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A Bossa de San Isidro

9 jul

Vou deixar aqui minha dica de sábado em Buenos Aires. O grande amigo Yuri Mello se juntou ao coro consistente de músicos da Capital e anda agraciando as noites porteñas com sua bossa, seu reggae e MPB. É um programa imperdível para um sábado a noite de inverno. Vale a pena pegar o trem para o bucólico bairro de San Isidro e curtir um showzinho intimista cheio de carinho e convidados pra lá de especiais.

Um som especial para uma noite de inverno

Eu ainda não fui, vou amanha, mas dizem que o lugar é único, cheio de personalidade como costumam ser os cantinhos de San Isidro, que lembra muito uma cidadezinha de interior brasileira.  Nascido em Salvador e radicado em Brasília, Yuri Mello é músico profissional e professor e há anos já era conhecido no circuito candango.

Agora, divide o palco com amigos argentinos e de outros cantos desse mundão em uma apresentação que faz bater de saudade os corações dos brasileiros expatriados e de vontade de ir ao Brasil os porteños apaixonados por nossa cultura. É como dizemos no Brasil o fino da Bossa! Escute um pouco de Yuri aqui!!!!

Serviço:

Sábado, 10 de julho de 2010

Hora: 21:30 – 23:30

“El Galpon”

Av. del Libertador 17154, San Isidro

Como a Tropicália, de Festival em Festival…

29 maio

A banda espanhola Marlango abre o festival para desespero de nossos pés cansados...

Mal nos recuperados do bicentenário e a cidade já está nos chamando. Muitos de nós ainda estão enfiados nos escalda-pés, sem voz, com tosse, rouquidão, dor nas costas e outras efeitos colaterais da alegria que tomou conta da gente no fim de semana passado por conta do Bicentenário Argentino.

Mas, como Nova Iorque, Buenos Aires também é a cidade que não dorme. E, pior, que não deixa os outros dormirem! Esta entidade enorme, ao qual nos submetemos como ovelhinhas para abate, nos arrasta por ai com seus braços de concreto , nos envolvendo com sua doce melodia de decadence avec elegance e não nos deixa descansar, procrastinar, parar…

Os dias são tão intensos que há semanas, que ao final, minha energia acaba por completo, sem restar nada, um resquício para lavar a louça, fazer o café ou ler um livro. São momentos de exaustão extasiada tão intensos que, às vezes, uma noite bem dormida passa longe do suficiente. É preciso uma noite, um dia, outra noite. É necessário absorver como um desses computadores da Matrix uma quantidade enorme de emoções, informações, acontecimentos, pensamentos e novas construções. E como a tropicália vivemos de festival em festival.

Com uma Fênix nascida dos excessos do Bicentenário ressurgimos das cinzas para o próximo happening da capital. O Festival Ciudad Emergente, que começa no próximo dia 02 de junho, vem com uma série de surpresas e atrações que não conhecemos mas que, ao final, vão acabar morando no nosso Ipod.

A primeira atração traz a balada atriz espanhola, namorada do meu queridinho Jorge Drexler, Leonor Waitling, e sua banda Marlango ao Centro Cultural da Recoleta, no próximo dia 02 de junho. Com acordes leves, um pouco de jazz , indie, rock e folk, o grupo espanhol  é um bálsamo melódico para os ouvidos cansados do Bicentenário.  As canções entoadas nas pontas dos pés, em inglês, e algumas poucas em castelhano, seus pianos chuvosos, bateria discreta e acordes gotejantes são ligeiras, leves e agradáveis.  Abertura as 19h, fica a cargo do projeto alternativo Les Mentettes Orquestra.

No dia seguinte, é a vez do banda local Nairobi num dueto com o músico da Guiana Mad Professor que já mixou  pesos pesados como Massive Attack, Sade, the Orb, the KLF, Beastie Boys, Jamiroquai, Rancid e Depeche Mode.  O show começa às 21h, mas é precedido por um monte de atrações  interessantes.  Além dos inúmeros shows, de gente que ainda estou conhecendo, escutando e me inteirando, postando aqui na medida do possível, há ainda muita dança de rua ( pretendo não perder a homenagem a Michael Jackson), exibição de documentários ( tem pelo menos uns dois obre o The Smiths que eu quero ir), leitura de poesias ( ando pulando estes programas) e exposições de arte urbana, entre outras cositas mais.  

Lá vamos nós outra vez!

Cofinra a programaçao completa AQUI!

Clandestina: Rebolation e a Cidade parte II ( a missão)

26 maio

Por razões antropológicas ( e antropológicas only!) este fim de semana rebolei mais uma vez em Buenos Aires. E, novamente, me deparei com os branquinhos de rastafári, o Jam jamaicano, o inferninho de Jah, em uma festa que um clássico na cidade: a itinerante Clandestina que dessa vez se celebrou no Club Groove, coincidentemente no muy upper class bairro de Palermo.  Novamente, o cenário não lembrava nem vagamente as clássicas milongas, nenhum rastro borgiano, nenhum bocadinho de Gardel.  

