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Murió Ernesto Sabato: Sobre Heróis e Tumbas

30 abr

Las primeras investigaciones revelaron que el antiguo Mirador que servía de dormitorio a Alejandra fue cerrado con llave desde dentro por la propia Alejandra. Luego (aunque, lógicamente, no se pueda precisar el lapso transcurrido) mató a su padre de cuatro balazos con una pistola calibre 32. Finalmente, echó nafta y prendió fuego.  Esta tragedia, que sacudió a Buenos Aires por el relieve de esa vieja familia argentina, pudo parecer al comienzo la consecuencia de un repentino ataque de locura. Pero ahora un nuevo elemento de juicio ha alterado ese primitivo esquema. Un extraño “Informe sobre ciegos”, que Fernando Vidal terminó de escribir la noche misma de su muerte, fue descubierto en el departamento que, con nombre supuesto, ocupaba en Villa Devoto. Es, de acuerdo con nuestras referencias, el manuscrito de un paranoico. Pero no obstante se dice que de él es posible inferir ciertas interpretaciones que echan luz sobre el crimen y hacen ceder la hipótesis del acto de locura ante una hipótesis más tenebrosa. Si esa inferencia es correcta, también se explicaría por qué Alejandra no se suicidó con una de las dos balas que restaban en la pistola, optando por quemarse viva.

Sabato, sobre herois e tumbas

Quando cheguei a Buenos Aires para visitar, como mais uma dos milhares de brasileiros que apinham a Calle Florida, há quase dez anos atrás, e não vislumbrava nem de longe uma vida aqui, me lancei da missão de gastar todo o dia dinheiro destinado a souvenires em livros.  E, numa das centenas de livrarias que compõem a Avenida Corrientes com suas bocas abertas para as calçadas, comprei meus primeiros livros argentinos. Eram então dois exemplares de um autor que ate então desconhecia. Um relato meio lúgubre com nome igualmente hermético e capa cinza chamado El Túnel e outro, também de nome mórbido, Sobre Heróis y Tumbas de Ernesto Sabato.   O que li sobre Argentina ajudaria a compor meu imaginário de um pais que, tanto tempo atrás, jamais considerei chamar de casa. Foram Borges, Sabato, Cortazar, Alan Pauls, Tomaz Eloy Martinez e alguns outros que iam formando o caráter nacional em minha cabeça. Tantos outros que ainda ignoro me ajudarão a formar um imaginário para quem já vive este cotidiano.

E foi com beleza e horror que li, e confesso que já não me lembro senão de forma inconsciente, as novelas de Sabato. Lembro que aludiam a uma Buenos Aires subterrânea e trágica, como um descenso ao inferno pessoal e da cidade. Bem diferente da capital do meu coração cujas portas se abrem ao meu passo.

 

Ernesto y su tunel...

Um homem de bairro, que será velado em sua comunidade de Santos Lugares, com forte inclinação aos direitos humanos, Sabato morre em um momento particular do ano quando a cidade respira a literatura na qual fez oficio, com a Feira do Livro reunindo milhares de pessoas na Plaza Itália todos os dias, a cidade nomeada capital do livro e autores conhecidos e desconhecidos ocupando os quartos de hotéis da cidade. E dizia: Eu escrevo, porque senão estaria morto, para procurar o sentimento da existência.  

Acabamos em Tango…

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All that Jazz

18 nov

Começa no dia próximo dia 03 o Festival de Jazz de Buenos Aires e eu acho um gancho para falar de um dos (senão o mais) meus estilos musicais preferidos. Existem poucas coisas no mundo que fazem tão feliz quanto escutar um bom jazz. Sou daquelas que fecha os olhos, deixa pender a cabeça e balança os pés em um ritmo semi autista que me deixa anti social durante as Jam sessions. E a Capital está cheia deste som envolvente feita por músicos intrépidos que pelas noites enchem a cidade desse zumzumzum macio. Eu sei que existem centenas de boas casas de jazz na cidade, mas eu mesma só conheço e freqüento algumas. Gosto muito das que são feitas por músicos que se somam depois do trabalho, depois de suas jornadas diárias, como Clark Kents musicais, mudando de identidade para abraçar o jazz como é o caso do Ladran Sancho  (Guardia Vieja 3811) .

Nas Jams, que acontecem as terças feiras, os músicos vão somando-se aos poucos e com uma espontaneidade raramente vista em outros lugares. O resultado é quase sempre espetacular. Eu acho que já falei disso aqui, mas não me esqueço nunca do baterista cotó que fazia com meio braço o que bons bateristas não fazem com dois. Outro lugar muito tradicional na cidade é o Thelonious ( Salguero 1884, piso 1). Um lugar extremamente digno e descolado recebe quase que diariamente jazzeros dos quatro cantos do mundo. Um bom bar para ir de casal, curti um drink, uma aura blasé e escutar um jazz educado. Outra referencia é o espaço Notorious  (Callao 966) que tem uma programação consistente de Jazz e graças à iniciativa Club Brasil, de Bossa Nova também.  Deixo aqui também o jazz que escuto em casa, o canal Accujazz de rádio online com dezenas de variações de jazz para todos os gostos, de todas as vertentes, eras e instrumentos. O menu é de dar água na boca para os fanáticos pelo ritmo. Só saxofone? Tem. Piano? Vamos! Old School? That could be arranged!É uma brincadeira e tanto passar o dia descobrindo os canais do Accujazz. Um must!

As entradas para o Festival de Jazz de Buenos Aires já estão sendo distribuídas/vendidas  no site www.festivales.gob.ar  ou  pessolmente na Casa de la Cultura (Av. de Mayo 575) e no Teatro 25 de Mayo (Av. Triunvirato 4444), de segunda a sexta-feira  de 11 a 19 hs. Além dos recitais, a programação inclui ainda workshops e sessões de cinema. “Personalmente” eu vou atrás das entradas para a abertura no dia 03 de dezembro quando tocam Mingus Dynasty, Frank Carlberg & Christine Correa no Teatro Coliseo.  Acho a voz da indiana naturalizada norte-americana um dos highlights do festival.

Christine Correa: voz sublime, um dos highlights do festival

Deixo aqui um videozinho de Cortázar falando do Jazz. Estou com ele que diz que o “jazz é uma espécie de presença continua”.  Jazz me up Buenos Aires!

Os 96 anos de Cortázar

26 ago

 

Ven a dormir conmigo: no haremos el amor, él nos hará.

Se estivesse vivo, Júlio Cortázar, completaria hoje 96 anos. Escrevo agora da Boutique de livros, a passos de uma praça que leva seu nome em Buenos Aires. Uma Praça que todos chamamos de Serrano, mas na verdade leva seu nome. Foi um dos maiores escritores argentinos embora tenha passado boa parte de sua vida na frança, onde faleceu de leucemia em 1984 e foi enterrado. Ainda que seu livro mais famoso Rayuela seja um pouco hermético, não há porta de entrada para um bom Cortázar. Gosto dos seus contos e gosto de sua voz lendo seus textos. Toda hora é uma boa hora para Júlio Cortázar. Deixo um bom Cortázar acompanhado de Charlie Parker, porque jazz e Cortázar, tudo a ver!

E para um montão de Cortázar confira: http://www.argentina.ar/_es/cultura/C2286-cortazar-aniversario-de-su-nacimiento.php