Tag Archives: Néstor Kirchner

Vai dar Cristina, duela a quien duela

23 out

 

O peronismo em peso.

 

O Bunker de guerra tava armado na redação. Mas, o clima era de total e paz tranqüilidade. Corre corre para dar conta de escrever as declarações de todos os sete candidatos a presidência da Argentina e suas verborragias antes de seus votos, mas fora isso nada que remotamente lembra a uma eleição presidencial em qualquer lugar do mundo.

A festa se armando.

Acontece que aqui, depois das primarias de agosto, onde ficou bem claro o apoio popular a presidente Cristina Kirchner, ninguém espera nenhuma surpresa. Cristina vai ganhar, quem não gosta dela vai reclamar, quem a curte vai ficar feliz e assim caminha a humanidade. Com a predileção argentina quase desportiva a reclamação generalizada, imaginei um domingo mais agitado na capital do país. Mas, parece que agitação mesmo só a festança que começa se armar na Plaza de Mayo. Passei por la na saída da redação e o circo estava armado. Turistas brasileiros perdidos aos montes, a juventude kirchnerista agitando o começo de festa, curiosos de mate em punho, crianças soturnamente alimentando pombos e até um velhinho doido já fazendo discurso.

Teve ate discurso do velhinho doido.

O climinha de já ganhou no ar. Falta a furgoneta branca das Madres de Mayo, a multidão peronista desaguar como inundação que vem do metro e Cristina sair à varanda da Casa Rosada falando da saudade que sente de Néstor. Sou a favor de Don t Cry for Argentina em ritmo de reggae animando a cálida tarde de primavera em Buenos Aires.  

Cartaz do lado da Casa Rosada.

Como o Lula, Cristina enfrentou a fúria dos jornais (inclusive os brasileiros) mais continua rainha absoluta da população Argentina, perdeu o marido em rede nacional, chorou em 10.000 discursos, mas continuou firme segurando as rédeas desta nação. A Argentina não é um país fácil; aqui as pessoas tem memória de elefante, opinião para tudo ( eu disse t-u-d-o), tendências messiânicas e são sindicalistas como um brasileiro é torcedor de futebol.

Mas, opiniões a parte, o fato é que vem mais quatro anos de CFK ai e como diria nosso Menem, Fernando Collor de Melo, em um momento que fez do mau portunhol uma arte, “duela a quien duela” ela tai por mais quatro anitos. PS: a expressão em espanhol é “caiga a quien caiga”.

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Cristina no País das Maravilhas

16 ago
 

Cristina Kirchner provando a temperatura do Rio de Prata ontem em Puerto Madero.

Faltou cantar La Cumparsita em ritmo de cumbia. A esmagadora vitoria de Cristina Kirchner ontem no sistema de primarias, realizadas pela primeira vez no pais, deixou o governo rindo a toa no pais, fez com que a imprensa, ate a inimiga, reconhecesse a punjanca da atual presidenta e que Nestor Kirchner aplaudisse do alem. Esta dada a largada para eleicoes presidenciais em Outubro que nao promete muitas sorpresas. Despois de mais de 50 % dos votos para Crisssss, a senhoura so perde ser for pega violando o cadaver de Peron ou na cama com Menem.

CFK (Madame Cristina baby) esta rindo a toa a caminho de mais quatro aninhos de Casa Rosada. Com ela vai meu personal crush, Amado Boudou, pelo qual nao tenho uma queda, tenho um abismo. Ares de gatao de meia idade, paixao por motocicletas, rock n roll e casado com uma jornalista da minha idade ( nao perco as experancas), Amado Boudou eh presenca constante nos comicios de Cris. Rei de Puerto Madero, onde pode ser visto pelo point porteño Happening e total sindrome de Peter Pan, Bubu ( como eu gosto de chama-lo) rocks my world apesar da barriguinha prominente recem adquirida nos coffee breaks do Ministerio de Economia da mais que um caldo, eh da um Puchero….cozidao daqui.

Boubou a namorada jornalista, tomara que va cobrir Iraque minha filha!

