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Isla Negra: Navegar é preciso. Viver não.

28 set

Isla Negra: vista da última morada do capitão

Nosotros no sabíamos  

que todo lo tenían ocupado,

las copas, los asientos,

las camas, los espejos,

el mar, el vino, el cielo”.

Dizem que soaram até vuvuzelas em Santiago quando descobriram que os 33 mineiros presos em uma mina mais de 700 metros da superfície se encontravam bem . Estávamos no ônibus a caminho da terceira casa que conheceria de Neruda – a última que me faltava conhecer – escutando em alto e bom som as palavras do presidente Piñera que leu o bilhete dos mineiros soterrados: “Estamos bien los 33 en el rejugio”. O motorista, passageiros  e o cobrador comemoraram efusivamente. Minutos antes havia caído na besteira de pedir ao motorista que nos avisasse quando estivéssemos se aproximando de Isla Negra. E nos sentamos nos primeiros assentos.

Isla Negra observa o mar

A viagem de Valparaíso tarda uma hora e pouquinho e, no caminho, eu vim festejando o fato de passarmos por um montão de placas anunciando que passaríamos por uma cidade chamada Casablanca. Sou fã do filme de título homônimo e uma vez indo de trem da estação do Retiro em Buenos Aires a San Isidro, passei por um bar com o mesmo letreiro do Rick’s Café, exatamente como era no filme. Desde então, todos os sábados quando vou a Victoria para minhas aulas do mestrado me penduro sem sucesso na janela do trem esperando vê-lo de novo. Por isso, vinha sorrindo por dentro cada vez que passávamos por uma placa anunciando “Casablanca”.“– Isla Negra não é uma ilha”, vinha me dizendo repetidamente o motorista quanto mais nos aproximávamos de nosso destino final. “ – Todo mundo acha que é uma ilha. Eu trago um monte de turistas acham que vão ter que tomar um barco. Não tem barco, é que Neruda inventava nomes para suas casas. Não é uma ilha”. Ele era tão simpático que não me dei ao trabalho de explicar-lhe que eu nunca achei que Isla Negra fosse efetivamente uma ilha.

Um pouco de Isla Negra: do documentário Yo soy Pablo Neruda

O ônibus nos deixou na beira da estrada onde a primeira coisa que se vê é o “Estacionamento Pablo Neruda”. É preciso então ir descendendo uns 500 metros por um caminho de areia. Vai ficando óbvio porque o poeta escolheu este lugar para viver e finalmente para ser enterrado.

Isla negra, navegar é preciso...

Por entre pinheiros aparece uma praia tão dramática como seus versos, ondas altas chocando-se a torres de pedras negras, casas acomodadas sobre os cerros, névoa e maresia. É um desses lugares feitos para grandes insights onde se pode sentar sobre uma pedra e vislumbrar uma vida inteira.

O que via o poeta...

Foi em 1939 que Neruda encontrou um terreno de 5 mil metros derretendo-se sobre o pacífico.

Poesia com vista para o mar

 Isla Negra era então uma vila de pescadores, cheirando a sal e iodo, com praia de areia e ágatas , um lugar perfeito para escrever. Da pequena casa de pedra Pablo foi tecendo a trama de uma construção complexa como suas outras moradas, construindo cômodo a cômodo, como um quebra cabeça de peças infinitas, como um tapete mágico. “En mi casa he tenido juguetes pequeños y grandes, sin los cuales no podría vivir. He edificado mi casa también como un juguete y juego en ella de la mañana a la noche.” Aqui foi colecionador em todo seu esplendor entre seus mais 3.500 objetos, trouxe a sua sala los “mascarones”de proa, estatuas de mulheres que adornavam as proas de embarcações antigas, mulheres estas que ganharam nome e vida e entraram para as anedotas da casa. E mais uma casa desenhada para ter segredos, detalhes, vistas e janelas secretas cortejando o pacífico. Medusas descansam entre arcanjos e borboletas empalhadas, punhais, veleiros engarrafados, estatuas de Rapa Nui, insetos estranhos, Rimbaud, Whitmann sob bóvedas de madeira, sempre como a quilha que corta o mar, as casas de Neruda são feitas para a navegação. “Yo soy un amateur del mar, y desde hace años colecciono conocimientos que no me sirven de mucho porque navego sobre la tierra.”

