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Te bancamos Dieguito!

6 jul

 

A Argentina saiu da Copa com um vergonhoso quatro a zero.  Fosse essa seleção a brasileira, podiam esperar alguma espécie de linchamento na volta do Mundial, seja físico ou moral. Dunga voltou ao Brasil totalmente desacreditado, com fama de cabeça dura, a mercê da execração pública. Os jogadores, como Felipe Mello, ao retornarem a casa foram recebidos por piadinhas no aeroporto internacional. Julio César chorou no colo da mãe.  Aqui, no entanto, a banda toca um pouquinho diferente.

Chegada da selecao argentina

Embora Maradona quase não chegasse para a entrevista coletiva pós-jogo tamanho era o surto de choro que se seguiu após a contundente derrota, não tem mais motivos para o pranto. Ontem, durante sua chegada em Buenos Aires, a seleção argentina foi recebida como heróis. Milhares de pessoas foram receber-los vestidos d e branco de azul celeste agitando bandeiras, chamando os nomes dos jogadores, agradecendo pela participação na Copa. Existem claro serias distinções. Dunga é Dunga. E Maradona é Deus. E Messi, Messias. O primeiro jogador argentino a integrar o Olimpo dos melhores jogadores do mundo depois de um longo jejum.  Maradona tão salvador da pátria quanto San Martin, que liberou o país dos espanhóis.

Dieguito agora decide se quer ou não continuar ä frente da seleção. Dunga não terá o mesmo direito de escolha. Sairá pela porta do fundo com fama, mas sem glória. Todas as características do treinador que antes pareciam a heróica resistência pela qual torcíamos, agora são as maluquices de um técnico turrão, que não escutou nem a Globo! Os grandes especialistas Galvão Bueno, Casagrande…

Populismo? Imagina, que maldade!

Esta tarde, a presidente da Argentina, Cristina Kirshner, seguindo a onda popular de “te bancamos Dieguito” disse querer receber o técnico e os jogadores na Casa Rosada e chegou a afirmar que nenhum argentino deus tantas alegrias a Argentina quanto Maradona.

Dios!

Exagero típico argentino claro. O fato é em jogos, como as quartas de final da Copa do Mundo, só existem duas opções: ganhar ou perder.  E argentinos tentam ser bons perdedores, pelo menos aqui dentro ( embora ninguém queira discutir os deméritos em si). A meu ver, a condecoração deveria vir do mérito de haver tentado. Essa linchamento público não é legal. Estou com o Dunga que demonstrou ser humano ficando puto com os jornalistas da Globo. Don’t hate the player, hate the game.  E uma última nota: Diego te banco a muerte!

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Porque esto es Africa!

4 jul

 

Essa Copa nos jogou inesperadamente em uma montanha russa emocional.  E eu não vou mentir de certa maneira estou aliviada que ela tenha terminado também hoje para Argentina. Não porque eu não achasse que eles mereciam quebrar o Jejum de tantos anos e sim porque, morando em Buenos Aires, este Mundial estava mexendo com os nervos de nós brasileiros apaixonados por nossos vizinhos. Não é segredo minha paixão pela Argentina ao passo que vou desnudando seus mil véus castelhanos.  Tenho feito um esforço permanente para desmitificar clichês em relação aos hermanos, quebrar paradigmas, diminuir essa inexplicável animosidade entre o Brasil e a Argentina que não encontra terreno tangível se não no Futebol.

Por isso, esta Copa não veio, como dizem por aqui, en hora buena.  Levamos a primeira parte dos jogos com leves provocações, desejando sorte mutuamente e exaltando as qualidades do futebol argentino e brasileiro. No Kiosko aqui em frente, onde compro meus viveres ( e por viveres entende-se meu kit ressaca), eu e Jorge, o dono, trocamos  todo tempo impressões e terminávamos nossas conversas com um longo gesto com as mãos e um “nos vemos em la final”. Tudo numa boa e seguida das deliciosas gargalhadas do meu amigo. Mas, nos últimos dias tudo isso mudou.