Foi uma experiencia unica encarar o plantao de domingo na redacao e acompanhar de um jornal argentino uma eleicao aqui (trabalho para o Grupo Ambito Financiero). Palavras dos meus patrocinadores http://www.ambito.com.ar e http://www.buenosairesherald.com

Os resultado de ontem foram um enorme “voces vao ter que me engolir” de Cristina que, como Lula, vivia tomando porrada da imprensa, principalmente do Grupo Clarín. Esta mesma imprensa nao teve opcao se nao se curvar ao enorme apelo popular de Cristina que, bem verdade, banca a viuvinha missionaria. Mas, gostando ou nao de Cristina, as opcoes ja nao eram alentadoras. Competindo com ela vem Duhalde e Alfosin. Pesquisem! O interessante eh que um clima de ja ganhou invadiu o pais desde de ontem, cheio de especialistas que nem precisavam ser tao especiais para prever uma vitoria falando e promessa de CFK esta mais eterna que Evita nessa Buenos Aires!

Cristina, mais eterna que Evita!

PS: Uma das meeeelhores imagens do dia de ontem foi a de Menem indo votar. O fiscal de mesa teve que tocar seu “ bigurlim” para defender-se da ma sorte que traz o presidente Carlos Menem. Eh um gesto comum contra a ma sorte, mas o flagrante eh im-pa-ga-vel! E a materia explicando a atitude do mesario que saiu quentinha aqui da redacao ficou otima tambem! LEIAM AQUI!

Festinha no QG Kichnerista!

As primeiras palavras de Cristina

2 nov

Durante o funeral do ex presidente Néstor Kirchner , sua mulher e mandatária da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, não falou. Acompanhou em silencio, agradeceu com gestos e acenou, mas não se escutou sua voz. Todos esperavam as primeiras palavras da viúva Cristina. Elas vieram esta noite por meio de um pronunciamento emocionado á nação. Deixo aqui o vídeo, para fins antropológicos apenas, sem nenhuma intenção política.

Lula Lá

30 out

Deixo aqui um video que circulou durante todo o dia nas redes sociais de meus amigos Argentinos onde se ve um Lula extremamente comovido com a morte de Kirchner. Comovente mesmo é ver como é importante para eles a atenção que deu nosso presidente á morte do ex- mandatário argentino. Aqui, ele é muito querido e, sua chegada, reaçao e depoimento tiveram bastante impacto nas mídias locais. A Argentina nos dá toda bola. Vamos começar a dar bola para a Argentina? Fica minha sugestão.

Todos por Néstor

28 out

A cidade amanheceu com ares de normalidade. Um dia comum de trabalho apesar do luto nacional. O sol, vejam só, brilhando normalmente. Os comércios funcionando, as veias da metrópole, apesar de abertas, pulsantes. No meio da manhã as catracas do metrô já estavam abertas e concediam passagem gratuita a enorme multidão que se juntaria na Plaza de Mayo para o funeral. Nos vagões uma cena me lembrava uma velha fotografia da morte do presidente norte-americano, J.F Kennedy:  todos os passageiros sentados com os jornais abertos com a manchete catastrófica.  Pela primeira vez o senhor da banca não me olhou com curiosidade quando pedi uma edição de cada um dos principais diários, como faço habitualmente.

Pelo primeira vez, na banca de jornal, nao recibi olhadas curiosas do vendedor por comprar todos os jornais

Talvez, nas últimas décadas, não há episódio em que a Argentina se assemelhe tanto aos seus tangos.Talvez poucas vezes estivesse tão perto do ritmo musical trágico que hoje em dia não é nada mais do que o recordo nostálgico dos velhinhos e atração de turistas. Este país tão marcado por mães sem filhos, avós sem netos, desempregados sem teto, viúvas e desaparecidos volta adentrar sua melancolia histórica tão intimamente ligada a sua vida política. Durante todo o dia milhares de pessoas enfrentaram horas de fila ao sol para dar o ultimo adeus a Néstor Kirchner que era velado por sua mulher, filhos e amigos dentro de um salão da Casa Rosada. Cristina permaneceu todo tempo lá, alisando o caixão com suas mãos bem feitas recebendo Mujica, Rafael Correa, Evo Morales, Piñera, entre outros mandatários sul-americanos. Agradeceu ao público que entrava em ondas com a mão no coração e agüentou com dignidade a longa jornada.