Pablo e Matilde, como os vi naquela tarde na praia

Uma última adição nos lembra da personalidade fanfarrona do poeta. Uma saleta para acomodar uma réplica em tamanho real de um cavalo, símbolo de uma loja de ferragens incendiada na cidade de sua infância, Temuco, para o qual se construiu um cômodo e se festejou sua chegada com presentes de amigos ao animal, entre eles dois rabos.

Na sala suas mulheres de proa...

Finalmente, pelo fim da visita, se chega a sua impressionante coleção de “caracolas” porque Neruda era ativo estudante de conquiliologia. Milhares de conchas de engalfinham em uma sala azul que faz com que pareçam mais celestes que do mar. Acreditava tanto nos presentes do mar que um dia se levantou e disse a Matilde, sua última esposa, que iria a praia a espera uma encomenda que lhe traria o oceano. Esperou por horas até retornar com uma tábua imensa, destroços de uma embarcação qualquer, que viria a transformar em sua mesa de trabalho, de onde saíram poemas que zarpariam para o mundo. Foi em Isla Negra que o poeta se despediu do mundo, partindo para a Clínica Santa María, em Santiago, pouco antes de falecer, dias depois do golpe militar que mudou para sempre a história do Chile. Foi vítima de um coração partido,um câncer de próstata, uma alma que não cabia mais no corpo e de um país que entrava nas trevas no dia 23 de setembro de 1973.O primeiro sepultamento no Cemitério Geral de Santiago foi acompanhado de um cortejo militar que jamais estaria presente por vontade do poeta. Neruda retornaria a casa então, para sua morada final, ao lado de sua companheira Matilde, em 1992, onde repousa feliz com vista para o mar, marinheiro em terra como sempre foi com os pés voltados para as pedras escuras de Isla Negra ao lado de Matilde á deriva…

 

Serviço:

http://fundacionneruda.org/index.html

Os ônibus de Valparaíso saem do terminal da cidade de hora em hora.  Santiago a distancia é mais ou menos a mesma.

Um PS: Ao sair demos de cara com o muro cheio de poesias das crianças locais. Era tchuchuca atrás de thuchuca. Deixo um registro da que mais gostei:

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Jorge Drexler: meu mestre espiritual

21 set

Drexler é meu Osho

Tenho uma amiga que diz: ” O Tempo passa e nao adianta, voce continua gostando desse uruguaio chato”. E Jorge Drexler eh meu Osho.  Tem gente que vai a India e, embora eu ainda nao possa descartar essa possibilidade, eu vou a Drexler.Eh para ele que eu corro quando algo me aflige a alma. Eh possivel que existam cantores melhores, menos populares, mais eloquentes, mais letrados, mas eu me acostumei a recorrer a Drexler e sua farmacia de letras quando preciso. Talvez seja puro habito, comodismo. Talvez eu nao seja tao afinada musicalmente. Eh possivel que ele flerte perigosamente com o pop, que eu ame jazz, yeah yeah rock n roll. Mas, o uruguaio foi,durante pelo menos os ultimos seis anos de minha vida, a trilha sonora dos melhores e piores momentos de minha odisseia. Sou perigosamente apegada e dependente dele em uma relacao mais ou menos inexplicavel. Ele faz parte da minha memoria auditiva como certos cheiros sao de minhas lembrancas mais olfativas. E talvez porque, em periodos muito dificeis, Drexler tenha sido meu divã. Dizem que falar cura, é um dos principios da psicoanalises, mas escutar também vem me ajudando ao largo desse tempo.   Por isso, quando posso vou a todos os shows. E foi assim que, desembolsando o dinheiro que nao tinha, fui assisti-lo no Teatro Gran Rex, no coracao da Avenida Corrientes, no domingo a noite. Eu acho que nao sou excecao. Nos primeiros shows dele conheci gente que empreendia viagens internacionais com o unico intuito de ve-lo.