Manha de ontem na Plaza San Martin

Confesso: cheguei a torcer por eles. Na verdade, torcia pela gente maravilhosa que conheci. Torcia para que esse país, que já teve seu quinhão de sofrimento, ganhasse uma alegria. Ontem, fomos a Plaza San Martin, onde um enorme telão foi instalado, para assistir o jogo do Brasil contra a Holanda.  

 

Convenci um monte de amigos a fazer o mesmo. Péssima idéia. Vestimos-nos de verde e amarelo, como faríamos se estivéssemos em casa, e rumamos cheios de esperança ao bairro de Retiro. Até o clima colaborou. Depois de uma semana de frio intenso, a temperatura estava super amena. Chegamos em clima de festa numa praça vestida de canarinho. O resto é história.

Torcendo em Buenos Aires

No fim do jogo, quando arrastávamos nosso corpo desiludido em direção a rua, passamos por um corredor polonês de provocações, insultos e comemoração argentina que me fez crer em todo aquelas arquétipos ridículos que muitos brasileiros cultivam em relação à Argentina. Briga, bate boca, barraco! Tirei minha família em visita á Capital de lá sobrecarregada por um recém adquirido sentimento de vergonha e desmoralização. Saímos todos para comer no El Cuartito, uma pizzaria bem tradicional em Tribunales, perto de onde vivo.

 Outra péssima idéia.  Ao entrarmos no restaurante, fomos recebidos por inúmeros olhares de deboche, risadinhas, entre outras ofensas. Sem contar que nos tornamos atração no salão. Passamos como Moisés abrindo o Mar Vermelho.

Durante todo o dia de ontem, o jogo foi reprisado em cadeia nacional, criticado, esculhembado, virou motivo de corajosas piadas por parte dos comentaristas, como se a Copa já estivesse ganha. Dormi pe da vida, confesso. Acordei no lado negro da força. E juro que, se não fui a um bar alemão, foi porque não deu tempo. Torci como louca durante a partida. Gritei como um porco no abate a cada gol da Alemanha. Mas, quando finalmente sai de casa, cruzei a rua, e vi a cara inchada de choro do Jorge, tive muita vergonha de mim mesma. Muita. Como foi que eu fui cair nessa de Copa do Mundo? Pior: quando foi que pareceu mais sensato torcer por um time do outro lado do mundo cuja história é mais negra que branca e os laços culturais com minha região tão escassos?

Tristeza inundou as ruas...

Em que momento eu havia inexplicavelmente me voltado contra a gente que me recebeu tão bem, me deu tantas alegrias e, na verdade, é mais abundante em similaridades do que diferenças em relação ao meu povo? Eu havia caído no nonsense de uma guerra fabricada pela intolerância esportiva. Um invento, um simulacro, uma batalha imaginária travada na África entre vinte dois homens e uma bola!

Os jornais brasileiros devolveram a gentileza argentina.. Liguei a televisão e vi Carlos De Lannoy, correspondente da Globo aqui, dando entrevista. Claro, diplomaticamente. Mas, sabemos que a coisa vai mal se um jornalista é notícia. Por algumas horas, o burburinho nervoso da segunda maior capital latino americana cessou. Não se ouvia nada na Calle. Era exatamente o mesmo silencio pós- bomba que, uma vez na Espanha, eu testemunhei depois de um ataque do ETA. Um silencioso estrondoso. Numa cidade de tantos ruídos, a mudez é o maior sinal de anomalia que se pode notar.

 Pagaram na mesma moeda

Duro golpe para Dieguito, no me gusta...

Não foi fácil ver Maradona choroso durante a obrigatória entrevista coletiva. Eu já disse antes e repito: a-do-ro Dieguito. Num mundo dominado por pessoas genéricas, de opiniões e comportamento similar, a humanidade do craque é um alivio. É gente que erra. Gente que se reinventa. Gente que, desculpem o linguajar, faz merda. Poe a cara a tapa. Depois, levanta sacode a poeira e dá a volta por cima. O tal do politicamente correto é um deserviço para humanidade.

Tadinho!

Ainda que ele, traído por sua vaidade e arrogância, mereça um pouco das lições amargas que a vida lhe dá. No entanto, vivendo aqui, entendo que é fácil se deixar levar pela megalomania argentina. De maneira distinta, somos megalomaníacos também. Só que aqui se sente com as entranhas. Posição geográfica, condicionamento histórico ou mania de grandeza mesmo, a Argentina jamais se verá do tamanho que é. E isso, a meu ver, é uma qualidade. Sonhar-se grande é condição si ne qua non para ocupar uma posição de grandeza.