As 19h45, um cantor de ópera, vindo da fila aberta ao público, entrou cantando “Ave Maria” agravando o cenário lúgubre.  No público há de tudo, veteranos das Malvinas, loucos, histéricos e até o grupo de deficientes Mundo Alas, que ganharam fama aqui graças a um documentário feito sobre eles. Artistas, apresentadores e celebridades locais também vieram prestar homenagens a Néstor e sua família.  Cristina, quando não agüentava passar incólume a comoção do povo, se levantava ia até a fila que circundava o caixão e cumprimentada um a um os mais emocionados,  tornando a cena ainda mais onírica. O silencio era quebrado por gritos de “fuerza Cristina” enquanto ela acenava em agradecimento.De uma estranha maneira, ao morrer, Néstor Kirchner realizou  seu último grande ato político em favor de sua viúva.

A cidade amanheceu cheia de cartazes de apoio

Seja  qual for sua opinião sobre a presidenta da Argentina, não há opção senão compadecer-se do sofrimento de uma mulher que perdeu seu companheiro de 35 anos e mentor político. É, neste momento, a viúva mais respaldada do sul deste continente, ganhando força política minuto a minuto. Enquanto na Plaza de Mayo milhares de pessoas choram juntas sua orfandade, uma volta por Palermo, onde vivo, revelou nada mais do que cenas cotidianas. No colégio do bairro as crianças saiam fantasiadas graças ao Halloween, velhinhos passeavam a lentos passos pelas ruas, casais tomavam sorvete nas esquinas. Não fossem os pequenos outdoors colocados a cada 50 metros com as fotos de Néstor e Cristina na cidade com os dizeres mais ouvidos nas últimas 48 horas – Fuerza Cristina – , era possível dizer que, pelo menos em Palermo, não morreu ninguém.

No Pg 12, Nestor deseja fuerza

Todos os canais locais e a CNN seguem com a cobertura non stop. Na C5N, uma das principais emissoras locais, as cenas do funeral são acompanhadas de uma música igualmente fúnebre dando ares cinematográficos ä viúva que sustenta olhos escuros e taller, impecável recebeu a Maradona. Chavéz fazia discurso no Aeroparque ( Aeroporto mais próximo da cidade), colunistas políticos já discutiam o destino da nação e os editoriais de La Nación e El Clarín lembravam que os Kirchners são melhores em manter o poder do que governar. Opiniões corajosas que desafiam uma nação profundamente consternada.  No Clarín, as matérias, no entanto, simpatizavam com o falecido, uma ultima ironia já que o ex-presidente  e o jornal o Clarín travaram batalhas históricas. No jornal de esquerda Página 12, um simpático cartoon de Néstor ocupava a toda a capa do diário com os dizeres ‘Fuerza todos”.

Dizem que Néstor morreu na exata hora em que nasceu sessenta anos antes. Que jantou com amigos e que a última imagem dele vivo foi tirada na sexta-feira por um simpático casal em um bar em Calafate, esta minúscula cidade na Província de Santa Cruz onde os Kirchners iam buscar paz nos fins de semana. Era diabético, cardíaco, não agüentava maiores caminhadas, nem uma pelada e que morreu em um segundo. Amanhã Néstor empreende sua última viagem rumo ao sul, onde será enterrado junto ao seu pai. Eu me abstenho de opiniões políticas, mas pelo o que está o centro de Buenos Aires nesse instante, para que Néstor se una ao pai todo uma nação deve aprender a se despedir do seu.  Fuerza Argentina!

Para acessar as notícias em tempo real:

http://www.infobae.com/adjunto/nestorkirchner/C5N_NK.html

Na praça, por Cristina

28 out

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Com temperaturas amenas os fins de tarde de primavera em Buenos Aires se fazem cada dia mais agradáveis.