DREXLER, DOMINGO, NO GRAND REX

Somos como uma sociedade secreta e viciada que aguarda anciosamente seus lancamentos entrando em listas de esperas de lojas de discos. Mas afinal o que ha em Drexler? Nada demais. E eh isso que nos atrai. Uma simplicidade quase insolita. Uma franqueza quase ludica. Uma sonoridade de roda de violao, fogueira e banquinho. Nos ultimos anos o vemos ganhando popularidade. Acompanhamos sua ascencao com cautela, prefeririamos mante-lo segredo, mas secretamente comemoramos seu sucesso. O fantasma do pop nos assombra. Um medo de que entre para as trilhas das novelas que nos aflige. Queremos trancar Drexler em uma caixinha de musica. E a contradicao reside no fato de querer dividi-lo com o mundo. O show de ontem foi uma grande viagem pela estrada da memoria. Ele é super divertido, fala para dedeu, ja fui a tantos shows que reconheço suas piadas e me divirto com suas chatices, típicas de um meticuloso virgiano.  Enquanto ele ia cantando, acompanhado de sua nova matilha de sopro, eu ia me dirigindo para dentro de minhas lembrancas tao embaladas por suas toadas uruguaias. Ia me despedindo da gente que foi, dando bemvindas aos que vieram, acomodando os que ficaram e cantando junto. Y que sea lo que sea…

VAMOS DESCULPAR O POWERPOINT E SER FELIZ COM A CANÇAO

Fica aqui minha dica musical, em um novo espirito altruista de dividir o que ja foi avareza , meu presente do outro lado do Rio Prata lembrancas de um Uruguai que ainda nao conheci, mas que fica na outra margem do rio onde vivo. Rema, rema…

Las Casas del Capitán: La Chascona

1 set

 

Capitão Neruda e seus barcos

Eu não fui apenas ao Chile, um lugar que sempre ocupou um latifúndio em meu imaginário, mas também a Neruda . De adolescente havia lido um montão de Neruda, todos os livros de Isabel Allende e muitas histórias sobre o país e, há anos, esperava uma oportunidade de ir ao Chile. Um vôo barato e uma pequena pausa no mestrado me proporcionaram adentrar esta tripa territorial espreguiçando-se sobre o pacifico cuja história sempre me fascinou um pouco. Dos horríveis contos da ditadura de Pinochet, ao realismo fantástico de seus autores, terremotos, ás canções de exílio, amor e desespero de Neruda, o Chile era um buraco em meu mapa pessoal que há muito tentava preencher. Esperava encontrar Neruda, mas não vê-lo em todas as esquinas. Esperava ir à casa do poeta, como iria à casa de Frida Kahlo se estivesse no México, mas não que viesse até mim com a força com que veio.

 

E Santiago é muito mais do que esperava.  Dizem que às vezes a poluição é tão intensa que não se pode ver os Andes. Mas, em outros dias, estão lá, abres uma janela e sentinelas de pedra e neve de olham de volta acocoradas em seus milhares de metros,  lembrando-nos que nem toda terra é dos homens. Meu guia de América do sul diz que Santiago tem seu charme “talvez não seja como Buenos Aires”, mas tem sua graça. Criamos uma teoria. Há anos escuto dizer que “não há nada em Santiago”. Teorizamos que esta é uma bela tática para manter esta capital em segredo, longe da atividade turista depredatória, aquela que transforma lugares em parques temáticos. Santiago é linda. Tem um por do sol em tons rosáceos, a presença eterna das montanhas, a ameaça constante de terremotos, a presença caudalosa do rio Mapocho, arranhásseis, uma melancolia nostálgica e vilas ( Cités, como chamam por lá). Street arte como gosto, ruas limpas, bairros sonolentos e um cheiro permanente á torradas e geléia.  

