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Palermo e o Banzo

16 set

Nuevo barrio, nueva vida...

Este blog nao estah abandonado, juro!Mas estamos passando por uma uruca danada . Sem internet em casa, editores de texto sem licenca ( dai a completa falta de acentos neste post), correria, visitas e uma mudanca no meio da Tormenta Santa Rosa. A nova casa eh muito bemvinda, mas veio cheia de surpresinhas desagradaveis.Do tipo era uma casa muita engracada, sabe… Estah sem internet e ha semanas tentamos conecta-la com o mundo, infiltracoes, baratas, cadeiras quebradas e um dono que mora em Cordoba estao fazendo com que eu perca algo do meu sono e fique longe do blog .

Como todos os grandes “feitos”  da humanidade, tudo comecou com uma ideia. Estava super bem vivendo no centro de Buenos Aires, minha mini mansao, um loft em um predio decadente no coracao da rua Viamonte perto das principais arterias da cidade. Mas, algum antepassado romeno deve ter me visitado nos sonhos e a alma cigana comecou a saltar dentro de mim. O problema eh que nos fins de semana me sentia no cenario do filme de Meirelles, Ensaio Sobre a Cegueira. Por ser uma zona tipicamente comercial e pouco residencial, nos sabados e domingos restavamos eu, o lixo espalhado pela rua e meu amigo mendigo, Hagar o Horrivel. Alem do mais, depois de um tempo, eh preciso escolher seu bairro na capital. Conheco gente que eh San Telmo, como cariocas sao flamenguistas. Gente que eh Almagro ate a morte. Pessoas que sao do suburbio, preferem San Isidro. Meninos e meninas que, como Gardel, sao Abasto. Tenho amigos viciados no ar decadente do velho dinheiro da Recoleta. Eu, no entanto, depois de meses subindo a Avenida Cordoba e descendo a Santa Fe, descobri que sou Palermo.

Palermo: Lar doce lar

Palermo eh um dos bairros – se nao ” o” mais, mais – mais hippiecool, mauricinho as vezes, metidinho a besta de Buenos Aires . Tanto que a especulacao imobiliaria eh tamanha  que os bairros adjacentes estao encolhendo e adentrando seu mapa e, em alguns anos, eh capaz que vivamos em Buenos Aires, Palermo. Mas eu me rendi sem culpas aos seus cafes metidos a besta, restaurantes da moda, ruelas de construcoes baixas e acessibilidade as grandes avenidas como Scalabrini Ortiz e Santa Fe. Sonhei com um predio de janelas amplas e varanda de onde eu pudesse sair todas as manhas pintada e vestida como Evita cantando ” Don’t cry for me Argentina”.

Com o aproximar da primavera e temperatura mais amenas sonhei com uma ” terraza” , uma parrilla, um lugar mais amplo para fazer festas e receber amigos. O que encontramos foi um charmoso apartamento na rua Charcas, algumas quadras da Plaza Armenia, onde gosto de ir para sonhar a Argentina nos finais de tarde, com criancas correndo pelos parquinhos, gente linda comprando e comendocomo uma pequena Nova Iorque sulamericana. Com um pe direiro alto, meu quarto um latifundio, um pequeno patio interno que transformei em jardim de inverno e uma pequena terraza subindo do segundo quarto no segundo andar, pensavamos ter encontrado o lugar perfeito.

A primeira festinha revelou que nossa vizinha eh nada mais nada menos que a wicked witch of the west!

Nossa primeira festinha revelou uma vizinha zenofoba que no segundo convidado estava me abordando no corredor e trincando os dentes para dizer ” que los extranjeros” vem a Buenos Aires para fazer bagunca e que aquele era um predio de familia. Depois de coloca-la em seu devido lugar, tive um misto de raiva e pena porque nao tenho a menor intencao de zelar pelos bons costumes do edificio. Se tinha um problema com os extrangeiros antes agora  irah, com nossa estadia, unir-se ao primeiro movimento neo-nazi que encontrar. Com o banzo, rocando as portas do meu coracao, as festas so acontecem acompanhadas de batuque, pandeiro e violao. Eh um tal de moro em Jassana que adentra a madrugada.

Deu Banzo!

