal, a Pasaje Luis Dellapiane, entre as ruas Viamonte e Tucumán, o enorme mural na linha A do metro na estação de Carabobo, o muro da rua Castillo, altura 1400, e a o Centro Cultural de España em Buenos Aires ( Balcarce, 1150, San Telmo) , que recentemente recebeu roupagem nova de grafiteiros do mundo inteiro por ocasião do encontro de intervenção urbana intitulado Sin Verguenza.

O carimbo da cidade

Para estênceis não há um ponto de referencia, eles estão por todos os lados, muitos nos metrôs e nas ruas mais descoladas de Palermo Viejo. São eles os responsáveis por arrancar sorrisos inusitados naqueles dias em que a cidade te devora com mil dentes, proporcionando surpresas urbanas para o coração apressado pelo ritmo do concreto.

Detalhe do mural de Carabobo

Para um tour completo do melhor da arte de Rua em Buenos Aires, vale à pena contratar os serviços da Graffittimundo, uma empresa criada por duas inglesas apaixonadas pelo grafite da cidade, que recorrem as ruas de Palermo, Colegiales e Villa Crespo em buscas dos mais impactantes marcos de arte urbana da cidade. O tour custa cerca de R$ 35 reais e inclui os trajetos de taxi e uma cervejinha no final. Clique Aqui!

Pum Pum, buena pero no siempre

O melhor da popularização da arte urbana é evitar que ela se perca, como milhares de murais soterrados por tinta e ignorância que já padeceram nas grandes metrópoles do mundo. Democrática, gratuita, moderna e inesperada a arte urbana em Buenos Aires colore as velhas calles de novas idéias. Abra o olho para o Buenos Aires Ink!