Sobrevoar os Andes...

Vindo de Mendoza é um vôo de apenas 45 minutos, sendo quase vinte deles passados sobrevoando os Andes em um espetáculo que com meu pobre

The Clinic: Hay que leerlo

 jornalismo não seria capaz de descrever. Montanhas furando a barriga de nuvens gordas, gretas cobertas de nevoa e neve, cumes de pedra negra estendendo-se sobre a atmosfera. Uma das dez coisas para fazer antes de morrer. Aliás, top passeios para fazer em Santiago: ler o jornal The Clinic. Criado há dez anos, para ridicularizar o então convalescente general Pinochet, é um jornal que passa ao largo de ser sério. Sua edição imprensa lembra antigos tablóides e suas paginas estão cheias de ironia e matérias ridicularizando tudo, das instituições serias as não tão sérias assim.  Ir a um Café com Pernas. Verdadeiras instituições em Santiago, os Cafés com pernas são produtos chilenos que deveriam ser exportados.

Café com um horário familiar de 10hrs as 20hrs, com mulheres servindo o melhor café de barítonos em biquínis e oferecendo serviços que digamos, não são tão apegados aos valores de família assim. Existem várias gradações. Os mais sérios não são mais que cafés com pernas, mulheres de biquíni e café. Os mais arrojados oferecem serviços VIPS, massagens com finais surpreendentes e outras iguarias mais velhas que a bíblia. Depois, render-se a comer centollas no mercado Central, caranguejos monstros que podem custar até duzentos dólares no Mercado Central. Observar os Murais de grafite espalhados pela cidade, tomar a estranha bebida dos chilenos, Mote com Huesillos ( quem iria pensar em combinar pêssegos, suco e trigo em um copinho?), sentar-se a praça de Armas e observar as figuras e passear no bucólico bairro de Providencia estão entres meus programas preferidos na cidade.  E, se você é como eu e Tom Waits que tem “a bad liver and a broken heart”, tomar muito pisco, sem medo de ser feliz.

La Chascona: uma casa para vivir y amar

Ejetando-se de um cerro em Bellavista, um boêmio e aristocrático bairro do capital Santiago, depois de uma das orelhas do rio Mapocho, está La Chascona , uma mutação de alcova para dois amantes que primeiro encontravam-se em silencio e discrição antes de ganhar fama como um dos casais mais importantes chilenos. Foi em segredo que Neruda e Matilde continuaram ali um romance que teve seu ápice em Capri, na Itália, antes que ele deixasse a artista argentina Delia Del Carril, sua segunda mulher, vinte anos mais velha.  E Neruda, cujo oficio principal era amar mulheres e construir casas para amar-las e adorar-las, não podia ver seu derradeiro amor sem um templo de louvação apropriado. Assim, começa a construir “La Chascona”, uma de suas três casas- barcos porque, além de marinheiro em terra firme, era um grande construtor.

Neruda e Matilde

Chascona, palavra que significa despenteada por aquelas bandas, uma homenagem as abundantes madeixas de Matilde, é um quebra cabeça de madeira e concreto abraçando o Cerro que observa a capital, uma cidade que reside dentro de uma coroa de montanhas, graciosamente lambendo os pés da cordilheira dos Andes.  Eu, que apesar de ter algum espírito nômade de marinheira , cheguei lá numa sonolenta e fria manhã de quarta-feira, sob o efeito de minha primeira ressaca de pisco chileno e esperei meu tour no café numa varanda deitada sobre a cidade.Pelo terreno passava um braço de água que foi extinto antes que comesse a casa. Foi nele que os militares afogaram os livros de Neruda quando vieram mostrar a extensão de sua ignorância saqueando e vandalizando a casa. Neruda nunca ficou sabendo, morreu poucas semanas após o golpe de tristeza e doença. É possível sentir a umidade dos lugares que um dia tiveram água.  