As pessoas enchem as praças com saudade do sol. Seria assim que a cidade despertaria da reclusão imposta pelo Censo Argentino não fosse a morte súbita de Néstor Kirchner que mudou o roteiro dos portenhos para uma só praça. Quando cheguei a Plaza de Mayo por volta do meio da tarde havia uma pequena multidão que se formava e um silencio esporadicamente interrompido por palmas e choros baixos. O pipoqueiro aproveitava para fazer uns trocados e uma grande fila já se formava para ascender à fachada da Casa Rosada. Ali começavam acumular-se flores e cartas. Uns cem metros antes a polícia já havia instalado um alambrado onde faixas e mensagens de despedida se aglomeravam.Quando o silencio se tornou demasiadamente incomodo as aglomerações de partidários peronistas e kirchneristas começaram a cantar a marcha peronista, um cântico que ia irradiando-se pela praça e que terminava em palmas.

Jornalistas afobados corriam seguidos dos passos confusos de seus câmeras , microfone em punho, abordando os transeuntes mais chorosos. Muita gente trazia os olhos mareados que quando encontravam um abraço deixavam-se molhar por completo. Algumas pessoas tapavam as bocas de incredulidade.  A grande maioria era de gente jovem, seguindo assim até a noite, claro testemunho da força da “juventud kirchnerista”. Como torcidas organizadas os grêmios sindicais indo ingressando á praça um a um sob aplausos dos presentes e cantos  próprios. Por volta das seis da tarde a praça deixava de ser uma alameda salpicada de gente para dar espaço a uma massa homogenia de gente e faixas que se voltava para o palácio presidencial. Muitas das faixas solidarizavam-se com a viúva e outras lembravam um dos maiores ícones da nação: o general Perón.

Evita ganhou um enorme boneco inflável e a pirâmide no centro da praça um enorme cartaz de Kirchner como o personagem de história em quadrinhos, o Eternauta, dando ao espetáculos ares pop arte.

No começo da noite, em uma das cenas mais comoventes da noite, chegaram as vans com as madres de mayo, já velhinhas, com os tradicionais lenços brancos na cabeça, acompanhadas de enorme comoção e da dignidade que lhes é solene. Elas prestavam homenagem ao homem que em um ato de repúdio a ditadura, que por muitos anos assolou o país, retirou os quadros de ditadores da Escuela de Mecánica de la Armada, coisa que não haviam feito seus antecessores democráticos. Muito antes da sapatada que recebeu o presidente norte americano George W. Bush, no Iraque, Kirchner já havia desbancado o mandatário durante a Cumbre de las Américas que se realizou em Mar del Plata, frustando o plano de Bush de implantar a ALCA na região, humilhando Bush que deixou o encontro irritado e brigado com Néstor.

Elegeu democraticamente sua mulher ( embora a Argentina sustente certas tendências nepotistas vide Isabelita Perón e Evita). O corpo de Néstor Kirchner será velado amanhã na sede do governo e   enterrado posteriormente em Calafate, junto aos restos mortais de seu pai. A demonstração que segue neste momento com milhares na Praça de Maio além de homenagem ao ex-presidente falecido na manhã de hoje é testemunho também de apoio popular a sua viúva, atual presidente da Argentina, um apoio que ela precisará nos duros tempos que a esperam. Deixo aqui imagens de uma nação chocada e comovida, impossível ficar imune a consternação coletiva.

Morre Néstor Kirchner: País em choque

27 out

O clima é de incredulidade, mas um dia que já não era ordinário ficou ainda mais extra-ordinário. Neste momento, mais de 40 milhões de Argentinos estão em suas casas com nenhuma opção senão digerir a súbita morte do ex-presidente Néstor Kirchner, presidente do bloco Unasur, e marido da atual presidente Cristina Kirchner, esta manhã em Calafate.  Com a contagem do Censo argentino, que acontece uma vez a cada dez anos, o comércio fechado por decreto e o apelo do governo para os argentinos permaneçam em casa até a chegada dos “censoristas”, estão todos em casa com uma espécie  de prelúdio de luto nacional. O estado de exceção é tanto que muitos de meus amigos receberam a notícia da morte do ex-presidente pelos próprios funcionários do censo.  Kirchner já vivia há anos com sérios problemas de saúde, sendo sua última internação no passado 11 de setembro, sendo submetido a seguidas angioplastias. Dizem os canais de notícia que o ex- presidente faleceu de um ataque do coração as 9h30 da manhã de hoje. A comoção da imprensa, como era de se esperar,  é grande.