Cena de fim de tarde na Plaza Armenia

Meus amigos argentinos ficaram realmente sentidos e diminuídos com a derrota. E eu por eles. Nas ruas, o clima foi durante parte da tarde de funeral. Depois, aos poucos, foi retornando a normalidade. Fiz algumas piadinhas, mas depois saquei que não era legal. Eles não ganham uma Copa desde 1986. E, com as presenças de heróis como Messi e Tevez, estavam certos que havia chegado a vez deles. No fim da tarde, na Praça Armenia, em Palermo, me deparei com a cena insólita. Um pai ensinando com incrível dedicação o filho, uma miniatura de Messi e usando a camisa do craque, a jogar futebol.

O sol se punha e aquela cena ia me fazendo com que eu também entrasse no crepúsculo do fim do dia. Eu ia encontrando um país tão aficionado pelo esporte quanto o nosso, apenas com muitos êxitos a menos. Lembrei dos descampados nas favelas, os campinhos de bairro, escolinhas de futebol, quadras poliesportivas, gols improvisados, chão batido e milhões de crianças dando seus primeiros chutes no Brasil. Porque esto es Africa también…

Gabi para Porteños

28 jun

Confesso que escrever em espanhol não é fácil. Mas, meu ascendente é virgem e “eu posso” é meu nome do meio. Por isso, quando me convidaram para integrar o site Traducir Argentina, eu me animei na mesma hora. Um porque, mesmo que não esteja publicando, estou sempre escrevendo. Dois porque meus amigos argentinos sempre me pediram que este blog fosse bilíngüe. Três porque é uma excelente oportunidade de me manter desenferrujada jornalisticamente falando.

Quatro que poxa, eu falo espanhol. Às vezes, acordo meio “la garantia soy yo”, mas me lembro do diplominha da Universidade de Salamanca, tirado a duras penas durante minha estadia na Espanha, que diz que meu castelhano é nível superior!Também por que fico tão metida no meu mundindo mestrado que me esqueço que meu negócio foi e sempre será jornalismo.  

Faço o que posso porque além de tudo estou livin la vida loca, mas de vez em quando publico algo. Minha última matéria, já publicada aqui, está dando o que falar entre os porteños enlouquecidos com esta Copa do Mundo. Para quem ainda não leu ou simplesmente quer ver como esta humilde bloggeira se sai em espanhol confira a matéria da semana do Traducir Argentina AQUI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Beijomeliga.

Manual de Sobrevivência de um brasileiro durante a Copa na Argentina

19 jun

 

Sabe Romeu e Julieta? Meu amor impossivel pela Argentina em tempos de Mundial!

Vira e mexe alguém me pergunta como é ser brasileiro durante a Copa do Mundo na Argentina. Eu só consigo me lembrar de uma expressão que dizia um chefe meu toda vez que acontecia algo muito grave, mas ela é imprópria para este blog. Ontem, meu editor do site www.traducirargentina.com.ar, Mariano Gárcia, me perguntou: “Como é a vida de inimiga infiltrada?” Meu bem, eu sou a Mata Hari do futebol!

É incrível como, de repente, essa coisa de ser brasileira em um país estrangeiro ficou tão evidente.  Eu sempre fui do mundo e nunca me senti de lugar nenhum. Sempre soube que meu negócio era correr perigo por aí. E, na Argentina, descobri que todos os clichês sobre eles eram falsos e injustos. Se eu não disse antes, o que eu du-vi-do que fique claro aqui: eu amo a Argentina; como num tango de Gardel, com todo o drama, paixão e glória. Amo os argentinos, são um dos melhores povos que já conheci.

Bloggeira infiltrada com outros Brazucas em Colegiales!