Os criativos panfletos da festa que é um clássico na capital

O pau comia no Black style mesmo, na africanidade, caribenho, latino, qualquer coisa que não fosse muito comportado não. Ate as sete da manha estivemos sacudindo o corpinho.

Vou confessar que houve um momento cumbia que foi desagradável. Um monte de ritmos desconhecidos embalados por rodinhas de adolescentes que cantavam letras que nunca ouvi  e se emaranhavam naquele confronto de porradinha que foi um desconfortável deja vu de uma adolescência que não fazia a menor questão de recordar.  

Flyers básciso da festenha

Mas, de maneira geral, nos divertimos tomando um espumante suspeito de 20 reais com enérgico (fato que desencadeou uma greve geral do meu organismo no dia seguinte), balançando o corpinho quando a musica nos permitia e curtindo as deliciosas performances de acrobacia, malabares e palhaços do grupo circense clowndestino que entremeavam a noite com um pouco de cultura que, alias, nunca falta em Buenos Aires. Fica o elogio.

O genial Clowndestino, un habitué nas festas Clandestinas

Grande pedida para aquele momento  “ cansei de ser classuda (o) em Buenos Aires e o que quero mesmo e requebrar ate o chão” .

Para se ligar no próximo rebolation da cidade fique ligado na programação aqui.

O Rebolation e a Cidade

17 maio

It is time

Tire seu nike colorido cano alto do armário. Alongue-se. Invista num visual desolado. Entre no elevador e aperte: anos 80. Você vai para um ragga em Buenos Aires.  Esqueça a elegância das milongas, a cadencia eloqüente do acordeon, a voz clássica de Gardel, a costura suave de pernas delineadas no ar, o olho no olho, a melancolia das letras, aqui tango não entra.   

 Nenhuma sutileza é permitida. Prepare-se para rebolar, chacoalhar, tremer, balançar ao mais puro som afro-jamaicano.  Organize-se para perder a compostura, suar mais do que carnaval na Bahia, ralar no chão e bambolear num ritmo frenético que bem podia estar nos melhores Dance Halls de Kingston. Não, você não está num gueto rastafári e sim no centro do bairro mais almofadinha da capital, Palermo, a passos da artéria urbana Av. Córdoba, a poucas estações de metrô do Obelisco, chacoalhando como se não houvesse amanhã no Caribe. 

Na festinha mais  ragga da cidade no problem man. A Dymanic Raggae Sound Clash, na boate Niceto ( NicetoVega 5510), Palermo , já comemora três anos de muito rebolation porteño.Globalização em níveis alarmantes,nada de argentinos com aquela cara de recreio de jogo de pólo, no mullets, no Boca T shirts, nada de cabelinhos empapados no gel. Os branquelos desfilam com rastas enormes, calças caindo, modelito summertime na pista de skate; uma tarde no Brookyn, uma noite no Afrika Bambata.  Bora lá. Nada de hermanitos com movimentos robóticos de quadris, a dancinha do boneco do posto, aqui o rebolation é sério e requebrar até o chão não é mais do que obrigação. No salão principal o Ska aquece os músculos para o inferninho adjacente ao salão principal que, digamos de passagem,  não é para claustrofóbicos, o roça roça é inevitável.  De aí em diante é aceitar o conselho da Marta Suplicy. 

 

A fauna e a flora são um capitulo a parte e, se seu negócio é safári urbano, aqui encontrou seu lugar. Embora o ritmo negro seja o grito da vez, a presença de melanina pára por aí. É mesmo aquele pessoal que perdeu o verão na patagônia dançando como se fosse feriado em Madagascar.  A música é realmente bombástica, além de bela desculpa para perder a decência. Em uma cidade tão erudita e elegante, onde até as crianças tem um ar borgiano, às vezes é preciso quebrar o decoro parlamentar.   

É pretexto certo para latinoamericanizar-se, africanizar-se, embebedar-se e perder-se na névoa de maconha que dispensa os tradicionais canhões de fumaça que se encontram nas boates que ainda não perderam o hábito de nos intoxicar. E também o ticket para uma Buenos Aires que não se paga em euros, não figura nos guias de turismo, não faz parte do city tour no infame ônibus de dois andares.  Nada contra a milonga, mas tem dias o rebolation é inveitável.  Com o frio intensificando-se, o ragga porteño é a medida certa contra a hipotermia. Chão, chão, chão! 

Confira aqui 

O Ragga e o Mundo 

O Ragga é um gênero musical que nasceu na Jamaica nos anos 80, sendo a canção  “Under Mi Sleng Teng” de Wayne Smith um dos seus primeiros marcos. Com o tempo, o ragga se expandiu para além do Caribe.  Uma mistura de reggae, ritmos eletrônicos, ska, hip hop, entre outros gêneros, o ragga possuí adeptos em todo o mundo