Eu devo confessar que mesmo que sinta a falta constante de certas coisas, lugares e pessoas brasileiras, nao havia sentido o banzo que ando sentindo nos ultimos dias. Tudo comecou com a vontade de comer galeto, carne de sol, bobo de camarao e coxinha, isso virou banzo do por do sol, do ceu, das ruas, das novelas, da informalidade, da musica e da familia. Amigos voltaram de suas visitas ao Brasil falando do Arpoador, de Brasilia, dos novos programas de TV do Falabela, mas me nocautearam mesmo com as empadinhas. Falar de empadinha eh golpe baixo.

Estamos constantemente organizando almocos brasileiros, tocando violao e planejando idas ao Bairro Chines para comprar tapioca. Como dizem em ingles, estou ” helpless”. Mas ontem mesmo descobri que ha esperanca. Descobri um pacote filho unico de mae solteira de pao de queijo congelado Sadia no supermercado Disco, arrebatei seus 17 pesos de gostosura rindo por dentro. A saudade eh um problema matematico de adicoes eternas, mas deixe chegar a primavera e as temperaturas amenas que ainda nao chegaram para ficar. Pode ser que o banzo se transforme em Brahma e churrasco numa super portenha terraza de Palermo. Nao sou eu quem me navega, quem me navega eh o mar…

O QUE FAZER EM PALERMO?

Comer, beber e andar. Meu lugares preferidos sao a Plaza Armenia, Plaza Serrano aos sabados, Bosques de Palermo, Planetario, Plaza Italia, Mercado de Pulgas, Jardin Botanico e as livrarias Boutique del Libro e Eterna Cadencia. Para comer as opcoes sao multiplas. O negocio eh bater pernas. Mas para cima desca no metro Ministro Carranza e caminhe por Palermo Hollywood. Palermo eh tudo de bom. E eu sei que estou esquecendo de pelo menos a metade.

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Como se fosse a primavera…

8 set

Por do sol da tarde de ontem nos Bosques de Palermo

 

Aguentamos tudo. Meses de frio intenso, olas polares, sudestadas, chuvas, frentes frias vindas da Antártida e por fim, como testemunho de nossa perseverança, veio a tradicional tormenta Santa Rosa. Uma habitual chuva com fortes rajadas de vento que vem todos os anos como o último banho da cidade para aprumar-se para a primavera. Esta durou quase quatro dias de chuva fina e ventos nervosos nos deixando impacientes e cinzas. Mas, ao que tudo indica, valeu a pena. Há dois dias as pessoas saem às ruas desfilam modelitos semi- verão, um pouco incrédulas, um pouco lascivas. Parece aqueles contos de fadas nos quais uma bruxa adormece todo o reino durante cem anos. Pois, há dois dias o Reino de Buenos Aires vem acordando de seu feitiço de frio e sono e rendendo-se a uma pré-primavera agradável. Na sombra faz frio é verdade, mas no sol é possível arriscar uma manguinha. Eu tenho dois passeios super recomendáveis para dias de sol e brisa. O primeiro de todos: Bosques de Palermo. Desça para a Av Libertador e pergunte pelo Rosedal ou mesmo o Planetário. E, por favor, leve sua canga e fique para o por do sol no Laguinho. Una-se aos casais apaixonados, bebes fofos dando seus primeiros passos, grupinhos dividindo um baseado, família preguiçosas e aproveite um dos melhores crepúsculos da cidade. Na animação, alugue um pedalinho.

Mercado de Pulgas: uma curtiçao

Outro super passeio é entrar em outro mundo, outra é o Mercado de Pulgas de Palermo Hollywood ( Dorrego y Niceto Vega). O lance lá é perder-se nos moveis da vovó, encontrar raridades como quadros antigos de Maria Antonieta, televisores ao estilo dos Jetsons, móveis da década de cinqüenta, trinta, do século passado e dar um super pulinho no estande do Tony Valiente, um doido com umas obras de gosto duvidoso que bem poderiam estar na cenografia do Filme Mad Max. É uma ótima pedida e uma porta de entrada para explorar um pouquinho de Palermo Hollywood e Colegiales. Com ruas largas, cobertas de árvores enormes, esta região é uma graça. Perfeita para um café de fim de tarde depois de uma bela caminhada pelo Mercado. Com o sol e o calor voltando aos poucos, como uma flor, Buenos Aires também vai paulatinamente se abrindo. A cidade floresce junto com seus jardins. Agora, é torcer para que não hajam recaídas polares.

Deixo Pablo Milanés e Chico, porque a primavera e essa música não saem da minha cabeça.