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Postais de uma tarde chuvosa em Mendoza

13 ago
 

Chegando sob chuva

So nos faltava um choroso saxofone. Chegamos a Mendoza nesta chuvosa tarde de sexta-feira. Se em Buenos Aires o frio eh polar aqui, onde estamos  nos aproximando dos polos, os ventos sao antarticos. Eh uma dessas chegadas soturnas ao coracao de uma rotina ao sul. Lembrei-me de uma tarde chuvosa que passei em Bruge,s na Belgica, e uma cena em particular: um cachorro que chorava ao som de um violino debaixo de uma das marquises da praca central.Ate agora muitos cachorros, mas nenhum chorando.

Mendoza tem pequenas argentinidades!

Nao nos restou muita saida senao, depois de um almoco, que so nao foi assalto porque o garcom conseguiu que cooperassemos sem armas, refugiar-nos no inexpressivo quarto do albergue ( a incrivel hospedagem onde os recepcionistas divertem-se num karaoke indescritivel)   e preparmos para espantar o frio mais tarde com muito vinho.

Nao sou um Cartier Bresson mas esta camera tambem nao eh uma rolerflex!

E, ja adiantando a ressaca, marcar o passeio de amanha para as termas incrustadas na montanha, onde afogaremos nossas penas e dores de cabeca em piscinas de pedra climatizadas. Deixo aqui algumas images da Mendoza que eu nao imaginei, mas sabe-la porque tem seu charme, envolta em nevoa, mas tem.

PS: Gracas a problemas tecnicos generosamente patronizados por meu netbook os proximos posts nao contaram com o auxilio luxuoso nem de um corretor de windows, nem de acentos. Nao e a reforma da lingua portuguesa e sim seu genocidio, no espirito “meu nihilismo nao passa de um teclado desconfigurado”.

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Sideways, entre umas e outras

12 ago

 

Eu e o blog, como dizemos por aqui, nos vamos de vacaciones. É isso, no bom e velho jargão, vamos dar uma volta, um rolé. Ver o que temos mais ao sul. Tenho que confessar aqui minha ignorância com relação à Argentina. Até agora, o mais longe que fui foi Tigre, quarenta minutos de trem da Capital. Embora Buenos Aires aspire ser o centro do universo, e mais ainda ser a representação mais fiel do que é a Argentina, não é. Há muita terra ao sul. E vamos começar por Mendoza.  Aproveitando a carona, incluímos no roteiro o Chile também. Mais precisamente Santiago, Valparaíso e Viña Del Mar porque eu sou uma adolescente perigosamente me aproximando dos trinta que ainda não superou Neruda.

Eu gosto de montanhas porque nunca as tive

A idéia é muito simples: ir bebendo nosso caminho até lá a la Sideways. Bodegas, muito vinho e o que não pode faltar sempre que estou presente: muita confusão. Como dizem alguns amigos por aqui “Gabi, a ti te pasan las cosas más raras”. Tenho planos, mas por experiência própria sei que eles são a primeira coisa a cair nas minhas viagens. De qualquer forma, pelo menos para Mendoza, tenho uma lista de coisas imperdíveis para fazer. E, no topo, está visitar o Aconcágua. Não consigo dormir só de pensar. Já falei aqui da minha fascinação por montanhas. Sou de Brasília, onde uma montanha é um substantivo abstrato. Sou como os retirantes de Vidas Secas de Graciliano Ramos que tem uma cadela chamada Baleia sem ter nunca visto o mar. Adoro montanhas porque nunca as tive.

Alguém pode ser seriamente feliz com vinho e Neruda

Para o Chile o projeto é menos ambicioso: a idéia é comer centollas ( aqueles caranguejos gigantes), seguir tomar vinho e ver o mar. Porque sou mais do tipo que se mareia em terra firme e, como Buenos Aires vem caprichosamente dando as costas ao Rio Prata, sinto falta de ver aquela água se derramando na beirada do mundo. Estou ciente que o mar de Valaparaíso não passa de uma zona portuária, mas serve para os meus propósitos de ver que o mundo tem saída de emergência. Vou postando, na medida do possível, minha Odisséia pelo sul. Vou sem grandes expectativas nem ilusões, sem condições e limites, talvez apenas uma, como diz o personagem Miles no filme Sideways: “I am not drinking any Merlot!”.