 Mas, de repente virei inimiga infiltrada. Como assim Mariano? Eu sou a melhor coisa que já aconteceu para as relações Brasil – Argentina desde o fim da Guerra do Paraguai. Deveria receber titulo Honoris Causa por serviços prestados ao estreitamento de relações entre as duas nações. Fui ao Bicentenário, comemoração dos duzentos anos da Revolução de Maio, ouvi o hino Argentino duzentas vezes, cantei até o refrão, por que, vamos combinar, “libertad, libertad, libertad” é lindo. Vibrei com os hermanos, admirei-os, aplaudi o desempenho da festa no blog, jurei e amor eterno e a porra. O Lula outro dia foi a ONU dizer que as Malvinas são Argentinas. Mas, prefiro torcer pela Bósnia antes de torcer pela seleção argentina.

Cena de una terraza en el Barrio de Colegiales

Admito que possa ser vítima de uma lavagem cerebral da sociedade, mas esta fronteira eu não cruzo. Mas vamos aos basics, como sobreviver a uma Copa do Mundo na Argentina? Bom, eu ainda não sei. O que eu sei é que não será no bar brasileiro em Buenos Aires, Maluco Beleza.  Depois do jogo de terça, a TV local ficou passando um monte de bundas balançando e brasileiros bêbados que fizeram com que a gente se encolhesse no sofá e tapasse os olhos de vergonha. Não é que eu não acredite em bundas e bêbados.

Mas, não estava bonito, você me entende? Também não estou criticando os brasileiros que estavam lá. Mas, ficou feio. E o cinegrafista não ajudou cortando as cabeças dos presentes para se focar em outras regiões menos eloqüentes. E que custava para os moçoilos manterem as camisas quando a câmera estava filmando? Acho que as câmeras tinham que ficar de fora da próxima vez.

Manter a amizade na guerra é possível, graças a la buena gente del sur!

Eu não assisto aos jogos da Argentina. Adoro o Maradona, o acho uma das melhores personalidades locais. Torço por seu sucesso – mas que fique claro que não irei ver sua corrida pelado no Obelisco como ele prometeu se a argentina ganhar. Tenho baixa tolerância para cenas fortes.  Até agora, temos visto os jogos da seleção na casa de um amigo. Juntamos-nos como a resistência silenciosa e subversiva no bairro de Colegiales para torcer, roer unha e gritar pelo Brasil. Tocamos pandeiro, sopramos corneta, batucamos na mesa e tomamos Quilmes!!!!!!!!!Depois, voltamos no metrô com cara de “chupa essa manga , Argentina”. Eu sei que isso não é legal, but I can’t help it!

Vamos combinar? é possível. O negócio é manter o espiríto esportivo!

Sinto uma falta danada dos fogos, do buzinaço, do carnaval nas ruas. E me sinto num pesadelo daltônico quando vejo as ruas pintadas de azul celeste e branco e não de verde amarelo como estava acostumada a ver.  E tenho uma reclamação formal: Claro, pare de me mandar mensagens de torcida pela seleção Argentina. Eu sou o inimigo! Vou quebrar este celular e mudar para Movi Star!

 Na verdade, não acho imprescindível que o Brasil ganhe esta Copa. Nossa seleção precisa triunfar sem desculpas em solo brasileiro no próximo Mundial. E vamos combinar? Está ficando chato para os outros países. Argentina e tal gosta de futebol. Mas, vamos aos números. Até agora, só ganhou duas copas do mundo ( 1978 e 1986).  Porque eu tenho que ficar lembrando meus amigos argentinos, que inundam minha caixa de e-mail nos intervalos dos jogos com provocações, disso?

Uma torcida multicultural

Se o Brasil acabar jogando com a Argentina, tenho um plano de fuga preparado. Corro para a fronteira. Nem que eu vá assistir a esse jogo em Uruguaiana! Levo comigo um bom bife de chorizo e uma Quilmes. Aliás, meu sonho sempre foi pegar um pedaço de carne argentino e assá-lo a la brasileira do outro lado da fronteira. Um dia eu explico o porquê. Então, para não ameaçar a supremacia Brazuca, nem passar meus próximos anos aqui escutando provocação, eu to torcendo mesmo para Gana, Eslováquia, Argélia ou Paraguai. Fuerzaaa Eslováquia!!!!!!!!!!Mas, se o Brasil ganhar vou comemorar com Fernet e Coca. Lo siento…