 

Brasil - Chile: Homenagem de Vinicius a Neruda...

É possível também ver a cidade, as montanhas e o cerro de San Cristóbal. Aliás, convivi nesta viagem com a palavra Cerro como nunca pensei tê-la tão presente em nosso cotidiano. Subimos e descemos cerros para ver cidades ajeitando-se sobre as montanhas e montes, almoçamos em cerros, vimos o Aconcagua em um cerro, tomamos elevadores antigos para subir-los, descemos a pé por eles conhecendo ruas e cidades. Por fim, me apaixonei por esses calos de montanha no qual sobem as vidas e constroem moradas ajeitando-se sobre a terra íngreme. Estamos, e isso é um lembrete, em uma zona andina. La Chascona está acomodada em um terreno originalmente de 350 metros quadrados e traz em si algo de incrivelmente austero e também a opulência de seu colecionador. Neruda era um espírito fanfarrão e colecionador cuja obsessão por objetos arrasta-se pela casa e por sua prosa.

“Amo las cosas loca,

Matilde por Rivera, La Chascona e seu acervo artistíco

locamente.

Me gustan las tenazas,

las tijeras,

adoro

las tazas,

las argollas,

las soperas,

sin hablar, por supuesto,

del sombrero. (…)”

Cheio de idiossincrasias Neruda amava taças coloridas. Dizia que as bebidas tinham mais sabor nelas. Seria preciso ter mais olhos para aproveitar cada detalhe, mas um breve tour e nos foge algo de seu humor decorativo, sua comovente austeridade de espaços e intrigante opulência em detalhes. Garrafas, cinzeiros e réplicas das mãos de Matilde estão por todas as partes dando conta dos gostos de seu Dono e seus amores. Está claro que o poeta não era um simples marujo, era o capitão deste navio. Tetos abalonados de madeira não são metáforas marítimas são indicações claras da bússola deste capitão. Seu coração estava no mar e suas casas eram a escotilha de onde sua alma vislumbrava terra firme apenas para voltar a lançar-se ao mar com o conforto de que o mar encontrava porto a qualquer momento.  Mas, há algo de triste também.  Passei boa parte do recorrido pensando em pessoas cujo amor pela vida é tão pungente que jamais deveriam morrer. O capitão havia ancorado.

Neruda e suas taças coloridas, tudo tem mais sabor nelas, o poeta dizia...

O mundo de Neruda tem dedais, leques, copos, garrafas, mastros, conchas (Neruda as colecionava), estátuas, astrolábios, quadros, muitos quadros. Quadros de seus amigos ilustres. Na pinacoteca de Neruda há Rivera, David Alfaro de Siqueiros, Roberto Matta, José Caballero, Nemesio Antúnez, Fernand Léger, José Pancetti, Noé León, Mario Carreño, Héctor Cerrera, Fernando Krahm, entre tantos outros. Há algo pop também de uma casa que, criada em 1953, viu chegar os anos 60 com apenas um inquilino. Matilde, viveu em La Chascona sozinha, por os doze anos que sobreviveu ao seu cônjuge, desafiando a ditadura e secretamente publicando textos póstumos. Textos como a biografia do poeta que chegou ao Chile depois de ser publicada fora e veio escondida sob a capa de Teresa Batista, cansada de guerra, de Jorge Amado. São os detalhes que comovem. Detalhes como saber que Pablo Neruda não era seu nome de Batismo. Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto só se transformou em Neruda muitos anos mais tarde, sabe-se porque, dizem que tomando o célebre nome de um poeta checo que admirava.  La Chascona é a testemunha de pedra de seu oficio e também de seu amor.