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Jorge Drexler: meu mestre espiritual

21 set

Drexler é meu Osho

Tenho uma amiga que diz: ” O Tempo passa e nao adianta, voce continua gostando desse uruguaio chato”. E Jorge Drexler eh meu Osho.  Tem gente que vai a India e, embora eu ainda nao possa descartar essa possibilidade, eu vou a Drexler.Eh para ele que eu corro quando algo me aflige a alma. Eh possivel que existam cantores melhores, menos populares, mais eloquentes, mais letrados, mas eu me acostumei a recorrer a Drexler e sua farmacia de letras quando preciso. Talvez seja puro habito, comodismo. Talvez eu nao seja tao afinada musicalmente. Eh possivel que ele flerte perigosamente com o pop, que eu ame jazz, yeah yeah rock n roll. Mas, o uruguaio foi,durante pelo menos os ultimos seis anos de minha vida, a trilha sonora dos melhores e piores momentos de minha odisseia. Sou perigosamente apegada e dependente dele em uma relacao mais ou menos inexplicavel. Ele faz parte da minha memoria auditiva como certos cheiros sao de minhas lembrancas mais olfativas. E talvez porque, em periodos muito dificeis, Drexler tenha sido meu divã. Dizem que falar cura, é um dos principios da psicoanalises, mas escutar também vem me ajudando ao largo desse tempo.   Por isso, quando posso vou a todos os shows. E foi assim que, desembolsando o dinheiro que nao tinha, fui assisti-lo no Teatro Gran Rex, no coracao da Avenida Corrientes, no domingo a noite. Eu acho que nao sou excecao. Nos primeiros shows dele conheci gente que empreendia viagens internacionais com o unico intuito de ve-lo.

DREXLER, DOMINGO, NO GRAND REX

Somos como uma sociedade secreta e viciada que aguarda anciosamente seus lancamentos entrando em listas de esperas de lojas de discos. Mas afinal o que ha em Drexler? Nada demais. E eh isso que nos atrai. Uma simplicidade quase insolita. Uma franqueza quase ludica. Uma sonoridade de roda de violao, fogueira e banquinho. Nos ultimos anos o vemos ganhando popularidade. Acompanhamos sua ascencao com cautela, prefeririamos mante-lo segredo, mas secretamente comemoramos seu sucesso. O fantasma do pop nos assombra. Um medo de que entre para as trilhas das novelas que nos aflige. Queremos trancar Drexler em uma caixinha de musica. E a contradicao reside no fato de querer dividi-lo com o mundo. O show de ontem foi uma grande viagem pela estrada da memoria. Ele é super divertido, fala para dedeu, ja fui a tantos shows que reconheço suas piadas e me divirto com suas chatices, típicas de um meticuloso virgiano.  Enquanto ele ia cantando, acompanhado de sua nova matilha de sopro, eu ia me dirigindo para dentro de minhas lembrancas tao embaladas por suas toadas uruguaias. Ia me despedindo da gente que foi, dando bemvindas aos que vieram, acomodando os que ficaram e cantando junto. Y que sea lo que sea…

VAMOS DESCULPAR O POWERPOINT E SER FELIZ COM A CANÇAO

Fica aqui minha dica musical, em um novo espirito altruista de dividir o que ja foi avareza , meu presente do outro lado do Rio Prata lembrancas de um Uruguai que ainda nao conheci, mas que fica na outra margem do rio onde vivo. Rema, rema…

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